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Vendas sobem 113,6% em junho; Anfavea estima retomada do setor só em 2025

Apesar de alta nos emplacamentos, resultado ainda é negativo, segundo Anfavea - Vitor Matsubara/UOL
Apesar de alta nos emplacamentos, resultado ainda é negativo, segundo Anfavea
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

06/07/2020 10h44

Resumo da notícia

  • Alta se deu por represamento das vendas em mês de retomada das atividades
  • Resultado ainda é ruim, com queda de 40,5% frente a junho de 2019
  • Anfavea estima que, com alta de 11% ao ano, setor deve se recuperar apenas em 2025

As vendas de automóveis de passeio tiveram alta de 113,6% em junho deste ano. Foram 132,8 mil unidades emplacadas no mês passado, segundo números divulgados hoje (6) pela Anfavea.

Apesar do crescimento em relação a maio, o resultado ainda não representa uma recuperação do setor. Isso porque existe uma queda de 40,5% frente a junho de 2019.

No ranking de emplacamentos por estado, São Paulo apresentou a menor queda entre todos os estados, com 18,1%.

Diante dos números, o presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, projeta fechar 2020 abaixo dos 2 milhões de automóveis comercializados.

"Estávamos em um crescimento gradativo até chegar a quase 2,8 milhões em 2019. Por conta da pandemia que pegou o mundo, e por outras razões como o desemprego e o impacto no PIB, estimamos que, neste ano, vamos ter 1,67 milhão de unidades emplacadas".

A entidade admite que a pandemia dificulta realizar uma previsão mais precisa, mas estima que o volume mensal de vendas pode se normalizar a partir de setembro.

Questionado sobre a possibilidade de aumento do desemprego na indústria, Luiz Carlos afirmou que a manutenção dos empregos está atrelada à recuperação da economia.

"A gente vê com preocupação a questão do emprego. A Medida (Provisória) 936 (que permite a redução de salários e a suspensão de contratos de trabalho) é uma ferramenta muito boa, mas temporária. A gente precisa da retomada da economia e, se isso não acontecer, temos dificuldades de manter os empregos. Grande parte das montadoras tem acordo com seus sindicatos até outubro ou novembro, mas existe risco, sim", admitiu.

Recuperação só em 2025

Fazendo uma projeção da indústria para o futuro, Luiz Carlos afirma que a indústria deve retomar o volume do ano passado apenas dentro de cinco anos.

"Levando em consideração o volume da crise de 2015, se a recuperação seguir o mesmo ritmo de 11% ao ano (apresentado naquela ocasião), a indústria automobilística do Brasil voltará ao patamar de 2019 apenas em 2025".

Nesse ritmo, as montadoras deixariam de vender 3,5 milhões de automóveis no prazo de cinco anos.