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Mercedes EQB: testamos o carro elétrico de 7 lugares antes do lançamento

Joaquim Oliveira

Colaboração para o UOL, em Lisboa (Portugal)

03/12/2021 04h00

O Mercedes-Benz EQB 350 dá sequência à expansão da oferta elétrica da montadora alemã. É o único SUV compacto de sete lugares elétrico do mercado e chega ao mercado europeu no início de 2022. E o UOL Carros já teve a oportunidade de dirigir.

A corrida ao armamento elétrico não dá tréguas e é agora a vez do Mercedes-Benz EQB, o terceiro SUV elétrico da marca alemã e que se assume como o único automóvel no segmento compacto com sete lugares totalmente "na tomada".

O Mercedes EQB é 5 cm mais comprido e 7 cm mais alto do que o GLB (que usa motores de combustão), sendo o entre-eixos e a largura idênticos.

Há algumas diferenças de detalhe tanto no exterior como no interior: no primeiro caso a grade frontal é fechada e tem acabamento em negro lacado. Existe uma faixa luminosa a unir os faróis, os para-choques dianteiros apresentam um desenho ligeiramente diferente e há uns difusores do ar diante das rodas o que, a par do fundo do carro quase totalmente tapado, permite melhorar o coeficiente aerodinâmico.

No caso do interior, temos no EQB efeitos de retroiluminação no painel de bordo, menus específicos na instrumentação e ecrã central (relacionados com a propulsão elétrica) e aplicações em tom rose gold (opcionais) - novidade nos EQA e EQB.

Uma bateria para todos

A bateria de 66,5 kWh está montada por debaixo do piso do carro, na zona da segunda fila de bancos, e foi colocada em duas camadas sobrepostas, o que gera a primeira alteração no interior deste SUV compacto elétrico face ao GLB: os passageiros traseiros viajam com os pés em posição um pouco mais alta.

Também por isso a carroceria subiu os tais 7 cm a que fizemos referência anteriormente, o que quer dizer que a oferta de espaço é generosa em altura, tal como em comprimento, mas menos em largura.

A outra diferença é no volume do porta-malas, que é de 495 litros com os bancos traseiros com as costas levantadas - menos 75 litros do que em um GLB, por exemplo, porque também aqui o piso do porta-malas teve que subir.

Só crianças na 3ª fila

A montadora alemã diz que a altura limite para quem se senta na 3ª fila é de 1,65 m, o que quer dizer que serão quase sempre crianças pequenas ou jovens adolescentes.

As costas dos bancos da segunda fila estão fracionadas em 40/20/40 e podem ser rebatidas para criar uma zona de carga quase totalmente plana no Mercedes EQB.

Por outro lado, as costas dessa segunda fila de bancos podem ser ajustadas em inclinação e dispõem de uma função de acesso à terceira fila, mas exige sempre alguma agilidade a quem quiser entrar ou sair para os "lugares do fundo". Interessante é o fato de a terceira fila opcional contar com fixações Isofix, o que permitem a colocação de cadeirinhas de bebe.

O único 7 (ou 5+2) lugares da classe

O acesso é facilitado pelas portas de abertura ampla e soleiras relativamente baixas. Este interior é conhecido pelos laços umbilicais a toda a família de compactos da Mercedes, com os conhecidos elementos e funcionalidades do sistema de info-entretenimento MBUX.

À frente temos duas telas de 10,25" cada, dispostas horizontalmente lado a lado, com a da esquerda com funções de painel de instrumentos e a da direita com a central multimídia.

Percebe-se que o túnel abaixo da console central é mais volumoso do que deveria, porque foi concebido para acomodar uma caixa de velocidades grande, enquanto se destacam as cinco saídas de ventilação com o conhecido desenho de turbina de avião.

Interior bem recheado

Logo no nível de entrada mais baixo, o EQB já dispõe de faróis LED com assistente adaptativo de luzes, abertura do porta-malas com abertura e fechamento elétrico, rodas de liga leve de 18 polegadas, iluminação ambiente em 64 cores, porta-copos duplo, câmara de ré, volante multifunções em couro, central multimídia e sistema de navegação com "inteligência elétrica" - avisa se há necessidade de parar para abastecer durante a viagem programada, indicando as estações de recarga no caminho e o tempo necessário em função da potência de carga disponível.

