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Covid-19: posso rodar de carro com pessoa vacinada sem estar imunizado?

Não baixe a guarda: pegar táxi ou carro de aplicativo sem máscara após tomar a segunda dose da vacina é proibido e não recomendado por especialistas da área da saúde - Getty Images
Não baixe a guarda: pegar táxi ou carro de aplicativo sem máscara após tomar a segunda dose da vacina é proibido e não recomendado por especialistas da área da saúde
Imagem: Getty Images

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/03/2021 04h00

A vacinação contra a covid-19 ainda está começando no Brasil e hoje está restrita a grupos prioritários, como idosos e profissionais de saúde.

Quem já foi imunizado pode pensar que chegou o momento de relaxar nos cuidados de distanciamento social, como dividir o carro com pessoas não vacinadas sem máscara, na crença de que não há mais risco de ser contaminado - ou de passar o coronavírus adiante.

Para esclarecer a questão, UOL Carros conversou com imunologistas, segundo os quais os protocolos preventivos não mudam no País, mesmo para aqueles que já receberam a segunda dose do imunizante há mais de duas semanas - quando os efeitos da vacina começam, em média.

A recomendação, portanto, é de seguir usando máscara ao compartilhar o veículo com outras pessoas, especialmente em táxis e carros de aplicativo - nos quais o equipamento continua obrigatório, inclusive. O mesmo vale para ambientes públicos.

"Quem tomou uma dose apenas deve se portar como se não tivesse recebido nenhuma imunização. A orientação é de manter estritamente as normas válidas para não vacinados, pois ainda há risco de ser contaminado e de transmitir o vírus", alerta o médico Luciano Goldani, infectologista do Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) e professor de infectologia da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul).

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De acordo com o especialista, mesmo com a segunda dose, o ideal é não baixar a guarda.

"Ainda faltam estudos para verificar se as pessoas nessa situação ainda estão passando o coronavírus adiante. Além disso, a eficácia das vacinas usadas no Brasil não é total, especialmente para os sintomas mais leves", complementa.

Jair Ferreira, professor titular de epidemiologia da UFRGS, faz coro ao colega:

"As vacinas não têm 100% de eficácia. Mesmo uma pessoa vacinada ainda pode contrair a doença. Se ela estiver dividindo o carro, o que é necessário em inúmeras situações familiares ou quando se necessita tomar um táxi ou assemelhado, todos os ocupantes devem usar máscara".

Até o momento, o Brasil utiliza as vacinas CoronaVac e AstraZeneca/Oxford. Pouco mais de 5,5% da população já receberam a primeira dose e menos de 2%, a segunda.

EUA flexibilizam uso de máscara por vacinados

Vacinação drive-thru São Paulo - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo - Divulgação/Governo do Estado de São Paulo
Idoso é vacinado em drive-thru na capital paulista; menos de 2% da população já recebeu 2ª dose no Brasil
Imagem: Divulgação/Governo do Estado de São Paulo

Nos Estados Unidos, onde 17% dos habitantes já foram imunizados, ainda que parcialmente, houve uma pequena flexibilização nas recomendações das autoridades de saúde.

Na segunda-feira passada (15), o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças), órgão do governo dos EUA, autorizou que cidadãos totalmente imunizados possam se reunir sem máscara nem distanciamento social em ambientes fechados - como o interior de automóveis.

Em público, no entanto, a ordem é manter o uso de máscara em espaços públicos e evitar aglomerações, mesmo com duas doses da vacina. Além disso, o CDC alerta pessoas vacinadas a fazer o teste da covid-19 caso desenvolvam sintomas da doença, deixando claro que ainda há risco de contágio.

Os EUA utilizam vacinas diferentes e com percentuais de eficácia diversos ante aquelas aplicadas até agora no Brasil: lá, utiliza-se imunizantes das marcas Moderna, Pfizer/BioNTech e Johnson & Johnson.