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Nada de picape: Maverick raiz tomado por ferrugem renasce 24 anos depois

Ford Maverick Super Luxo 1974 ficou 24 anos guardado no RS e foi maltratado pela ferrugem; hoje é restaurado em SP - Arquivo pessoal
Ford Maverick Super Luxo 1974 ficou 24 anos guardado no RS e foi maltratado pela ferrugem; hoje é restaurado em SP Imagem: Arquivo pessoal

Do UOL, em São Paulo (SP)

24/11/2021 04h00Atualizada em 24/11/2021 09h29

Convertida em importadora de veículos desde o início deste ano no Brasil, a Ford acaba de apresentar a Maverick, picape com chassi monobloco e motor 2.0 turbo derivada do Bronco Sport trazida do México. A novidade começará a ser vendida aqui no primeiro trimestre de 2022 em versão única, com preço ainda a ser anunciado.

O veículo utilitário é novo, mas seu nome é um velho conhecido de brasileiros com mais de 45 anos. Entre 1973 e 1979, Maverick batizou um carro esportivo equipado com motor de seis cilindros ou V8, produzido na fábrica de São Bernardo do Campo (SP) - desativada em 2019 e cujas instalações e terreno foram vendidos no ano passado para uma construtora.

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Hoje valorizado no mercado de automóveis antigos, o Maverick raiz, aquele que chegou primeiro e teve vida curta no País, tem um exemplar relativamente raro, na cor amarela Indy e com quatro portas, que permaneceu parado durante 24 anos em Porto Alegre (RS). Mesmo tomado pela ferrugem, o sedã começou recentemente a ser restaurado por um colecionador no interior paulista, em busca de dias melhores.

O carro em questão é um Maverick Super Luxo 1974 equipado com motor 302 V8 e câmbio manual, adquirido há cerca de três meses do primeiro dono pelo empresário Alexandre Badolato - dono da maior coleção de automóveis Dodge do Brasil e também fã do modelo da Ford, do qual já tinha uma unidade 1975 com pintura branca Nevasca, da cultuada versão GT.

Restauração bomba na rede

Roubada ou desafio? Alexandre Badolato abraçou missão de devolver Maverick de 4 portas à velha forma - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Roubada ou desafio? Alexandre Badolato abraçou missão de devolver Maverick de 4 portas à velha forma
Imagem: Arquivo pessoal

Acostumado a resgatar carros largados e em condições lamentáveis, Badolato abraçou a recuperação do Maverick de quatro portas, registradas em uma série de vídeos que já acumulam cerca de 1 milhão de visualizações no Agbadolato, o canal do colecionador no YouTube.

"Um seguidor do meu canal, sobrinho do proprietário, ofereceu o carro, cujo motor não era ligado havia mais de duas décadas. Quando vi fotos do Maverick pela primeira vez, achei que ele se partiria em duas partes ao ser manuseado, dada a quantidade de ferrugem na carroceria", conta.

Cabine do Maverick traz banco dianteiro inteiriço e vai demandar bastante trabalho na restauração - Reprodução/YouTube - Reprodução/YouTube
Cabine do Maverick traz banco dianteiro inteiriço e vai demandar bastante trabalho na restauração
Imagem: Reprodução/YouTube

Mesmo assim, Alexandre abraçou a missão e foi surpreendido quando o "Maveco" chegou em São Paulo, vindo da capital gaúcha. De acordo com Badolato, o velho Ford está "zerado" nas partes que importam: longarinas, assoalho e toda a parte de baixo. O motor 4.9 V8 de quase 200 cv, a transmissão e o diferencial também - sozinha, a parte mecânica vale praticamente o que ele pagou pelo veículo inteiro, destaca.

Por outro lado, a carroceria está bem enferrujada, principalmente na parte traseira, onde dá para ver vários buracos. O empresário destaca que, segundo relato do antigo dono, o Maverick com banco dianteiro inteiriço, comprado zero-quilômetro, desde muito novo sofreu com os efeitos da corrosão - a ponto de ter sido inteiramente repintado com cerca de seis meses de uso, após o proprietário enviar uma carta de reclamação ao então presidente da Ford.

"Creio que 95% daqueles que eventualmente comprassem esse Super Luxo iriam cortá-lo para usar a mecânica em outro projeto".

Motor voltou a funcionar após mais de duas décadas

Motor V8 voltou a funcionar após 24 anos; reforma está em curso no sítio de Badolato no interior de SP - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Motor V8 voltou a funcionar após 24 anos; reforma está em curso no sítio de Badolato no interior de SP
Imagem: Arquivo pessoal

Não foi o caso. A recuperação do sedã está apenas começando, mas ele já está funcional, com motor funcionando - o tanque e as linhas de combustível foram reformadas, conta. Contudo, a cabine, com revestimento dos bancos rasgado, e a lataria aguardam por uma dose gigante de atenção.

Nesse projeto específico, Badolato decidiu seguir um caminho diferente do costumeiro nas demais restaurações, atendendo pedidos da sua audiência.

"Normalmente, nós desmontamos o veículo inteiro para fazer funilaria e pinturas completas, enquanto outra oficina cuida da parte mecânica. Agora, estamos fazendo o trabalho em etapas para render mais vídeos, mesmo que assim o processo seja contraproducente".

Parte traseira sofreu bastante com a corrosão; ferrugem é problema desde quando Maverick era novo  - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Parte traseira sofreu bastante com a corrosão; ferrugem é problema desde quando Maverick era novo
Imagem: Arquivo pessoal

Como existem consideravelmente menos exemplares de quadro portas do Maverick, até agora o colecionador diz ter encontrado com "relativa facilidade" as peças de lataria que terão de ser trocadas pelas partes já consumidas pela ferrugem.

"Quanto à funilaria, vamos primeiramente cuidar da traseira, onde existe mais corrosão. A etapa seguinte vai focar as portas e o teto. Por fim, será a vez de restaurar capô, para-lamas e saia dianteira".

Por outro lado, o colecionador pontua que o maior empecilho será regularizar a documentação do sedã, já que ele ainda traz as placas amarelas, que deram lugar às chapas cinza em 1990.

Funilaria começa em breve e até agora Badolato conseguiu as peças de lataria necessárias ao projeto - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Funilaria começa em breve e até agora Badolato conseguiu as peças de lataria necessárias ao projeto
Imagem: Arquivo pessoal

"Seria necessário colocar o carro em condição de rodar, com todos os equipamentos obrigatórios funcionando, para fazer a vistoria lá no Rio Grande do Sul e ir com o dono ao cartório para tirar a segunda via do recibo e transferir a propriedade. Porém, provavelmente vamos por outro caminho e entrar com processo de usucapião".

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