Depois, há uma série de mordomias pouco comuns em carro deste segmento, mas que se entendem em um contexto de marca premium: sofisticado sistema de comandos por voz, head-up display com realidade aumentada e instrumentação com quatro tipos de apresentação.

Por outro lado, as cores mudam de acordo com a forma de dirigir: durante uma aceleração mais forte de energia, por exemplo, o visor muda para branco.

No volante existem aletas para ajustar o nível de recuperação de energia pela desaceleração, quando os motores elétricos passam a funcionar como alternadores.

Carregar de 11 a 100 kW

O carregador de bordo tem uma potência de 11 kW, permitindo que o EQA 350 seja carregado em corrente alterna (AC) de 10 a 100% (trifásico em Wallbox ou estação pública) em 5h45m ou de 10 a 80% em corrente direta (DC, até 100 kW) a 400V e corrente mínima de 300 A em 30 minutos.

A bomba de calor é de série em todas as versões e contribui para que a bateria esteja sempre em condição ideal de funcionamento, ao mesmo tempo que pode aproveitar o calor libertado pelo sistema de propulsão para, por exemplo, aquecer a cabine e dessa forma ajudar a otimizar a autonomia - a promessa é de 419 km.

A suspensão tem regulagem um pouco mais confortável do que o EQA por ser um modelo com vocação mais urbana, usando molas de aço nas versões de entrada e amortecedores eletrônicos variáveis opcionalmente.

O sistema 4x4 ajusta continuamente a entrega de torque em cada eixo de acordo com as condições da estrada e de como se dirige. A baixas velocidades e velocidades de cruzeiro estáveis o sistema usa apenas ou principalmente o motor traseiro, enquanto as exigências mais altas de potência juntam a ação do motor dianteiro à propulsão. Pode estar em modo "vegetativo", sem consumir energia, mas volta a estar ativo com enorme rapidez, tal como acontece nas variantes de tração integral dos rivais do Grupo VW.

Ao contrário do EQA, que tinha apenas duas rodas motrizes (EQA 250), a comercialização do EQB começa com os dois 4Matic, com rendimentos distintos no 300 (228 cv/390 Nm) e no 350 (292 cv/520 Nm), mas a marca alemã não divulga os valores unitários para cada um dos motores.

O primeiro impacto positivo é dado pela suavidade e silêncio de funcionamento do sistema de propulsão do EQB 350, mas também pelas acelerações de muito bom nível: 6,2 s de 0 a 100 km/h e retomadas de velocidade realmente céleres mesmo acima dos 120 km/h.

Depois, as diferenças entre os modos de dirigir são bem notadas, com as irregularidades do asfalto a serem quase todas assimiladas pela suspensão em Comfort.

No teste de cerca de 120 km em estradas mistas, terminei com uma média de consumo de 22 kWh/100 km, que não permitiria mais de 300 km com uma única carga completa de bateria.

Se bem que a baixa temperatura ambiente que se fazia sentir não tenha ajudado, também há que considerar que os rivais diretos (Grupo VW e coreanos) dispõem de uma bateria maior (de 77 kWh) que ajudam a explicar as suas autonomias reais mais elevadas (entre os 350 e os 400 km).

E esse é um ponto desfavorável para o EQB, que também admite carregamentos DC a uma potência inferior.

Primeiras impressões

Se você está entre os cada vez mais raros chefes de família com mais de dois filhos e quer um SUV elétrico com dimensões compactas, o EQB é a sua escolha. Forçosamente e desde que disponha de um orçamento generoso para a compra do carro elétrico para a família.

O interior espaçoso e a avançada tecnologia a bordo são outros pontos a favor, ao contrário da autonomia, que é penalizada pela pequena bateria e pela reduzida potência máxima de carga em corrente direta.