PUBLICIDADE
Topo

Saiba o que deve acontecer com Carlos Ghosn após a fuga do Japão

Ghosn está no Líbano e não pode ser extraditado - Toshifumi Kitamura/AFP
Ghosn está no Líbano e não pode ser extraditado
Imagem: Toshifumi Kitamura/AFP

Vitor Matsubara

Do UOL, em São Paulo (SP)

03/01/2020 04h00

Enquanto os japoneses investigam como Carlos Ghosn conseguiu deixar o país e os turcos prendem supostos cúmplices na fuga cinematográfica, o mundo se pergunta: quais serão os próximos acontecimentos desta saga?

Ainda não se sabe como o ex-CEO da aliança Renault-Nissan escapou do país onde estava sob forte vigilância em prisão domiciliar. Ghosn tinha permissão para sair de sua casa em Tóquio, mas deveria permanecer no Japão até seu julgamento.

Já existem teorias de todos os tipos, e uma emissora de televisão libanesa sugeriu até que Carlos teria se escondido dentro de uma maleta de instrumentos musicais, que foi trazida por uma banda que se apresentou em uma festa realizada em sua casa.

Não há nenhum tipo de evidência que aponte para esta ou qualquer outra teoria. Fato é que o governo do Líbano pedia insistentemente para que Ghosn (que tem cidadania libanesa) fosse liberado para viajar a Beirute, onde seria julgado pelos crimes. O último pedido foi feito na semana passada, mas não houve resposta por parte das autoridades japonesas.

Sendo assim, Ghosn teria decidido fugir em um jato particular que deixou Tóquio com destino à Istambul. Ghosn teria pousado no aeroporto de Ataturk (que está desativado para uso comercial, mas ainda recebe voos privados). Foi de lá que ele seguiu para o Líbano, onde desembarcou na segunda-feira (30) de manhã.

A chegada ao Líbano

Autoridades do país afirmam que ele teria apresentado um passaporte francês e uma identidade libanesa. Ghosn teria entrado no país de forma legal e não estava sujeito a nenhuma restrição. A imprensa europeia afirma que Ghosn teria dois passaportes franceses, e apenas um deles estaria retido com autoridades do Japão.

Carlos Ghosn prisão 2 - Divulgação - Divulgação
Ghosn é de família libanesa; leis do país impedem extradição de cidadãos
Imagem: Divulgação

Em Beirute, Carlos encontrou com sua esposa, Carole Ghosn, que teria desempenhado papel fundamental para viabilizar sua fuga. Procurada pelo jornal "Wall Street Journal", Carole afirmou que o encontro com o marido foi o "melhor presente da minha vida". Ghosn, porém, assegurou que sua família não participou do plano de escapada.

A imprensa internacional diz que a fuga foi planejada por meses. De acordo com a agência de notícias "Reuters", o plano foi supervisionado por uma empresa de segurança privada e Ghosn foi recebido pelo presidente libanês, Michel Aoun, após sua chegada à capital do país. O fato foi prontamente desmentido pelo governo do Líbano.

O que acontece agora?

Após a fuga de Ghosn, o Tribunal de Tóquio revogou formalmente sua libertação sob fiança. Nesta quinta-feira (2), o imóvel onde Ghosn permanecia em Tóquio foi alvo de uma operação da polícia japonesa, que ainda não sabe como tudo aconteceu.

O Líbano não possui acordo de extradição de cidadãos com o Japão e a lei local diz que qualquer cidadão possa ser processado por crimes cometidos no exterior, desde que o fato também seja configurado como um crime em solo libanês.

Carlos Ghosn 1 - Antonio Lacerda/EFE - Antonio Lacerda/EFE
Nascido no Brasil. Ghosn salvou a Nissan da falência
Imagem: Antonio Lacerda/EFE

Por enquanto, um porta-voz do governo libanês disse que o país não abrirá um processo contra Ghosn até receber evidências claras sobre os crimes cometidos no Japão.

A prisão de Ghosn aconteceu há pouco mais de um ano e a forma como a justiça japonesa vinha conduzindo o caso foi duramente criticada por autoridades do mundo inteiro.

Ao mesmo tempo, o executivo acusou diversas vezes a Nissan de realizar um complô para tirá-lo do poder. A medida foi uma forma de incriminar o executivo para impedir um acordo entre Nissan e Renault, membros de uma aliança formada em 1999 e presidida por Ghosn até o dia de sua detenção.

Boatos indicam que os japoneses temiam que um novo acordo enfraqueceria ainda mais a Nissan diante dos franceses. Segundo Ghosn, a razão do complô foi "o medo que houve entre alguns executivos da Nissan" de que uma maior integração da empresa japonesa dentro da aliança com a Renault "pudesse trair a essência (da empresa) e comprometer sua autonomia".

Desde novembro de 2018, o executivo foi preso duas vezes e estava em liberdade condicional. Mesmo estando em prisão domiciliar, Ghosn não podia receber visitas de sua esposa, Carole, e nem de seus filhos.

"Não fugi da justiça, eu escapei da injustiça e da perseguição política", afirmou Ghosn em comunicado enviado após sua fuga do Japão.

Já no Líbano, Ghosn disse que "finalmente poderá se comunicar livremente" com a imprensa para se defender das acusações. O jornal japonês "Yomiuri" afirma que o executivo realizará uma entrevista coletiva na próxima quarta-feira, 8 de janeiro, em Beirute.

Errata: o texto foi atualizado
Ao contrário do que foi dito anteriormente, a capital da Turquia é Ancara, e não Istambul. Informação corrigida.