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Dá para retirar blindagem de um carro? Mudança é cara e compromete veículo

Oficina da BSS: estrutura dos carros é inteiramente alterada para blindagem - Vitor Matsubara/UOL
Oficina da BSS: estrutura dos carros é inteiramente alterada para blindagem
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

18/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Serviço de "desblindagem" é oferecido por algumas empresas
  • Retirada de proteção pode afetar integridade e desempenho do veículo
  • Peças do carro são modificadas de forma irreversível para receber blindagem

Blindar carros está cada vez mais comum nas cidades brasileiras. A frota de veículos blindados circulando no Brasil no fim de 2018 era de aproximadamente 220 mil unidades, segundo estimativa da Abrablin (Associação Brasileira de Blindagem).

Com isso, é natural que o número de veículos blindados também cresça no mercado de seminovos. É por isso que muita gente procura empresas que retiram a proteção dos carros.

O interesse surge porque a periodicidade e o custo de manutenção são mais elevados em relação a um veículo original, especialmente depois de alguns anos de uso.

Risco à integridade do carro

Vidros não são as únicas partes modificadas em um veículo blindado - Avener Prado/Folhapress
Vidros não são as únicas partes modificadas em um veículo blindado
Imagem: Avener Prado/Folhapress

A prática, porém, não é aconselhada por especialistas e nem pelas próprias blindadoras.

"Retirar a blindagem representa risco total ao comportamento do veículo, já que o carro recebeu soldas em reforços de novos materiais nas regiões dos anéis das portas e das colunas, além de reforços na suspensão. O custo é muito elevado e o carro fica totalmente desconfigurado. Praticamente não se faz isso", alerta o engenheiro Marco Colosio, mestre em materiais da SAE Brasil.

Vão entre a porta e o revestimento interno é alargado para acomodar o vidro mais espesso - Vitor Matsubara/UOL
Vão entre a porta e o revestimento interno é alargado para acomodar o vidro mais espesso
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

O discurso é endossado por Edson Barros, gerente de produção da BSS Blindagens, uma das maiores empresas do país.

"Quase todas as partes do veículo são modificadas no processo de blindagem. No caso dos vidros, os vãos das portas são alargados para que os vidros novos possam ser encaixados", afirma.

O especialista cita o exemplo de um BMW Série 5 que estava na oficina da BSS durante a visita de UOL Carros. Os vidros laterais do sedã tem uma espessura de 6 milímetros contra 18 milímetros dos vidros blindados.

As partes internas também são alteradas. O painel de instrumentos precisa ser cortado em alguns milímetros para que o para-brisa mais grosso possa ser encaixado com perfeição. O acabamento dos painéis das portas também é alterado antes de ser recolocado nas portas.

Custos elevados

Veículo à espera de blindagem: custo para retirar proteção é elevado - Vitor Matsubara/UOL
Veículo à espera de blindagem: custo para retirar proteção é elevado
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

O proprietário que "desblindar" seu veículo precisará comprar várias peças (internas e externas) para garantir um serviço bem executado.

Isso porque os vidros originais não podem ser encaixados nos vãos das portas, que foram "alargadas" para receber a blindagem. O mesmo acontece com os painéis de porta modificados, que não seriam encaixados adequadamente.

Sendo assim, o custo para realizar o próprio serviço de retirada da proteção somado ao preço de diversas peças novas torna a "desblindagem" um processo muito caro.

"Os gastos para fazer tudo isso são tão grandes que é melhor não adquirir um carro blindado usado se a intenção é retirar a proteção", conclui Edson.