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Mustang Mach 1: aceleramos o arisco esportivo que acaba de chegar ao Brasil

Vitor Matsubara

Colaboração para o UOL, de Mogi-Guaçu (SP)

02/07/2021 11h00

Resumo da notícia

  • Nova versão é anunciada como 'série limitada' a R$ 523.950
  • Cupê ganhou peças de Shelby GT500 para chegar aos 483 cv
  • Ford diz ter vendido 105 unidades desde começo da pré-venda

Foram longas décadas de espera até o Mustang desembarcar por aqui pelas mãos da Ford em 2018. Antes disso, algumas unidades de gerações passadas entraram no país por meio de importadores independentes.

Nestes últimos três anos de mercado brasileiro, a marca calcula que 1.700 unidades foram vendidas. E, se depender da expectativa da Ford, esse número aumentará com a estreia do Mustang Mach 1, que acaba de chegar ao Brasil por salgados R$ 523.950. Ou seja, um aumento de expressivos R$ 24.950 desde o início de sua pré-venda, em abril.

Só que isso não afugentou os clientes. Segundo a Ford, 105 unidades já foram comercializadas.

Quem desembolsou esta pequena fortuna levará para casa uma edição limitada (cuja tiragem não foi divulgada pela Ford) com diversos itens vindos de versões mais badaladas do Mustang. Tudo para proporcionar um melhor desempenho nas pistas.

Melhores ingredientes

Mustang Mach 1 2 - Divulgação - Divulgação
Mach 1 traz peças de versões mais esportivas do Mustang
Imagem: Divulgação

Para chegar ao resultado desejado, a Ford convocou os Mustang Bullitt, GT350 e até o Shelby GT500 - a versão mais potente produzida em série.

Do Bullitt vieram a barra anti-torção e o sistema de indução de ar (chamado de 'Open Air Box'), enquanto o GT350 cedeu coletor de admissão, corpo da borboleta, sistema de arrefecimento do motor e o radiador da transmissão.

Já o GT500 emprestou o difusor traseiro, conjunto de braços e buchas traseiros, sistema de arrefecimento do diferencial traseiro e o escapamento.

O resultado final ficou bem mais agressivo de olhar e prazeroso de dirigir. Com as melhorias, o motor 5.0 V8 ganhou 17 cv, passando de 466 cv para 483 cv. O torque máximo é de 56,7 kgfm.

O sistema de freios traz um conjunto dianteiro da Brembo com discos de 15 polegadas, seis pistões na frente, pinças de alumínio, seis pistões de 36 mm e pastilhas otimizadas para o uso em pistas.

Visual invocado e bem equipado

Mustang Mach 1 2 - Divulgação/Ford - Divulgação/Ford
Design é inspirado no primeiro Mach 1, de 1968
Imagem: Divulgação/Ford

Existem algumas diferenças no design em relação ao Mustang Black Shadow. A frente traz um novo defletor bem pronunciado, cuja inspiração veio do primeiro Mach 1.

De acordo com a Ford, a peça melhora o fluxo de ar, aumenta o resfriamento dos freios e a pressão aerodinâmica em até 25%. Atrás, o extrator de ar veio do Shelby GT500, bem como o escapamento.

Mustang Mach 1 3 - Divulgação/Ford - Divulgação/Ford
Interior tem semelhanças com o Black Shadow
Imagem: Divulgação/Ford

A cabine não mudou muito em relação ao Black Shadow. A diferença mais significativa é uma discreta plaqueta fixada no painel, em frente ao banco do passageiro, com o número do chassi do carro. O acabamento, porém, peca pela grande quantidade de plástico de qualidade mais simples.

Em contrapartida, a lista de equipamentos é interessante. Há itens como oito airbags, painel digital com tela de 12,3 polegadas, central multimídia Sync 3 com sistema de som premium Bang & Olufsen, câmera de ré, alerta de permanência em faixa, sensor de fadiga, alerta de colisão com detecção de pedestres e frenagem autônoma de emergência.

Como anda

Mustang Mach 1 3 - Divulgação/Ford - Divulgação/Ford
Cupê é arisco e demanda cautela na condução
Imagem: Divulgação/Ford

Não existe lugar melhor para explorar o potencial do Mustang Mach 1 do que um autódromo. Afinal de contas, o pony car não é um carro para iniciantes.

Dos sete modos de condução, a maioria deles é voltada para quem gosta de acelerar. Seja qual for sua escolha, recomendo cautela no primeiro contato.

É preciso habilidade para domar os 483 cv do modelo. Foi por isso que a prudência recomendou que eu deixasse todas as assistências ligadas. O Mach 1 é arisco mesmo com todas as assistências eletrônicas ligadas: basta um leve toque no acelerador para o carro sair levemente de traseira.

Frente ao Black Shadow, o Mach 1 parece mais acertado para o uso em pista. Parte dessa mudança acontece por conta da nova calibragem da suspensão Magnaride, cujos sensores realizam a leitura das condições do piso até 1.000 vezes por segundo, de acordo com a Ford.

A fabricante diz que o conjunto reduz a rolagem da carroceria e melhora a aderência nas curvas. A direção tem respostas diretas e precisas, facilitando a vida do aspirante a piloto.

Mais caro que Porsche

Mustang Mach 1 4 - Vitor Matsubara/UOL - Vitor Matsubara/UOL
Série especial custa mais do que Porsche 718 Cayman
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Nosso primeiro contato foi breve e se limitou a algumas voltas no Autódromo Velo Città. Mesmo assim, já deu para notar que o Mustang Mach 1 é um dos melhores superesportivos à venda no país.

Seu único problema está mesmo no preço de R$ 529.950. Além de ser significativamente mais caro do que a versão Black Shadow, ele também ultrapassa alguns modelos com mais "pedigree" no universo da velocidade, como Audi TT RS e Porsche 718 Cayman.

Se isso não te incomoda, aceite meu conselho: compre um Mustang Mach 1 e seja feliz.

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