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Carros autônomos levando drogas? Por que uso em crimes não é tão simples

Sensores em carro autônomo - Getty Images
Sensores em carro autônomo Imagem: Getty Images

Do UOL

Em São Paulo (SP)

27/01/2021 13h34

Carros de direção totalmente autônoma ainda estão longe de chegarem ao mercado e de serem popularizados. No entanto, o exercício de imaginar este cenário no futuro faz muitos acreditarem que a tecnologia poderá ser utilizada no mundo do crime.

Tráfico de drogas e outras atividades criminosas poderão encontrar auxílio no mercado de veículos inteligentes. Porém, de acordo com uma reportagem da revista Car & Driver, estes recursos deverão ser explorados ao longo do tempo, mas não será tão fácil como imaginam alguns.

A preocupação nasceu de uma entrevista dada pelo irmão do falecido traficante Pablo Escobar ao jornal Metro do Reino Unido. Ele disse que rotineiramente o Tesla Autopilot é utilizado na América do Sul para entregar drogas ilegais sem ninguém ao volante.

"Eu ouvi que muitas pessoas usam, especialmente em países da América do Sul, e que muitas pessoas podem hackear os sistemas hoje em dia também para torná-los do jeito que querem", disse ele, sem fornecer nenhuma evidência.

A teoria de utilizar veículos inteligentes para o crime está no fato de que pessoas são falíveis e podem não ser de confiança. Assim, tirando o elemento humano, menor o risco de ser pego. Entretanto, muitos acreditam que robôs podem ser ainda piores que pessoas na hora de delatar.

"Esses veículos anônimos saberão de onde estão vindo e para onde estão indo", disse Robert Leale, presidente da CanBusHack e co-fundador da Car Hacking Village, à Car & Driver. Ele completa dizendo que este tipo de veículo deixa uma "migalha de pão digital" em todos os lugares que vai.

Enquanto um criminoso pode pensar duas vezes antes de falar com a polícia se for pego, um carro autônomo "não se importa se isso te delata", disse Leale.

Além disso, sensores do carro podem ser rastreados assim como sinais de celular. Câmeras dentro e fora dos carros poderão ser acessadas, podendo servir de prova contra quem utilizar os veículos de maneira ilegal. Leale diz que "a quantidade de trabalho necessária para contornar todos esses sistemas supera em muito os benefícios, mas isso não quer dizer que não vá acontecer".

Ataques direcionados contra veículos de indivíduos ainda são uma possibilidade, e ajustar o software de um veículo autônomo para fazer coisas como dirigir pelo deserto ou outro ambiente onde o rastreamento é difícil é uma possibilidade. Mas vai exigir muito trabalho e, como qualquer exploração em um sistema, uma vez descoberto, será consertado pelos pesquisadores de segurança que trabalham para montadoras, fornecedores e empresas de caronas.

Outra questão são funcionários com acesso privilegiados a estes sistemas, que podem usá-los para ganho próprio ou para perseguir pessoas.

De qualquer modo, a tecnologia autônoma muito provavelmente será utilizada para o crime. No entanto, ela não será melhor e poderá até ser pior do que cometer crimes com pessoas.