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Brasil 'precisa parar de ser o país do futuro', diz presidente da Anfavea

Anfavea acredita que indústria não vai retomar ritmo de produção pré-pandemia - Divulgação
Anfavea acredita que indústria não vai retomar ritmo de produção pré-pandemia
Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

07/07/2020 15h33

Resumo da notícia

  • Luiz Carlos Moraes admite dificuldades em conseguir investimentos com crise no país
  • Executivo cobra medidas do governo para salvar economia e impedir crise duradoura
  • Associação acredita que montadoras devem produzir máximo de 150 mil carros/mês

O presidente da Anfavea (Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores), Luiz Carlos Moraes, admitiu que a crise dificulta a realização de investimentos na indústria brasileira e pediu que os governantes tomem providências para movimentar a economia do Brasil.

"Nas empresas sempre é feito uma conta: 'se eu não gastar nada quanto terei de retorno e quanto terei de retorno se eu investir X'. Então o governo precisará fazer isso. Talvez se ele (governo) reservar um determinado valor para a sociedade reduzindo a carga tributária ele provoque uma recuperação que traga emprego e estimule a economia. Para mim isso não seria um incentivo no sentido pejorativo, e sim uma forma de dar um tranco na economia e trazê-la para um novo patamar. Se não vamos esticar cinco anos sangrando e gastando muito dinheiro com desemprego e todas as consequências sociais", previu.

Perguntado se existe risco de alguma montadora deixar o mercado brasileiro nos próximos anos, o executivo afirmou que o Brasil "precisa parar de ser o país do futuro para ser concretamente o país que vai crescer".

"É difícil responder isso como presidente de uma associação, mas é difícil defender o país na questão do Custo Brasil e diante da demora nas reformas, que sempre são adiadas e demoram demais. Ou seja, é difícil pedir dinheiro lá fora (para as matrizes). A lição de casa para essa pandemia ficou mais evidente, porque a gente sofre muito mais em uma crise dessa magnitude. Não tem saúde, não tem saneamento básico. Tudo é difícil de ser explicado para as matrizes, e isso dificulta a decisão de aportar mais investimentos no Brasil", ponderou.

O executivo manifestou preocupação com vários fornecedores da cadeia automotiva.

"Os fornecedores já estão sofrendo, então esse risco (de quebrar) já existe agora. É por isso que briguei muito sobre crédito, pelas montadoras e principalmente pela rede de fornecedores. Tenho falado com alguns deles, então é difícil ter uma queda de receita tão grande com retorno tão baixo e taxas de juros muito altas".

O presidente da associação afirmou que dificilmente a indústria voltará ao ritmo de produção visto antes da pandemia.

"A produção ainda não voltou ao ritmo pré-pandemia por não haver mercado para isso. As empresas estão voltando, em sua maioria, em um turno e com velocidade menor por conta dos protocolos de saúde. O ritmo é diferente, precisa tomar mais cuidado. Algumas voltaram com dois turnos para promover o distanciamento social e não por conta da demanda. Então as empresas estão olhando o estoque da rede e a segurança dos funcionários para calibrar a velocidade da linha. Na minha previsão deve voltar a 150 mil unidades por mês para atingir o volume de 1,63 milhão estimado para este ano".

Assim, Luiz Carlos disse que a expectativa da Anfavea é de fechar o ano com estoques normalizados.

"A tendência é diminuir o estoque e voltar a ser 30, 45 dias porque não vai ficar produzindo e tomando capital de giro em momento de falta de recurso. Então nossa previsão leva isso em consideração, chegando a um estoque de 30 a 45 dias na virada de 2020 para 2021".