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Cadê Onix? Por que carro mais vendido não é fabricado há mais de 2 meses

Onix fechou 2020 como carro mais vendido por 6 anos seguidos; com produção parada desde março, poderá perder a coroa - Divulgação
Onix fechou 2020 como carro mais vendido por 6 anos seguidos; com produção parada desde março, poderá perder a coroa Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

08/06/2021 04h00

Carro mais vendido do Brasil por seis anos consecutivos, completados no fim de 2020, o Chevrolet Onix está com seu reinado seriamente ameaçado. Devido à falta de componentes causada pela pandemia, especialmente semicondutores, o hatch e o Onix Plus, variante sedã do compacto, deixaram de ser produzidos em março na fábrica de Gravataí (RS).

Sem previsão oficinal de retomada na produção, o Onix amargou o 12º lugar no ranking de emplacamentos em maio, somando 3.820 unidades - enquanto a Fiat garantiu os três primeiros lugares, com, respectivamente, Argo (10.929), Strada (9.918) e Mobi (7.443 exemplares).

Além disso, a marca italiana está consolidada como líder geral de vendas de automóveis e comerciais leves, com 21,42%, ante 13,5% da terceira colocada General Motors. Para justificar a falta de Onix e Onix Plus nas concessionárias, a GM alega que a dupla é mais dependente de microchips se comparada a outros modelos compactos à venda no Brasil.

De acordo com a General Motors, tanto o hatch quanto o sedã chegam a ter "aproximadamente mil semicondutores e sistemas integrados espalhados por quase 20 módulos", o que corresponde a "até o dobro da quantidade encontrada em outros modelos da mesma categoria".

A fabricante destaca a maior necessidade de semicondutores para operar recursos como o sistema de atendimento remoto OnStar, a conexão 4G com Wi-Fi nativa, o alerta de mudança involuntária de faixa e o sistema de estacionamento semiautônomo - itens disponibilizados nas configurações mais caras e equipadas da linha Onix.

Segundo Carlos Zarlenga, presidente da GM América do Sul, a companhia não pretende simplificar seus produtos, ainda que de forma temporária, para se adaptar à escassez de componentes cruciais de tecnologia.

"Não vamos deixar de oferecer aquilo que nossos clientes mais valorizam em um automóvel nem focar em versões básicas em razão da escassez momentânea de suprimentos, mesmo que isso impacte temporariamente nossa produção".

'Falta de chip não explica longa parada'

Procurada para comentar as afirmações da GM, especificamente em relação à quantidade de chips instalada nos respectivos automóveis, a Fiat preferiu não comentar. Quanto à fabricação do hatch e de outros modelos na unidade de Betim (MG), a empresa diz que "não interrompeu a produção em nenhum momento".

"A Fiat concedeu férias por dez dias em duas oportunidades para pequenos contingentes de trabalhadores, suspendendo a produção em um turno de uma linha em cada ocasião", complementa a companhia.

UOL Carros também pediu a opinião do consultor Flavio Padovan, que acumula passagens por Ford, Volkswagen e Jaguar Land Rover, para saber o que pensa o especialista a respeito da alegação da GM quanto à parada das atividades em Gravataí.

"A Fiat pode até estar se aproveitando da pandemia para oferecer produtos mais adequados ao momento atual, com o objetivo de reconquistar a liderança de mercado que perdeu e se recuperar de perdas generalizadas causadas pelo coronavírus", pontua Padovan, sócio da consultoria MRD Consulting.

No entanto, o consultor afirma que a suposta maior necessidade de chips não explica por si só a longa parada registrada na linha de produção gaúcha.

"A falta de semicondutores é generalizada e, sozinha, não explica o motivo de a General Motors estar há tanto tempo sem produzir a linha Onix. Não acredito que haja tanta diferença hoje quanto ao nível de eletrônica embarcada entre carros compactos. Atualmente, estão todos muito emparelhados", avalia o executivo.

E você, está com dificuldade de encontrar Onix na rede de concessionários? Dê o seu relato na seção de comentários.

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