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Seguro para o carro: 7 dicas para ficar protegido e não cair em roubadas

Getty Images
Imagem: Getty Images

Fernando Miragaya

Colaboração para o UOL

21/04/2021 04h00

Seguro para o carro é algo que deve sempre ser incluído no orçamento na hora de comprar um automóvel, seja ele zero km ou seminovo. Hoje, não só existem diversos tipos de cobertura, como o preço varia muito conforme o perfil do cliente e os serviços oferecidos pela companhia.

Por esta razão, é importante estar ligado em todos os detalhes e aspectos do seguro para o carro. Fique atento sobre em quais tipos de acidentes o automóvel está coberto, valores de franquia e de referência, quais serviços estão incluídos e se os supérfluos são necessários, entre outros.

Sem falar que é possível montar um seguro de acordo com seu perfil de uso do veículo e das necessidades que você tem em caso de resgate ou ausência do carro.

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Coberturas

As companhias costumam ter planos diferentes, mas no geral os seguros para carros são basicamente de dois tipos, parcial ou total. A primeira geralmente contempla roubo, furto e incêndio, enquanto a integral cobre também acidentes.

Ainda tem a cobertura compreensiva, que cobre acidentes naturais, por exemplo, se o seu carro for atingido por uma árvore que caiu após uma ventania. Ou ser danificado por uma enchente.

"Alguns itens são fundamentais observar na contratação do seguro, como os termos da apólice, coberturas, valor da franquia, o que não é coberto e benefícios disponíveis. É importante sempre ler o contrato e esclarecer as dúvidas com o corretor", sugere Jaime Soares, diretor de Automóvel Porto Seguro e Itaú Seguros.

Além disso, não é porque o carro tem uma cobertura total ou compreensiva que você está 100% garantido. Isso porque muitas cláusulas preveem que se o condutor se expuser ao risco, pode ficar sem o seguro do carro.

Olhe lá no contrato porque se o motorista encarar uma enchente por conta própria e a seguradora comprovar, perde o direito ao seguro. O mesmo ocorre se ele deixar o carro debaixo de uma árvore que está condenada pela Defesa Civil, em um exemplo mais extremo.

"É essencial que o cliente saiba que esse tipo de seguro não cobre o que é chamado de 'agravamento de risco', quando o motorista toma uma atitude de passar por um local já alagado e danifica o veículo ou quando força o funcionamento do veículo em uma enchente, causando ainda mais danos, por exemplo", explica Manes Erlichman, sócio-diretor da Minuto Seguros.

Ao mesmo tempo, há planos que vão além da indenização no caso de o carro ser atingido por um alagamento. Muitas companhias oferecem, por exemplo, um serviço de higienização pós-enchente, com a limpeza completa do automóvel.

Também há coberturas especiais para vidros. São itens no contrato que cobrem as avarias em janelas, faróis e lanternas. O serviço pode ser interessante, pois são geralmente reparos de baixo valor e que não compensam ativar a franquia.

Terceiros

Obviamente, detalhes como estes interferem no preço. Quanto mais ampla for a cobertura, maior é a tendência de o valor do seguro do carro aumentar. Mas também de nada adianta economizar e ficar descoberto. Por isso, a gente bate na tecla de conhecer bem o próprio perfil.

Por exemplo, se o motorista costuma dar carona. Ou roda muito por dia. Seria interessante considerar uma cobertura também a terceiros e passageiros, já que é um condutor que está mais tempo na rua, exposto a acidentes, e que costuma andar com o veículo cheio.

"A cobertura de danos a terceiros diz respeito aos prejuízos materiais, além de corporais, recorrentes de acidentes que envolvem terceiros. E para resguardar os passageiros e o motorista do veículo, o seguro auto também deve cobrir danos corporais em razão de acidentes", ressalta Soares.

Franquia

De acordo com o uso, também deve-se pesar o tipo de franquia a escolher, ou seja o quanto você vai ter de "chegar junto" com a companhia em caso de um conserto após uma batida com o automóvel.

O mercado de seguro para carros costuma trabalhar com três modos principais de franquias: reduzida, normal e majorada. Nestes casos, o cliente deve primeiro avaliar o quanto está disposto a pagar pelo reparo em caso de sinistro por colisão.

Aí é o momento de avaliar. Na reduzida, o preço da apólice costuma ficar mais caro, mas você terá de desembolsar menos na hora do conserto. Na outra ponta, a majorada reduz significativamente o custo final do seguro, porém o usuário terá que coçar mais a carteira para fazer o conserto, independentemente da intensidade da colisão.

