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Testamos: Porsche Cayenne Coupé agrada ao não imitar 911 e assumir lado SUV

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

09/02/2020 04h00

Resumo da notícia

  • SUV cupê é movido por motor 3.0 V6 de 340 cv e custa R$ 459 mil
  • Desempenho do modelo é digno de aplausos, especialmente nas curvas
  • Carro desliza ao não oferecer tecnologias presentes em carros de R$ 120 mil

Existe apenas um segmento que os detratores de SUVs odeiam mais: o dos SUVs cupês. Grandalhões e pouco práticos na maioria das situações, eles nasceram após o lançamento do BMW X6. Desde então, o papel principal deles é chamar a atenção nas ruas. Pelo menos era assim até chegar o Porsche Cayenne Coupé.

Antes de tudo precisamos ser justos: a novidade da Porsche não é o único representante da safra de novos SUVs cupês. O Audi Q8 também segue a linha de seu compatriota e colega de Grupo Volkswagen ao aprimorar a receita do X6.

Ficou bonito

Grandalhão com estilo: Cayenne Coupé acerta ao ter personalidade própria - Divulgação
Grandalhão com estilo: Cayenne Coupé acerta ao ter personalidade própria
Imagem: Divulgação

A evolução começa por onde os olhos veem: o design do Cayenne Coupé é muito mais bem resolvido do que alguns de seus conterrâneos. As linhas abrutalhadas do Cayenne ficaram mais harmoniosas na versão cupê, que se diferencia pelo caimento da coluna "C". Diferente de BMW X6 e Mercedes-Benz GLE, o Porsche não tem um pequeno terceiro volume na traseira: os traços são mais suaves e esportivos.

O segundo "mérito estético" do modelo é não querer imitar outros carros da marca. Isso significa que o Cayenne Coupé não tenta parecer um 911, como acontecia com a primeira geração do SUV da Porsche. Ele tem personalidade própria, mesmo seguindo a identidade visual presente no restante dos modelos. Ok, talvez você não goste de utilitários esportivos, mas, depois de um tempo de convivência, são grandes as chances de você admitir que o carro ficou legal.

Bom de olhar, melhor de dirigir

Se estamos falando de um Porsche é claro que desempenho vem em primeiro lugar. Inicialmente o Cayenne Coupé é importado para o Brasil nas versões de entrada e topo de linha, que custam R$ 459 mil e R$ 956 mil, respectivamente.

UOL Carros avaliou a configuração mais barata, que traz um motor 3.0 V6 biturbo de 340 cv e torque máximo de 45,9 kgfm. Quem olha a ficha técnica pode confundi-lo com um 718: a aceleração de 0 a 100 km/h é realizada em 6 segundos e a velocidade máxima é de 245 km/h. Nada mal para um mastodonte de 4,93 metros de comprimento e 2.030 kg.

Olha o coração da fera: 3.0 V6 empolga nas acelerações - Divulgação
Olha o coração da fera: 3.0 V6 empolga nas acelerações
Imagem: Divulgação

Dou a partida do lado esquerdo (como manda a tradição) e o V6 desperta suavemente. Confesso que esperava um pouco mais de emoção, já que o ronco do motor não invade tanto a cabine como deveria. Culpa do excelente isolamento acústico, embora tudo possa mudar com o sistema de escape ativo, que aumenta o som que sai das ponteiras traseiras ao toque de um botão. Pena que o recurso é um opcional de salgados R$ 16.483, um deslize e tanto em um carro tão caro - embora quem tem tanto dinheiro assim não deve esquentar a cabeça com isso.

De toda maneira, o SUV cupê não nega fogo quando solicitado. Um leve toque no acelerador faz o Cayenne embalar, especialmente se o motorista selecionar um dos dois modos esportivos de condução.

Aerofólio se ergue automaticamente em velocidades mais altas, como no 911 - Divulgação
Aerofólio se ergue automaticamente em velocidades mais altas, como no 911
Imagem: Divulgação

Se a escolha for pelo Sport Plus, é sempre bom lembrar da existência da função Sport Response, Basta apertar um botão que motor e transmissão são calibrados para entregar máximo desempenho durante 20 segundos. É a deixa para acionar o controle de largada e sentir o poder do carro, daí a recomendação de fazê-lo em pistas fechadas.

Mesmo sendo um utilitário esportivo, o que eleva o centro de gravidade do veículo e, consequentemente, torna a carroceria mais suscetível a inclinações maiores, o Cayenne Coupé se comporta de maneira exemplar nas curvas. Não adianta nem forçar a barra: dificilmente o SUV vai perder a estabilidade. Seu comportamento surpreende por ser tão próximo ao de um cupê esportivo, como o próprio... 911.

Completão - ou quase

Cabine é ampla e moderna, mas excesso de botões confunde motorista - Divulgação
Cabine é ampla e moderna, mas excesso de botões confunde motorista
Imagem: Divulgação

Só que nem tudo são flores. Mesmo custando R$ 459 mil, o modelo tem uma extensa lista de opcionais: são mais de 180 itens. Antes disso, vamos falar dos equipamentos de série. São eles: seis airbags, ar-condicionado digital com duas zonas de temperatura e saídas nos bancos traseiros, central multimídia com tela tátil de 12 polegadas e suporte a Apple CarPlay e Android Auto, teto solar panorâmico elétrico e câmera de ré, entre outros.

Entretanto, não há tecnologias de assistência de condução presentes até em carros que custam quatro vezes menos. Quem quiser piloto automático adaptativo e sensor de pontos cegos vai precisar pagar a mais por isso. Além disso, a infinidade de botões agrupados no console central demandam boas horas de leitura do manual. Pelo menos você vai ter conforto de sobra enquanto gasta seu tempo aprendendo onde está cada função.

Dificilmente alguém vai fazer isso, mas é bom saber que o SUV pode se aventurar por aí - Divulgação
Dificilmente alguém vai fazer isso, mas é bom saber que o SUV pode se aventurar por aí
Imagem: Divulgação

Bonito, delicioso de dirigir e muito confortável, o Cayenne Coupé é uma opção bastante sedutora para quem tem uma conta bancária mais generosa e procura um modelo desta categoria. Se a dúvida está entre os dois modelos da linha Cayenne, aceite meu conselho: escolha o cupê.

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