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Injustiçados ou só coadjuvantes? 5 bons carros que quase ninguém compra

Lançado no início de 2020, Kia Rio tem alma de Hyundai HB20, boa lista de equipamentos e belo design, mas não decola - Divulgação
Lançado no início de 2020, Kia Rio tem alma de Hyundai HB20, boa lista de equipamentos e belo design, mas não decola Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

05/09/2021 04h00

Existem carros que, apesar das reconhecidas qualidades, pouca gente compra. Vale deixar claro: não estamos falando de modelos extremamente exclusivos e com preços milionários.

As explicações para tal podem incluir fatores individuais ou combinados, como preço pouco competitivo, baixa disponibilidade nas concessionárias, no caso de veículos importados, e foco em vendas diretas - quando a maior parte dos respectivos emplacamentos é proveniente de empresas, sobretudo locadoras de veículos.

Apresentamos a seguir cinco carros que estão bem longe dos líderes nas respectivas categorias. Seriam eles injustiçados pelo consumidor e merecedores de maior vendagem ou apenas coadjuvantes em um mercado cada vez mais competitivo?

Dê sua opinião nos comentários. Os preços sugeridos a seguir são referentes ao Estado de São Paulo.

Kia Rio

Kia Rio - Alessandro Reis/UOL - Alessandro Reis/UOL
Imagem: Alessandro Reis/UOL

Lançado no início de 2020, pouco antes da pandemia do coronavírus, o Kia Rio era aguardado há anos no Brasil. De janeiro a agosto, teve apenas 167 unidades emplacadas segundo a Fenabrave, a federação dos concessionários.

O hatch compacto importado do México traz plataforma e vários outros componentes compartilhados com o Hyundai HB20, incluindo o motor 1.6 flex aspirado de 130 cv e 16,5 kgfm e o câmbio automático de seis marchas - isso tudo com visual menos controverso do que o exibido pelo "irmão" brasileiro, que está entre os carros mais vendidos do País.

Disponível em versão única por R$ 84.990 com pintura sólida, é bem equipado: traz de série rodas de liga leve de 17 polegadas, ar-condicionado digital, central multimídia de sete polegadas com Android Auto e Apple CarPlay, controles de tração e estabilidade, freios a disco nas quatro rodas e até vetorização de torque.

Por ser importado, não tem como rivalizar em volume com o HB20, fabricado em Piracibaba (SP). Contudo, mereceria melhor sorte?

Fiat Uno

Fiat Uno Attractive - Marcos Camargo/UOL - Marcos Camargo/UOL
Imagem: Marcos Camargo/UOL

Com 18.637 emplacamentos de janeiro a agosto e dono do 18º lugar no ranking de carros de passeio, o que o Fiat Uno está fazendo nessa lista?

A resposta é simples: 97,4% do total são relativos a vendas diretas, com faturamento para empresas, enquanto o restante corresponde a emplacamentos em nome de pessoas físicas.

A própria Fiat admite: o Uno já viu dias melhores como opção mais equipada e espaçosa ao subcompacto Mobi, mas hoje se aproxima da aposentadoria e sobrevive da demanda por frotistas - especialmente locadoras de veículos.

Não por acaso, o hatch teve a gama simplificada, hoje restrita à versão Attractive, com preço sugerido de R$ 65.530 com pintura sólida. Essa configuração traz o antigo motor 1.0 Fire Evo Flex de quatro cilindros, capaz de render 75 cv e 9,9 kgfm, com transmissão manual de cinco velocidades - o moderno 1.0 Firefly de três cilindros, mais potente e econômico, deixou de ser disponibilizado ao compacto.

Hoje o Uno traz de fábrica apenas o básico, como direção hidráulica e travas e vidros dianteiros elétricos, enquanto limpador e desembaçador do vidro traseiro são opcionais.

Segundo o colunista de UOL Carros Fernando Calmon, Uno, Doblò e Grand Siena deixam de ser fabricados em 31 de dezembro e saem de linha assim que acabar o estoque.

Honda Accord

Honda Accord - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O Honda Accord é o típico exemplo de carro que é importado em baixíssimos volumes para desempenhar a função de "embaixador" de uma montadora.