"Caso o segurado esteja disposto a pagar mais pelo seguro e reduzir a sua participação em um eventual sinistro, pode optar por franquias menores, de 75%, 50% e 25% do valor da franquia obrigatória. Em contrapartida, para clientes que dificilmente sofrem algum sinistro, existe a opção de aumentar a participação entre 125% e até 200%, que podem tornar o prêmio do seguro mais barato", compara Soares, da Porto Seguro e da Itaú Seguros.

Atenção aos supérfluos

Franquias e coberturas são imprescindíveis, mas aqueles serviços extras talvez não sejam tão necessários. E eles podem pesar bastante na hora de contratar o seguro para o carro. Então, passe um pente fino para saber o que realmente é necessário, e o que é dispensável.

Por exemplo, carro extra é uma boa se o motorista é um profissional liberal e depende do veículo para trabalhar diariamente. Aí, o dono do automóvel pode optar pelo veículo reserva em caso de sinistros por de 10 até 30 dias, geralmente.

Mas se o dono usa muito pouco o automóvel, ou se desloca por trajetos curtos e tem fácil acesso ao transporte público, vale ponderar se o carro reserva é tão imprescindível. Isso fará o cliente economizar mais e investir essa grana, de repente, em outros serviços.

O mesmo vale para a "área" da assistência 24 horas e do reboque. Para quem viaja com frequência, é fundamental ter aquele raio acima dos 200 km. Mas se o motorista só vai até a padaria ou ao shopping, o alcance de 100 km pode ser mais do que suficiente no contrato.

Além disso, veja se o seu cartão de crédito ou mesmo seu plano de seguro do imóvel já não oferecem assistência do tipo. O mesmo vale para aqueles serviços para casa (encanador, chaveiro, eletricista etc), que costumam ser incluídos pelas operadoras de cartões ou pelas apólices residenciais.

"O que aconselhamos é que o cliente analise realmente quais serviços são importantes e, assim, não contrate o que não vai usar. Além disso, se o cliente tem dois automóveis e os dois estão segurados, o serviço residencial, por exemplo, não precisa ser contratado nos dois seguros", observa Erlichman.

Qual valor segurar o carro?

A Tabela Fipe, geralmente, é a base para o pagamento dos seguros em caso de sinistro (perda total ou roubo e furto sem recuperação). Mas na hora de assinar o contrato o dono do veículo pode optar pelo valor de referência.

Antes de optar, observe como é a desvalorização do seu veículo ao longo de dois anos. Se for abaixo de 20%, você pode optar por 90% ou 95% da Tabela Fipe, o que pode significar uma apólice mais barata. Agora, se o modelo do seu automóvel tem alta perda ou é equipado com acessórios, é o caso de pensar em um prêmio acima da Fipe.

Manes Erlichman chama ainda a atenção para observar o mercado de seminovos e usados em sites de compra e venda de veículos. Principalmente para ver se não há distorções entre o valor da Tabela Fipe e o preço real do veículo praticado no mercado.

"Neste momento. por exemplo, que estamos com pouca oferta de veículos no mercado, por falta de peças, os preços dos usados subiram bastante e, assim, em muitos casos, o valor de 100% da Fipe não é suficiente para o cliente comprar um novo automóvel caso ele sofra uma perda total", lembra o diretor da Minuto Seguros.

"Por outro lado, se o cliente não consegue arcar com o valor do seguro 100%, ele pode contratar por um valor de referência menor, consciente de que receberá menos no caso de indenização", completa o executivo.

Seguro popular vale a pena?

O chamado seguro popular é indicado para clientes que não têm muita grana ou não estão dispostos a pagarem os custos da apólice tradicional. Mas também — e especialmente — para os proprietários de veículos usados que não têm mais garantia de fábrica.

Este tipo de seguro merece atenção também nos detalhes. Isso porque os contratos geralmente preveem o uso de peças genéricas ou recondicionadas (com exceção dos componentes que envolvam a segurança veicular).

Corretor e pesquisa

Outra dica importante antes de assinar o seguro para o carro é falar com o corretor especializado. Ele é o profissional mais indicado para orientar o dono do veículo de acordo com o perfil dele e para tirar todas as dúvidas do segurado. Ao mesmo tempo, o corretor também costuma estar por dentro de promoções e descontos das companhias.

E antes mesmo de comprar o carro, faça uma simulação do seguro em sites especializados. Basta inserir dados básicos do seu perfil e do veículo para ter uma noção dos valores das apólices. Isso é bom para evitar surpresas com contratos caros depois de o automóvel já ter sido adquirido.