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Paraíso dos Mustangs: coleção inspirada em Corcel 1971 reúne joias

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

21/11/2020 04h00

Marcelo Simionato tem 55 anos, quase a mesma idade do Ford Mustang, lançado em 1964. Ainda na infância, em Assis (SP), ele descobriu sua paixão por carros e guarda com carinho as memórias do Corcel 1971 que pertenceu a seu pai.

Foi nesse Corcel que ele, hoje empresário, aprendeu a dirigir. O carro também despertou o sonho de ter um Mustang, plenamente realizado: atualmente, Simionato tem seis exemplares do esportivo norte-americano, alguns extremamente raros e todos 100% originais.

"Lá no começo da década de 1970, ouvíamos em casa a música "Mustang Cor de Sangue", do Marcos Valle. Meu pai costumava brincar, dizendo que não tinha o carro da canção, mas era dono de um belo Corcel vermelho com faixas pretas".

Ford Mustang coleção Marcelo Simionato - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Simionato posa com alguns dos seus Mustangs; GT preto 2012 ao fundo foi seu 1º Mustang, já vendido
Imagem: Arquivo pessoal

O velho Corcel já não está mais com a família, mas serviu para inspirar sua coleção de joias, iniciada em 2011. A aquisição mais recente é um Mustang GT vermelho da atual geração, que ele adquiriu em 2018, quando finalmente a Ford começou a importar de forma oficial o muscle car.

Na época, alguns dos carros do empresário foram cedidos para exposição no evento de lançamento promovido pela Ford na capital paulista, que nem a montadora possui em seu acervo no País.

Da sua coleção, os preferidos são os dois mais raros e valiosos - Simionato prefere não falar em preços.

Ford Mustang coleção Marcelo Simionato Shelby - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
O Shelby 5.8 2014 do empresário é um dos mais raros da coleção; segundo ele, é o único do Brasil
Imagem: Arquivo pessoal

O primeiro é a edição especial do Shelby SVT 2013/2014, adquirido no ano passado de outro colecionador. Vermelho com faixas pretas, como o Corcel do pai, traz motor 5.8 supercharged de 750 cv.

"De acordo com os registros dos clubes de Mustang, esse Shelby é o único no Brasil. Teve apenas 1,4 mil exemplares fabricados e foi a última fornada produzida sob a supervisão do Carroll Shelby [famoso preparador] antes de ele morrer, em 2012. Traz teto de cristal e é um carro de corrida", conta, orgulhoso.

O outro Mustang que ele reputa ter apenas um exemplar no País é o Fastback 1968 preto com faixas vermelhas que mandou trazer dos Estados Unidos.

Ford Mustang coleção Marcelo Simionato - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Mustang Fastback 1968 é outro xodó do colecionador: 'único no País com pintura preta e faixas vermelhas'
Imagem: Arquivo pessoal

Simionato afirma que levou cerca de sete anos pesquisando na internet até encontrar o carro, cuja carroceria aparece no filme "Bullit" (1968), estrelado por Steve McQueen.

"Só tem um no Brasil com essa cor. O veículo estava com a mesma família desde zero-quilômetro. Para mim, tem a traseira mais bonita de todas as versões e gerações. É o mais caro de todos da coleção".

O Fastback traz motor 302 V8, carburador com corpo quádruplo, escapamento traseiro duplo, câmbio automático e interior vermelho.

Marcelo tem, ainda, um conversível verde-claro 1968 com 68 mil km originais, um Hard Top Grandé vermelho 1969 e um GT SVT 1995 prata conversível - representando algumas das variações mais emblemáticas nos quase 60 anos de história do esportivo.

Todos os Mustang clássicos com mais de 30 anos de fabricação trazem placa preta e estão guardados na garagem de casa, na Região Metropolitana de São Paulo.

Coleção ainda não está completa

Ford Mustang coleção Marcelo Simionato - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Conversível verde-claro 1968 tem 68 mil km originais: 'sou o segundo dono', diz empresário
Imagem: Arquivo pessoal

A garagem, aliás, foi convertida em uma espécie de santuário, que traz, além dos carros, pôsteres, miniaturas, peças e outros itens cuidadosamente reunidos em "homenagem" ao modelo.

Simionato nem pensa em vender os carrões e a maioria deles, especialmente os mais antigos, ele dirige apenas durante alguns finais de semana. No dia a dia, ele utiliza outros carros e o seu Mustang 2018.

Quanto à manutenção dos clássicos, sempre que necessário ele importa as peças necessárias dos Estados Unidos e conta com um mecânico especializado em carburadores, que ele chama de "personal carburetor tabajara".

O empresário diz que, atualmente, por conta do dólar alto, está "proibitivo" importar mais carros, mas sua coleção ainda não está completa.

"Quero comprar mais um, pelo menos. Estou em dúvida entre Mach 1 1972 ou 1973 e Shelby da nova geração, 2020".