Ou seja: seu papel é demonstrar do que a respectiva fabricante é capaz em termos de tecnologia e design, para impulsionar a demanda por modelos mais simples e baratos.

De acordo com a Jato Brasil, de janeiro a julho o sedã executivo teve apenas seis exemplares emplacados, contra 10.538 unidades do Civic no mesmo período.

É bem verdade que houve um hiato nas importações à espera da renovação do Accord, que no mês passado chegou às concessionárias na versão Touring híbrida, hoje oferecida por R$ 310.900.

Mas basta olhar para as vendas em 2020 (56 unidades) para se ter certeza de que a Honda nunca teve a pretensão de vender muitas unidades aqui.

A nova versão traz dois motores elétricos e um 2.0 a gasolina de 145 cv e 17,8 kgfm com câmbio CVT. No modo 100% elétrico, chega a 184 cv e 32,1 kgfm.

Traz de série itens como frenagem autônoma, controle de velocidade de cruzeiro adaptativo, assistente de manutenção de faixa, faróis de LED, teto solar, bancos dianteiros ventilados e ar-condicionado digital de duas zonas.

Kia Cerato

Kia Cerato - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

O sedã médio teve 603 exemplares emplacados de janeiro a agosto, muito menos do que as 28.175 vendas do líder Toyota Corolla no mesmo período.

Trazido do México como o Kia Rio, em tese o Cerato tem bala na agulha para desempenhar bem melhor no mercado brasileiro - ainda que não tenha como se aproximar do volume de concorrentes fabricados aqui, a exemplo do Corolla e do vice-líder Honda Civic.

Lançada no Brasil em setembro de 2019, a atual geração reúne várias qualidades: ficou maior do que as encarnações anteriores, igualando o Toyota na distância entre-eixos (2,70 m) e o superando em capacidade do porta-malas: 520 contra 470 litros. Além disso, tem cinco anos de garantia, como o Rio e o próprio Corolla.

Tem visual arrojado e motor competitivo, com dois litros, 167 cv e 20,6 kgfm, gerenciado pela transmissão automática de seis marchas dotada de quatro modos de condução - equipada com paddle shifts na versão mais cara.

Os preços sugeridos são de 114.990 e R$ 129.990. Na configuração de topo, traz ar-condicionado de duas zonas, bancos dianteiros aquecidos e chave presencial. Sempre vem com seis airbags, mais controles de tração e estabilidade com assistente de partida em rampa.

Volkswagen Voyage

Volkswagen Voyage - Simon Plestenjak/UOL - Simon Plestenjak/UOL
Imagem: Simon Plestenjak/UOL

O sedã compacto da Volkswagen se encaixa na mesma situação do Fiat Uno: é um modelo em fim de ciclo, cujas vendas hoje são predominantemente voltadas a frotistas.

Os 16.808 emplacamentos registrados nos primeiros oito meses de 2021 garantem ao Voyage a 19ª colocação entre os carros de passeio. Contudo, 91,84% desse volume correspondem a vendas diretas - ou seja, muito poucos clientes pessoa física adquiriram o modelo nesse período.

Conforme o colunista Fernando Calmon já informou, a atual geração de Voyage, Gol e Saveiro seguirá em linha até janeiro de 2024 - portanto, o trio sobreviverá por mais de dois anos, provavelmente com alguma atualização.

Mesmo veterano, o Voyage tem qualidades que têm garantido sua sobrevida em uma categoria repleta de rivais mais recentes.

O VW tem hoje duas configurações: 1.0, por R$ 73.350; e 1.6, que sai por R$ 78.350 com transmissão manual e salta para R$ 85.250 com caixa automática de seis marchas. A opção mais barata tem 84 cv, enquanto há duas opções de motor 1.6: com câmbio manual, rende 104 cv e, sem pedal de embreagem, entrega 120 cv.

Independentemente da versão escolhida, deixá-la mais equipada, o que inclui comodidades como chave presencial, rodas de liga leve aro 15, central multimídia e volante multifuncional, exige adquirir um pacote opcional por R$ 6.960.

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