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VW Apollo: cupê 'primo' do Ford Verona que fracassou faz 30 anos

Apollo tinha diferenças para o Verona, mas custava caro demais - Divulgação
Apollo tinha diferenças para o Verona, mas custava caro demais
Imagem: Divulgação

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

23/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Lançado em 1990, carro era versão mais esportiva e sofisticada do Ford Verona
  • Modelo tinha motor 1.8 AP em vez do 1.6 CHT de seu "primo"
  • Dirigibilidade ruim e preço elevado fizeram Apollo morrer dois anos após estreia

A Autolatina, controversa fusão realizada entre Ford e Volkswagen de 1987 a 1996, rendeu projetos inéditos para ambas as marcas. De todos eles, um é lembrado frequentemente, mas não por motivos tão positivos: o Apollo.

Lançado em junho de 1990 em evento no Autódromo de Interlagos, o Apollo foi o primeiro carro da joint-venture projetado por uma empresa e vendido pela outra.

No caso, o modelo nada mais era do que um Ford Verona com um design diferente e outras pequenas mudanças no interior. Mesmo assim, a fabricante diz que o carro conhecido internamente como "Projeto Nevada" foi desenvolvido "de acordo com as especificações da Volkswagen".

Fazia sentido, até porque Apollo e Verona não eram totalmente idênticos. Por fora, o modelo da VW tinha detalhes mais esportivos, como aerofólio na tampa traseira, lanternas fumê e para-choques pintados na cor do carro. A carroceria, obviamente, tinha apenas duas portas como o Verona.

Interior combinava bom acabamento da Ford com itens a mais - Divulgação
Interior combinava bom acabamento da Ford com itens a mais
Imagem: Divulgação

Internamente, ele poderia vir com bancos esportivos da Recaro, teto solar, painel com iluminação alaranjada e acabamento monocromático na versão GLS.

Por fim, os amortecedores eram mais firmes e o carro trazia motorização (a conhecida AP 1.8) e câmbio exclusivos. O problema é que tudo isso tinha seu preço, já que o Apollo era aproximadamente 20% mais caro do que o Verona.

Carreira curta

Traseira tinha aerofólio na tampa e lanternas fumê - Divulgação
Traseira tinha aerofólio na tampa e lanternas fumê
Imagem: Divulgação

O Apollo preenchia a lacuna existente entre Voyage e Santana, algo parecido com que o Virtus faz hoje entre Voyage e Jetta.

Só que a trajetória do novo modelo foi conturbada desde o começo, e não apenas por conta de sua "origem" Ford.

As alterações realizadas na suspensão deixaram o Apollo um pouco desconfortável e não melhorou a dirigibilidade em relação ao Verona.

A decisão de adotar motor e transmissão exclusivos também gerou problemas para a VW. Não era raro casos de falhas na transmissão que deixavam a caixa de marchas inoperante. E não foi por conta da má qualidade dos componentes - pelo contrário, a transmissão era muito bem construída, mas a aplicação no projeto foi ruim.

Além de tudo isso, o preço também jogava contra o Apollo, que custava 20% a mais do que o Verona. É verdade que o "quase clone" da VW trazia itens vendidos como opcionais no modelo da Ford, mas a diferença na hora de assinar o cheque afastava compradores.

Despedida melancólica

Modelo saiu de linha depois de dois anos e com vendas baixas - Divulgação
Modelo saiu de linha depois de dois anos e com vendas baixas
Imagem: Divulgação

Foi assim que o Apollo teve vida curta no mercado e saiu de linha em 1992 depois de vender pouco mais de 50 mil unidades.

A Autolatina ainda resistiria por mais quatro anos e novos projetos seriam feitos em conjunto, como os Volkswagen Logus e Pointer (que também não tiveram o sucesso esperado) e os Ford Versailles e Royale (derivados da dupla Santana e Quantum).

No fim das contas, o Apollo (que já pode ter placa preta a partir de junho) entrou para a história da indústria automotiva, mas não como um grande sucesso, e sim como um dos maiores fracassos da história da Volkswagen.

Mesmo assim, ele ainda desponta como possível candidato a virar um "neo-clássico" nos próximos anos.