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Quem é o funileiro que construiu trenós motorizados para virar Papai Noel

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

Daniel Leite

Colaboração para o UOL

20/12/2019 04h00

O Ford 29 vermelho que o funileiro Cláudio Labate tinha alguns anos atrás não combinava com um Papai Noel. Contratado para dirigir enquanto o bom velhinho distribuía presentes em firmas de São Paulo, ele não se sentia à vontade no carango. "Eu olhava o Fordinho 29, olhava pro Papai Noel e pensava que não tinha nada a ver o carro com o Papai Noel. Tem que ser trenó".

A partir daí, o funileiro decidiu construir veículos mais apropriados ao principal personagem do Natal. Fez, então, dois carros com renas de arame que, depois, foram trocadas pelas de fibra, mais bonitas para a ocasião.

Tudo é produzido em sua oficina de carros antigos, onde há mais de quatro décadas fabrica réplicas de Corvetes e Limusines, na rua Bixira, bairro da Mooca.

O trabalho com os trenós sobre chassis começou a ficar conhecido e Labate passou a participar de festas e sair cada vez mais às ruas. Uma das atrações principais na qual ele esteve foi em um evento no Ibirapuera, na capital paulista, mas que durou pouco tempo.

Depois disso, Labate teve dificuldades para pagar um Papai Noel e continuar fazendo a alegria das pessoas nas ruas da capital. Diz que se tivesse patrocínio, precisaria fazer propaganda de marcas, ideia que não o agrada muito porque perderia a essência do Natal.

Mas ele encontrou a alternativa: deixar a barba crescer, se vestir com a clássica roupa vermelha, colocar o gorro e disfarçar a falta da barriga. "Eu deixo a barba comprida porque sou o Papai Noel, só que eu sou magrinho. Mas geralmente as fotos são selfies, rosto com rosto, muito raro pegar de corpo inteiro (risos)".

Arquivo Pessoal
Imagem: Arquivo Pessoal

No mês de dezembro, Labate sai sem rumo e sem programação pelas ruas da cidade. Não tem dia certo e nem compromisso. "O dia que eu estou trabalhando e cismo, eu coloco a roupa do Papai Noel e saio".

Quando faz isso, claro, atrai a atenção por onde passa. Até porque os carros são muito iluminados, com 15 mil lâmpadas cada um, e têm criatividade em tudo. Um deles carrega um Papai Noel "surfista", sem camisa e prancha de surf a tiracolo.

O combustível é mesmo o comum, afinal, o veículo não é de tração animal. Mas tem todos os apetrechos de um trenó. Duas renas em um, quatro no outro, sinos e muita cor. A estrutura é posta sobre chassis que ele próprio montou baseado em um Fusca.

Para o montador de carros antigos, dois fatores fazem toda a diferença no sucesso dos "desfiles". Um deles, sem dúvida, é o visual dos carros, e o outro é a espontaneidade do espírito natalino. "Normalmente vou para o Ibirapuera, Paulista e onde tem alguma coisa voltada à solidariedade. Alguém me chama, eu vou e participo".

Sem formação em engenharia automotiva e nem nada semelhante, ele calcula já ter feito mais de 40 réplicas de veículos antigos. Atualmente, trabalha para construir uma carruagem motorizada. "Eu não sou engenheiro, não sei desenhar, não sei fazer nada disso. Eu tenho as ideias e executo o projeto".

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