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O manual ensina: 5 hábitos que você deve abandonar na condução de veículos

Manual do proprietário traz recomendações de segurança e uso que não devem ser ignoradas quando o carro está em movimento - Thais Roland/UOL
Manual do proprietário traz recomendações de segurança e uso que não devem ser ignoradas quando o carro está em movimento Imagem: Thais Roland/UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

07/09/2020 04h00

Poucos se dão ao trabalho de ler o manual do proprietário ao adquirir um veículo, seja ele usado, seminovo ou zero-quilômetro.

Porém, vale a pena investir algum tempo para verificar as orientações contidas nele, que tratam de aspectos fundamentais como uso de equipamentos, manutenção, segurança e garantia.

Atualmente, as montadoras disponibilizam não apenas o manual físico em papel, como também a versão digital - que pode ser baixada dos respectivos sites.

Dependendo da marca e do modelo, a consulta está disponível diretamente na central multimídia do carro, organizada por categorias.

A condução do veículo é um exemplo.

Todo manual traz uma série de alertas sobre hábitos que devem ser evitados enquanto o carro está em movimento.

Não é por acaso que esses avisos geralmente vêm acompanhados do símbolo de um triângulo com um ponto de exclamação dentro dele.

Muitos trazem, ainda, a palavra "nunca" em caixa alta - para reforçar sua relevância.

Veja cinco hábitos errados que estão nos manuais.

1 - Colocar os pés sobre o painel

Direção Legal: pés no painel - Reprodução - Reprodução
Costume de colocar os pés sobre o painel traz risco de lesões graves, sobretudo se carro tiver airbags
Imagem: Reprodução

Esse é um costume bastante comum, capaz de causar lesões graves em caso de colisão.

Se o carro for equipado com airbags frontais, obrigatórios em carros novos desde 2014, o risco é multiplicado: a força e a rapidez com as quais a bolsa é inflada podem provocar uma fratura severa nas pernas.

Por essa razão, todo o manual do proprietário salienta que os locais de deflagração dos airbags, sejam frontais ou de outro tipo, nunca podem estar obstruídos - seja pelo próprio corpo ou por qualquer objeto.

Essas áreas são demarcadas pela palavra "airbag".

"Manter sempre os pés na área para os pés durante a condução. Nunca colocar os pés, por exemplo, sobre o assento ou sobre o painel de instrumentos e nunca mantê-los para fora do veículo. Do contrário, o airbag e o cinto de segurança podem não proteger, aumentando o risco de ferimentos em um acidente", informa o manual do Volkswagen Nivus.

O manual do Renault Sandero faz outra orientação, específica para o motorista:

"Nunca cubra a almofada do volante e nunca fixe qualquer objeto [mola, logotipo, relógio, suporte de telefone celular, etc] sobre a almofada".

2 - Reclinar demais o encosto com cinto afivelado

Dener morreu em acidente de carro na Lagoa Rodrigo de Freitas, no Rio de Janeiro, em 1994 - Reprodução - Reprodução
Jogador morreu em 1994 ao estar com encosto totalmente reclinado no momento de batida
Imagem: Reprodução

Em 1994, o jogador de futebol Dener, então contratado pelo Vasco, morreu no Rio de Janeiro quando seu Mitsubishi Eclipse bateu a cerca de 60 km/h em uma árvore.

Apesar da velocidade relativamente baixa, o atleta morreu instantaneamente. Ele estava dormindo no banco dianteiro do passageiro, com o encosto totalmente reclinado.

Toda a força do impacto foi transferida para o pescoço de Dener, que estava coberto pelo cinto.

Os manuais trazem esse alerta.

"Nunca inclinar o encosto do banco muito para trás", ensina o manual do Nivus.

"Nunca viaje com um encosto reclinado quando o veículo estiver em movimento", faz coro o livreto que acompanha o Hyundai HB20.

Da mesma forma, o encosto dianteiro não pode ficar excessivamente perto do painel, de forma a permitir o enchimento correto dos airbags frontais.

A bolsa nunca deve atingir o corpo enquanto ela é inflada; o esperado é que ela amorteça o impacto apenas no momento em que já está esvaziando.

"Não dirija em uma posição muito próxima ao volante: adote uma posição de condução com os braços ligeiramente dobrados. Nesta posição é assegurado um espaço suficiente para um correto enchimento do airbag", indica o manual do Sandero.

3 - Cadeirinha no banco da frente com airbag ativo

airbag desativado criança cadeirinha bebê conforto banco dianteiro - Reprodução - Reprodução
Ideal é levar criança pequena no banco de trás; na frente, deve-se desligar airbag
Imagem: Reprodução

A legislação de trânsito proíbe o transporte de crianças com idade inferior a dez anos no banco da frente.

