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Trovão Azul Opressor: conheça a história do Maverick que encantou Bolsonaro

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/06/2020 04h00

Apelidado como "Trovão Azul Opressor" pelo seu dono, um Ford Maverick GT 1974 rebaixado já encantou o presidente Jair Bolsonaro, apareceu como figurante no filme "Velozes e Furiosos 5" (2011) e também foi utilizado em produções da TV Globo.

Fabiano Mendes, de 42 anos, mais conhecido como Fabiano Cigano, conta que seu cupê azul Regata ganhou o apelido em 2014, quando o veterinário conheceu Bolsonaro pessoalmente durante uma exposição de carros antigos no Musal (Museu Aeroespacial), na capital fluminense - cidade onde Cigano mora e que é o berço político do atual presidente da República.

"Voto no Jair Bolsonaro desde quando tirei o título de eleitor. Lembro dele entregando panfletos de campanha próximo à Central do Brasil, na Região Central do Rio de Janeiro. Em 2014, ele já começava a dar entrevistas e aparecer mais na mídia, sinalizando que iria se candidatar à Presidência", relembra.

Quatro anos atrás, amigos avisaram Cigano de que Bolsonaro estaria no museu e ele não perdeu a chance de ver o ídolo, cujas ideias diz compartilhar.

Trovão Azul Opressor Ford Maverick GT 1974 Jair Bolsonaro logotipo - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Cigano apelidou seu Maverick de Trovão Azul Opressor, em referência a Jair Bolsonaro
Imagem: Arquivo pessoal

"Cheguei perto dele e disse para não se assustar com minha aparência de roqueiro, pois sou barbudo e cabeludo. Foi então que o convidei para conhecer meu Maverick. Muito acessível, ele concordou e eu disse: 'você é meu futuro futuro presidente'. O Bolsonaro só disse que estava pensando em se candidatar. Na época, muitos achavam que era piada".

De acordo com Cigano, o político alisou a pintura e elogiou o carro, que considerou "muito bonito", antes de posar para as fotos - que viralizaram nas redes sociais logo após o veterinário publicá-las.

"Eu já chamava meu Maverick de 'Trovão Azul'. Foi então que eu agreguei a palavra 'opressor'. Foi uma brincadeira, por que ele é de direita, como eu", conta.

O termo é alusivo a um perfil no Facebook favorável a Jair Bolsonaro, eleito presidente em 2018 após quase três décadas de mandato como deputado federal.

'Queria pintar de vermelho'

Trovão azul três quartos - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
Esportivo nacional foi adquirido e restaurado há cerca de 15 anos, diz proprietário
Imagem: Arquivo pessoal

Deixando opiniões e escolhas políticas de lado, Fabiano Cigano diz que é um apaixonado pelo Maverick, um clássico da Ford da década de 1970, desde muito jovem.

Foi em 2006, perto de completar 28 anos e pouco depois da morte da primeira mulher, que Cigano realizou o sonho.

"Eu e meu pai fomos para São Paulo com o objetivo de comprar um Maverick amarelo, equipado com motor de seis cilindros. Trouxemos o carro ao Rio para reformá-lo. Porém, pouco tempo depois minha mãe viu um modelo azul V8 no Méier [bairro da Zona Norte], perto da nossa casa".

Ele foi conferir aquele que se tornaria o "Trovão Azul Opressor".

"Quando eu pisei de leve no acelerador, só com a ponta do pé, o Maverick deu um cavalo de pau. Dirigi meu primeiro V8 e foi amor à primeira vista. Vendi o amarelo e comprei o azul".

Depois de fechar negócio, Cigano se juntou a um fã-clube do esportivo e conheceu Cláudio Spiller, que se tornou uma referência pessoal no que se refere ao modelo da Ford.

"O Spiller, que faleceu neste ano, foi o primeiro brasileiro premiado pela Ford por customizar Maverick. Foi ele quem me aconselhou a preservar a pintura azul Regata original, lembrando que ela é rara até nos Estados Unidos. Minha ideia original era pintá-lo de vermelho", pontua.

A reforma foi feita, seguindo os conselhos do mentor. Parte da lataria que estava enferrujada foi reparada, a pintura queimada pelo sol, refeita, e a suspensão, rebaixada. As rodas de 14 polegadas que vieram com o cupê permaneceram, enquanto o motor de 300 cv, aferidos no dinamômetro, apenas recebeu alterações no cabeçote.

Aparições na Globo e no cinema

Trovão Azul Opressor Ford Maverick GT 1974 Jair Bolsonaro Falabella - Arquivo pessoal - Arquivo pessoal
A atriz Débora Falabella com o Maverick ao fundo; carro apareceu na novela 'Avenida Brasil'
Imagem: Arquivo pessoal

A partir daí, o Maverick, ornado com faixas pretas, passou a fazer sucesso em exposições e também nas ruas. A ponto de ser requisitado para casamentos e até programas de TV.

Em 2010, durante as gravações do filme "Velozes e Furiosos 5", no Rio de Janeiro, Fabiano Cigano foi com amigos até uma locação nos arredores do bairro do Flamengo, na Zona Sul. A intenção era conhecer o ator Vin Diesel.

"Quando cheguei, o set foi montado em uma via pública. Tinha um ônibus que ultrapassei, 'queimando borracha' até deixá-lo coberto de fumaça. Só depois soube que esse veículo fazia parte das filmagens", diverte-se.

No fim das contas, Cigano não conseguiu conhecer o ator, mas foi premiado de outra maneira: seu Maverick GT 1974 acabou fazendo uma ponta no longa-metragem.

"Em uma das primeiras cenas, que traz tomada aérea de uma perseguição de moto, meu 'Trovão Azul" aparece estacionado à esquerda. Um amigo que assistiu ao filme na Europa reconheceu o veículo, tirou uma foto da tela e me enviou".

Cigano conta que seu carro também aparece na capa de um disco da cantora Isabella Taviani e participou, em 2009, do programa "Estrelas" (TV Globo), da apresentadora Angélica.

"O entrevistado era o ator Aílton Graça, que estava procurando um Maverick para comprar. Reuniram no antigo autódromo de Jacarepaguá 20 exemplares, incluindo o meu".

Fabiano Cigano destaca, ainda, a aparição em uma cena da novela "Avenida Brasil" (2012), também da Globo.

"Além disso, meu Maverick foi convocado para gravação da minissérie 'Suburbia' [TV Globo] em 2012, com a atriz Erika Januza, mas a cena foi deletada. O carro também foi utilizado por Malvino Salvador na peça 'Chuva Constante' em 2015".

Além do "Trovão Azul Opressor", Cigano tem uma Volkswagen Kombi antiga, à qual ele deu a alcunha de Chun-Li, em referência à personagem do game "Street Fighter", e um Fusca 1968 que está reformando e chama carinhosamente de 'Mega Man 2' - ele teve outro anteriormente, já vendido.

"No dia a dia eu dirijo um Nissan Versa. Mas, quando eu guio o Maverick, não tem uma vez na qual deixo de pensar que nasci na época errada. Para mim, os automóveis de verdade morreram no fim da década de 1970".