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Concessionários reclamam de 'acordos forçados' com a Ford para indenizações

Lyle Watters (à esq.), presidente da Ford América do Sul, e Rogélio Goldfarb, vice-presidente, conduzem negociação para enxugar rede de concessionários - Divulgação
Lyle Watters (à esq.), presidente da Ford América do Sul, e Rogélio Goldfarb, vice-presidente, conduzem negociação para enxugar rede de concessionários
Imagem: Divulgação

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

12/03/2021 16h28

Dois meses após a Ford encerrar a produção de veículos no Brasil, completados hoje, as negociações da montadora para enxugar a respectiva rede continuam em clima tenso. Já existe movimentação de distribuidores para levar o caso à Justiça para cobrar mais de R$ 1,5 bilhão em indenizações.

UOL Carros teve acesso exclusivo à correspondência enviada nesta sexta-feira pela Abradif (Associação Brasileira dos Distribuidores Ford) a Lyle Watters, presidente da Ford América do Sul. No documento, a entidade afirma ter sido excluída das tratativas para reduzir a rede dos atuais 283 representantes autorizados para aproximadamente 120, que passarão a vender apenas modelos importados.

Na carta, a Abradif acusa a oval azul de conduzir as conversas de forma individual e seletiva "com o propósito de asfixiar os concessionários para, então, forçá-los a assinar acordos que envolvam valores que, no máximo, permitem a que eles paguem suas contas emergentes, transferindo para Ford, de forma indireta, parte do patrimônio conquistado por três ou quatro gerações de famílias.

Segundo a entidade, distribuidores menores e localizados longe dos grandes centros urbanos já enfrentam dificuldades para honrar seus custos fixos, incluindo salários, com estoques de Ka e EcoSport quase acabando e as vendas, despencando.

Segundo um distribuidor afirmou à reportagem, sob condição de anonimato, cerca de cinco distribuidores já teriam acertado seu desligamento.

"Como não está conseguindo avançar nas negociações com os grandes grupos, que têm mais condições financeiras para enfrentar uma eventual e longa disputa judicial, a Ford mudou a estratégia e passou a focar concessionários de menor porte para dar sequência às suas operações no Brasil, pagando indenizações mais baixas e que ferem a legislação".

Projetando uma queda de até 90% do faturamento com a nova Ford, que passará a oferecer uma gama 100% importada e com pelo menos o triplo do tíquete médio atual, a Abradif alega quebra de contrato e pede desligamento imediato de todos os distribuidores antes de recontratar os remanescentes.

Além do R$ 1,5 bilhão citado acima, a associação também exige a devolução de R$ 200 milhões do FAV, o Programa de Aquisição de Veículos Ford.

O fundo serve para bancar a compra de veículos da companhia pelos respectivos distribuidores para posterior revenda ao consumidor, sem a necessidade de se recorrer a uma linha de crédito e proporcionando subsídio parcial de IOF e a não incidência de juros.

A Ford, por sua vez, negocia individualmente e pretende ressarcir apenas aqueles que deixarem a bandeira. Em relação às tratativas, a fabricante informa que "continua em processo de negociação individual com os distribuidores da marca e essas negociações têm progredido".