É aberta exceção no caso de veículos equipados apenas com dois assentos, "com o uso do dispositivo de retenção adequado ao seu peso e altura", conforme determina a Resolução 277/2008 do Contran (Conselho Nacional de Trânsito).

A mesma resolução diz: "salvo instruções específicas do fabricante do veículo, o banco do passageiro dotado de airbag deverá ser ajustado em sua última posição de recuo, quando ocorrer o transporte de crianças neste banco".

Nesses casos, as montadoras orientam a usar esse assento apenas se houver a possibilidade de desativar temporariamente o airbag.

Isso acontece porque a força e a velocidade de ativação da bolsa podem causar ferimentos fatais em passageiros com tão pouca idade.

"Não coloque um sistema de proteção infantil voltado para trás no banco equipado com airbag. Se for inevitável a instalação de um sistema de proteção infantil voltado para trás no banco do passageiro dianteiro, você deve desativar manualmente o sistema de airbag do passageiro dianteiro, usando a chave", informa o manual do Honda Fit.

Existe uma luz de alerta informando se o airbag foi efetivamente desativado.

Crianças com idade inferior a um ano, estabelece a resolução, devem ser levadas no dispositivo chamado "bebê conforto", no qual elas ficam posicionadas no sentido contrário ao de marcha do automóvel.

4 - Tirar o pé do freio quando o ABS é ativado

Pé do motorista sobre o pedal do freio do automóvel - Foto: Shutterstock - Foto: Shutterstock
Sistema ABS vibra ao ser acionado e isso é algo natural; nunca tire o pé do freio nesse momento
Imagem: Foto: Shutterstock

Item obrigatório em carros novos desde 2014, juntamente com os airbags frontais, o ABS previne o travamento total das rodas em caso de frenagem brusca, ajudando a evitar seu respectivo deslizamento.

Quando o ABS é ativado, sente-se uma vibração no pedal do freio, que é normal. Quem ainda não está acostumado, associa o efeito a algum problema e tende a aliviar o pé ou "bombear" o freio.

Esse é outro hábito errado, pois torna ineficaz o recurso de segurança.

"Você nunca deverá bombear o pedal do freio. Deixe o ABS trabalhar por você, mantendo uma pressão firme e constante no pedal", ensina o manual do Fit.

"O sistema ABS quando ativado provoca vibrações. Essas vibrações são normais e ao senti-las, prossiga normalmente com o procedimento de frenagem. Não alivie a pressão no pedal caso sinta vibração, a menos que tenha a intenção de reduzir ou mesmo abortar a frenagem", complementa o livreto.

5 - Rodar sempre com o motor frio

Fiat Strada 2021 motor 1.3 Firefly - Divulgação - Divulgação
Motor precisa atingir temperatura de funcionamento ideal para receber lubrificação adequada
Imagem: Divulgação

Essa orientação está relacionada com a durabilidade dos componentes do motor e da transmissão.

O motor precisa atingir determinada temperatura para o calor expandir os componentes internos e, assim, proporcionar condições ideais de funcionamento e lubrificação.

Usar o carro continuamente em deslocamentos muito curtos, insuficientes para se atingir a temperatura correta, acelera o desgaste e eleva o consumo de combustível.

"Dirigir durante menos de 15 minutos nem esquenta o óleo do motor, impossibilitando a lubrificação adequada. Tem carro com baixa quilometragem que apresenta mais desgaste na comparação com um exemplar mais rodado, que no entanto funciona a maior parte do tempo na temperatura ideal", destaca o engenheiro Erwin Franieck, mentor de tecnologia e inovação em engenharia avançada da SAE Brasil.

O manual do Sandero deixa isso claro:

"Evite a utilização 'porta a porta, (percursos curtos com paradas prolongadas), pois o motor nunca chega a alcançar uma temperatura ideal de funcionamento", alerta o documento.

Outro hábito que os manuais ensinam a evitar é ignorar o tempo de "amaciamento" do propulsor.

Hoje, muitos proprietários de veículos novos simplesmente desconhecem a prática ou pensam que é coisa do passado.

Porém, o "amaciamento" ainda é essencial para prolongar a vida útil do motor - e também para que ele atinja o desempenho e o consumo de óleo lubrificante e combustível para o qual foi projetado.

"Seguindo algumas poucas preocupações simples para os [primeiros] 1.000 km, você pode acrescentar economia e maior vida útil ao veículo, além do desempenho", aponta o manual do HB20".

"Não force o motor; Ao dirigir, mantenha a rotação do motor entre 2.000 e 4.000 rpm; não mantenha velocidades constantes por longos períodos, tanto baixas como altas", orienta o livreto do hatch compacto.

A fabricante também recomenda não rebocar trailer durante os primeiros 2.000 km de funcionamento.

As quilometragens e os procedimentos podem variar de acordo com a marca e o modelo de automóvel.