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Por que Honda matou Fit e priorizou nova versão de 'irmão' que vende menos

José Antonio Leme

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/11/2021 04h00

A Honda confirmou o fim do Fit no Brasil e a chegada do City hatch, carro inédito por aqui, no seu lugar. A decisão tem justificativa, apesar de, em um primeiro momento, causar estranheza devido ao volume de vendas do primeiro em relação à versão sedã do segundo.

Especialistas apontam que a troca do Fit pelo City hatch tem foco mercadológico e também de redução de custos na produção dos carros.

Em 2020, o Fit vendeu 12.833 contra 7.280 emplacamentos do City sedã em todo o ano. Até o fechamento de outubro de 2021, mesmo com ambos já em fim de linha, reduzindo estoque e produção, o Fit vendeu 6.318 contra 5.948 do City. Os números são da Fenabrave, federação que reúne as concessionárias de todo o País.

Paulo Roberto Garbossa, da ADK Automotive lembra que compartilhar a plataforma e o visual também reduzem custos. "Enquanto o Fit tem um visual completamente diferente, o City sedã e hatch são iguais até a coluna B, o que reduz também o custo no desenvolvimento", diz.

Cassio Pagliarini, da Bright Consulting, afirma que o investimento inicial para produzir é menor quando você tem dois carros da mesma família.

"Dentro da conjectura, você adicionar parte da estamparia nova é um adicional menor de investimento do que produzir dois carros totalmente distintos", como seriam os novos Fit e City.

Apelo de mercado reduzido

Além de buscar sinergia de custos e produção com a família City completa por aqui, o Fit perdeu aos poucos, apesar das boas vendas, parte do apelo que ele tinha com o público, de um carro familiar e mais prático.

Os clientes que buscavam minivans ou monovolumes, que é o caso do Fit, para ocupar o espaço de carros familiares se mudaram para o segmento de SUVs compactos ou médios.

Por outro lado, o hatch tem um apelo com um público mais jovem e moderno, que ainda não tem filhos, mas quer utilizar bem o interior. Por isso, a Honda manteve o sistema Magic Seat, que permite modular os bancos para utilizar o espaço com diferentes configurações.

Apesar de a Honda não ter confirmado o fim do WR-V, manter o modelo sozinho, sem o Fit sendo produzido junto, aumenta o custo por unidade. A expectativa é que o modelo siga no mercado até a chegada do novo SUV compacto, baseado no conceito SUV RS, que foi mostrado na Ásia.