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Líbano nega ter recebido Ghosn no país; Turquia prende 7 em investigação

Carlos Ghosn, Renault-Nissan - Simon Dawson/Bloomberg
Carlos Ghosn, Renault-Nissan Imagem: Simon Dawson/Bloomberg

Do UOL, em São Paulo

02/01/2020 09h57

Resumo da notícia

  • Sete pessoas são presas na Turquia por suspeita de ajudar na fuga de Carlos Ghosn
  • Ex-CEO da Nissan-Renault deixou Japão, onde cumpria prisão domiciliar, e está no Líbano, após fazer conexão na Turquia
  • Governo do Líbano nega que Ghosn está no país e que se encontrou com presidente da nação
  • Mandado de prisão emitido pela Interpol foi enviado ao governo libanês
  • Ghosn é alvo de quatro acusações no Japão, mas alega inocência e diz ser perseguido

Pelo menos 7 pessoas foram presas na Turquia suspeitas de ajudar na fuga do ex-CEO da aliança Renault-Nissan Carlos Ghosn. Entre os detidos estão quatro pilotos.

De acordo com a agência de notícias DHA, eles são suspeitos de auxiliar Ghosn a viajar para o Líbano a partir de um aeroporto de Istambul, onde ele chegou em um voo procedente do Japão.

O governo do Líbano desmentiu a informação de que o executivo está no país e teria se encontrado com o presidente Michel Aoun. "Ele não foi recebido na presidência e não se encontrou com o presidente da República", disse uma autoridade à AFP.

Apesar de negar a entrada de Ghosn no país, o Líbano recebeu hoje um mandado de prisão emitido pela Interpol para o ex-presidente da Nissan. A ordem, um alerta vermelho da Interpol que pede às autoridades para prender uma pessoa procurada, foi recebida pelas forças de segurança interna do Líbano, e ainda não foi encaminhada ao Judiciário, afirmou uma fonte à Reuters.

A fuga de Ghosn do Japão, onde o executivo foi acusado de fraude financeira e estava sob detenção domiciliar, depois de passar 130 dias na prisão, representou uma mudança espetacular no caso, que envolve um dos principais executivos da indústria automobilística.

Ghosn, que tem tripla cidadania francesa, brasileira e libanesa, fugiu na segunda-feira do Japão, onde estava em prisão domiciliar, para o Líbano. Ele tinha dois passaportes franceses, incluindo um que sempre levava em uma mala trancada.

A suspeita é de que ele embarcou em um jato privado no aeroporto de Kansai. Um avião deste tipo decolou em 29 de dezembro às 23h00 (horário do Japão) com destino a Istambul, segundo a imprensa japonesa.

O jornal turco Hürriyet informou que Ghosn pousou no aeroporto Ataturk, atualmente fechado para voos comerciais, mas ainda utilizado por aeronaves privadas, e partiu deste terminal para o Líbano pouco tempo depois em outro jato.

Ghosn é alvo de quatro acusações no Japão: duas por renda diferida não declarada pela Nissan às autoridades financeiras e duas outras por quebra de confiança com agravante. Preso em novembro de 2018, o magnata sempre negou as acusações, alegando ter fugido de um "sistema judicial japonês tendencioso".

O governo francês condenou a fuga do executivo, mas declarou que se Ghosn entrar no país, não será extraditado.

"Se o senhor Ghosn chegar à França, não extraditaremos o senhor Ghosn porque a França nunca extradita seus cidadãos", disse a secretária de Estado francesa da Economia, Agnès Pannier-Runacher ao canal BFMTV.

*Com agências internacionais AFP e Reuters