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Ferrari enferrujada: quanto custaria para consertar carro esquecido em SP

Especialistas estimam o custo para devolver à vida Dino 208 GT4 1975 que apodrece há 14 anos em Santo André (SP) após ser apreendida; não é barato - Amanda Perobelli/UOL
Especialistas estimam o custo para devolver à vida Dino 208 GT4 1975 que apodrece há 14 anos em Santo André (SP) após ser apreendida; não é barato
Imagem: Amanda Perobelli/UOL

Alessandro Reis

Do UOL, em São Paulo (SP)

03/06/2020 04h00

A única Ferrari Dino 208 GT4 1975 do Brasil permanece enferrujando há 14 anos em Santo André (SP), após ser apreendida por importação ilegal e chassi adulterado.

De acordo com a Prefeitura do município paulista, onde o esportivo italiano repousa sob sol e chuva em um pátio, hoje o carro não pode ser leiloado devido a um bloqueio judicial.

Caso a venda seja liberada no futuro, com a regularização dos respectivos documentos, quanto custaria restaurar essa Ferrari e deixá-la em perfeitas condições?

UOL Carros consultou especialistas e exibiu para eles as fotos que ilustram esta reportagem para ter uma noção do trabalho e do dinheiro necessários para devolver a Dino à vida.

Antes de mais nada, vale destacar que somente com as diárias do pátio hoje seria necessário gastar mais de R$ 100 mil, sem contar o preço do veículo em si - segundo a prefeitura do município do ABC paulista.

Para se ter uma ideia, um exemplar da Dino 208 GT4 em bom estado e com mesmo ano de fabricação será leiloado no próximo dia 11 pela RM Sotheby's na Holanda.

Sem preço mínimo, a expectativa é de que seja arrematado por algo entre 40 mil e 50 mil euros (de R$ 233 mil a R$ 290 mil na cotação de ontem, sem incluir os custos de uma eventual importação).

R$ 1 milhão?

Na hipótese dessa Dino que está na Europa ser adquirida e trazida ao Brasil, custaria algo em torno de R$ 750 mil a R$ 800 mil, incluindo impostos e taxas.

No caso específico da Ferrari de Santo André, sua restauração completa pode superar esses valores e passar de R$ 1 milhão. A estimativa é de Kauê Barbosa, gerente de pós vendas da Via Italia, representante oficial da marca italiana no Brasil.

"É uma pena um carro como esse, único exemplar no Brasil, estar abandonado. Por ser um veículo antigo, um carro com 45 anos de idade, encontrar as peças é mais difícil. Se a restauração fosse realizada em nossa oficina, única e exclusiva da Ferrari no País, eu usaria apenas peças originais", diz Barbosa.

"Considerando o dólar alto, eu arrisco que, fazendo tudo do zero, do bom e do melhor nesse carro, incluindo estofado, lataria, peças e mecânica, custaria de R$ 750 mil a R$ 900 mil", aponta o especialista.

Se o proprietário solicitar o certificado Classic da Ferrari após a restauração, a conta fica ainda mais alta.

"Nós estamos aptos a emitir esse certificado, que atesta perante a fábrica em Maranello que o veículo está em suas condições originais, apesar de ter sofrido uma restauração. Custaria mais R$ 120 mil, aproximadamente. Quanto mais antigo o carro, mais caro é esse certificado".

Faça você mesmo

Ferrari Dino 208 GT4 apodrece enferruja pátio Prefeitura Santo André sucata única no Brasil - Amanda Perobelli/UOL - Amanda Perobelli/UOL
Logotipos do carro ainda são visíveis na parte externa; pintura original era azul
Imagem: Amanda Perobelli/UOL

Também consultamos um colecionador do interior de São Paulo, que preferiu não se identificar.

Ele estima que uma 208 GT4 inteira custe US$ 45 mil (R$ 235 mil) no mercado brasileiro. "Encontrei uma unidade azul, de outro ano, em Campinas (SP), com a intenção de restaurar. Acabei desistindo, por considerar que não valia a pena".

Por outro lado, há quem diga ser possível "reconstruir" a Dino enferrujada por menos dinheiro - isso se o veículo estivesse na Inglaterra e o próprio dono se encarregasse do serviço, usando peças paralelas.

"O único modo de restaurá-la sem gastar uma fortuna seria comprar e fazer o serviço por conta própria. Precisa ter muito conhecimento de funilaria e mecânica. Isso reduziria muito o custo da mão de obra, que é extremamente elevado", opina o youtuber britânico Scott Chivers, do canal 'Ratarossa'.

Ferrari Dino 208 GT4 apodrece enferruja pátio Prefeitura Santo André sucata única no Brasil - Amanda Perobelli/UOL - Amanda Perobelli/UOL
Imagem: Amanda Perobelli/UOL

Chivers tem hoje seis Ferraris na garagem e é especializado em encontrar modelos da marca por pechinchas, que ele reforma na garagem de casa.

"Considerando que essa Ferrari enferrujada ainda tenha motor e transmissão, consertar esses componentes e a carroceria custaria cerca de 20 mil libras [R$ 130,5 mil]. Se for possível manter alguns dos painéis e substituir as partes oxidadas por meio de solda, isso pouparia muito dinheiro. Assim, o projeto valeria a pena".

O youtuber conta que a primeira Ferrari que comprou, há 25 anos, foi justamente uma Dino GT4, pela qual pagou 2.000 libras (R$ 13 mil). Porém, depois ele teve de desfazer o negócio por conta de problemas com documentação. A ideia era restaurá-la.

"Na época, era difícil encontrar peças para esse modelo e você só conseguia da própria Ferrari. Hoje você encontra os componentes na internet com maior facilidade e por preços muito mais baixos".