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Carros clássicos ganham versões feitas com Durepoxi e esmalte de unha

Réplica de Aero Willys 2600 1966 vermelho é um exemplo do trabalho 100% artesanal de Sávio Barbosa, morador de Unaí (MG) - Arquivo Pessoal
Réplica de Aero Willys 2600 1966 vermelho é um exemplo do trabalho 100% artesanal de Sávio Barbosa, morador de Unaí (MG) Imagem: Arquivo Pessoal

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

31/12/2020 04h00

Apesar da pouca idade, o estudante Sávio Rocha Barbosa, de 23 anos, é fã de carros antigos brasileiros das décadas de 60 e 70. Tanto que, sem dinheiro para adquirir um exemplar de verdade, ele se dedica a construir miniaturas de modelos clássicos como Aero Willys, Simca Chambord e Ford Corcel.

Feitos a mão com epóxi, massa plástica e esmalte de unha, os carros em escala 1:18 têm chamado a atenção de colecionadores de automóveis de verdade, que ele segue nas redes sociais.

A riqueza de detalhes das réplicas, a proporção correta e a dedicação para construí-las mesmo com falta de recursos financeiros e equipamentos rendeu amizade com alguns antigomobilistas e até "estágio" em oficina mecânica - realizado em 2018, no interior paulista, para aprimorar sua técnica.

Sem muito tempo disponível e com recursos escassos, Barbosa aproveita as horas vagas entre as aulas do curso universitário de artes visuais e o trabalho em uma empresa de alarmes residenciais para ampliar sua coleção - formada atualmente por cerca de 50 exemplares - e presentear amigos.

Miniatura Durepoxi Chevrolet C-1416 1966 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Miniatura do Chevrolet C-1416 1966, precursor da Veraneio; cada réplica fica pronta em até 3 meses
Imagem: Arquivo pessoal

Morador de Unaí, cidade com cerca de 85 mil habitantes do interior de Minas Gerais, o jovem espera se formar no ano que vem e tem planos de começar a vender as miniaturas e ganhar dinheiro com seu trabalho artesanal, que começou a desenvolver por volta dos 11 anos de idade.

"Desde bem pequeno, já brincava com massa de modelar, além de desenhar. Com o tempo, fiquei interessado por carros antigos e juntei a fome com a vontade de comer, pois minha família não tinha dinheiro para comprar miniaturas. O jeito foi eu mesmo fazê-las. A primeira que construí, em escala 1:43, foi de um VW Fusca conversível", relata Barbosa a UOL Carros.

O interesse por carros nacionais antigos que busca reproduzir com detalhes veio da família, especialmente do lado paterno. Seu bisavô, diz, foi o primeiro mecânico da cidade e sua avó é sócia de uma loja de veículos.

Miniatura Durepoxi Simca Chambord Tufão 1965 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Simca Chambord Tufão 1965 que pertenceu ao bisavô de Barbosa também ganhou miniatura
Imagem: Arquivo pessoal

Quatro réplicas que construiu, aliás, são de carros que pertenceram ao bisavô por parte de pai: Simca Chambord Tufão 1965, Aero Willys 1962 e 1966 e Ford Galaxie LTD 1969.

"Também fiz miniatura de um Ford Corcel GT 1973 que foi de um tio materno já falecido. A intenção era presentear meu avô, como recordação do filho, mas ele também faleceu, no ano passado. Hoje guardo com carinho na minha estante".

Como as miniaturas são feitas

Miniatura Durepoxi coleção Sávio Rocha Barbosa - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Sávio Barbosa com sua coleção de quase 50 réplicas feitas com suas próprias mãos; hobby começou cedo
Imagem: Arquivo pessoal

Sávio Barbosa não utiliza nenhuma ferramenta especial nem programas de computador para construir as réplicas: apenas as próprias mãos, régua, palito de dente, esmalte de unha, tesoura, papel de seda, lápis ou caneta e cartolina, que serve para fazer os moldes.

Como referência para obter as proporções corretas, relata, ele utiliza fichas técnicas trazendo as medidas gerais, como altura, comprimento, largura e distância entre-eixos. Com o auxílio de uma calculadora, ele, então, converte as dimensões originais para a escala 1:18 e usa a régua para produzir os moldes.

Miniatura Durepoxi Volkswagen Passat LS 4M 1978 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Raro VW Passat LM, com apenas mil unidades fabricadas, também virou miniatura pelas mãos de Sávio
Imagem: Arquivo pessoal

Fotos dos carros em sites e revistas também auxiliam, e muito, no processo.

Os modelos escolhidos sempre são bem específicos, obedecendo características como ano de fabricação e versão de acabamento.

"Começo pelo assoalho, incluindo o escapamento e as suspensões. A partir dele, construo o interior, buscando reproduzir detalhes como painel, console, bancos, câmbio e pedais. Daí parto para a lateral esquerda e depois inverto o molde com ajuda de papel de seda para fazer o outro lado, moldando toda a carroceria até o teto. Os vidros são de garrafa PET".

O acabamento das superfícies é realizado com massa plástica de preenchimento, como em automóveis de verdade.

Miniatura Durepoxi Aero Willys 1962 - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Miniatura de Aero Willys 1962 que pertenceu ao bisavô e depois foi repassado à avó paterna de Barbosa
Imagem: Arquivo pessoal

Segundo ele, com bastante tempo disponível, cada miniatura leva cerca de um mês para ficar concluída. Atualmente, devido ao fato de dividir sua rotina entre o emprego e a faculdade, são necessários de dois a três meses para terminar cada projeto, estima.

"Minha ideia é concluir o curso universitário e, quem sabe, conseguir emprego na minha área. Paralelamente, penso em fazer um site ou abrir perfil no Instagram para vender as miniaturas. Dependendo da procura, poderei priorizá-las".