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Mini Clubman e Countryman: perua e SUV são carros mais potentes da marca

Min Countryman JCW: 306 cv em um SUV não é nada mal - Divulgação
Min Countryman JCW: 306 cv em um SUV não é nada mal
Imagem: Divulgação

João Anacleto

Colaboração para o UOL, de Indaiatuba (SP)

11/11/2019 04h00

Em um mundo dominado por SUVs, há tempos virou comum que carros com a égide da Mini não estarem de acordo com o diminutivo. Countryman, Clubman e o descontinuado Paceman inverteram a lógica do carro compacto inglês, mas sempre tentaram manter alguns padrões que vivem na alma de um Mini.

Um deles é a esportividade, que desde de 2002 pode ser traduzida nas letras JCW. A John Cooper Works - que pertence ao filho de John Cooper, célebre projetista de monopostos de corrida na F-1 e F-Indy - nasceu na cidade de Farnborough, na Inglaterra como uma preparadora não oficial dos carros ingleses e a partir de 2008. E a exemplo do que ocorreu com a Mini em 2000, foi absorvida pela BMW. Hoje é o sinônimo de tudo o que um Mini, seja ele SUV, hatch ou perua, pode oferecer.

Perua Clubman também recebeu tratamento esportivo - e ficou ainda mais bacana - Divulgação
Perua Clubman também recebeu tratamento esportivo - e ficou ainda mais bacana
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A chegada da dupla Clubman (a perua) e o Countryman (o SUV) com o sobrenome JCW é o fato que comprova a teses. Com preços entre R$ 219.900 para o Clubman e R$ 239.900 para o Countryman, são as duas peças mais caras que você encontrará na prateleira da marca. Mas, além do tamanho, ambos entregam a quintessência em motores 2.0 turbo da BMW.

O novo B48 com turbina de duplo f, usado também no BMW M235i Gran Coupé e no X2 M35i, entrega 306 cv e 45,9 mkgf de torque o que é, de longe, o Mini mais potente já oferecido oferecido oficialmente. Para você ter ideia, o Mini Countryman JCW de 2018, contava com um motor 2.0 turbo de 231 cv e 35,7 mkgf de torque, ou seja, 75 cv e 10,2 mkgf de torque a menos, quase um motor 1.0 aspirado de diferença.

E isso sem alterar a capacidade cúbica. Ele vem atrelado a um câmbio automático de 8 marchas da Aisin, os ZF que você se acostumou a ver atrelados a um 2.0 BMW fica só para as configurações com motor longitudinal, nos transversais, caso dos Mini, não. A tração integral ALL4 é se série em ambos.

Countryman na pista

Para conhecer como os números são traduzidos em realidade, estive na pista da fazenda Capuava, em Indaiatuba (SP), para acelerar a dupla, começando com o SUV. Entre as novidades do Countryman 2020 estão as novas rodas, que podem ter acabamento diamantado ou serem pintadas na cor preta brilhante, e o acabamento dos bancos esportivos, que antes eram circundados com um tecido de Alcântara avermelhado, como um bordô, e gora é marcado por uma tarja na cor cinza clara.

Desempenho não é tão empolgante para um Mini, mas excelente para um SUV - Divulgação
Desempenho não é tão empolgante para um Mini, mas excelente para um SUV
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Donos de SUV gostam de carro mais altos, com bom espaço interno e porta-malas latifundiário. Mas deve-se tomar como base, sim, um Mini. Ninguém compra um Mini pensando em encontrar uma van. O espaço traseiro é apenas razoável e o porta-malas de 450 litros é só 19 litros maior do que o de um Hyundai Creta, que trato como SUV compacto.

O Countryman oferece mimos como faróis de LED adaptativos, iluminação em Full-Led, tampa do porta-malas elétrica, e por dentro o sistema Mini Connected com interface com tela de 8,8" tátil, mas que também pode ser controlado por um botão no console centra, entre os bancos. Ele permite conexão com Android Auto e Apple Car Play, este último pode até reconhecer algumas funções com conexão sem fio.

A exemplo da versão S, o Countryman JCW também oferece modos de condução bem distintos. Pelo Mini Driving Modes, você pode andar em Green gastando bem pouco combustível - a média de consumo de gasolina com esse modo ativado, na estrada, chega aos 12,5 km/l - com a suspensão mais macia possível, direção bem leve, função coasting que aproveita a rolagem do carro para não gastar combustível.

Painel não é tão ousado quanto nas gerações anteriores, mas ainda é irreverente - Divulgação
Painel não é tão ousado quanto nas gerações anteriores, mas ainda é irreverente
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No modo Mid, o carro se adapta ao que o seu pé-direito pede, e ainda permite usar o sistema start-stop em situações de trânsito pesado. Mas para uma pista, o modo Sport é o mais indicado, afinal, segundo a Mini mesmo com um SUV, você mercê a sensação do go-kart feeling, uma alusão à dirigibilidade extrema que um Mini pode ter. Será?

Pior dos Mini, melhor dos SUVs

Sim, e não. Raríssimos são os SUVs que não despejam suas grandezas físicas de modo desengonçado num autódromo. Mas aqui, deve-se ter duas referências. A primeira é a da própria Mini, e se você comparar com o hatch - ou com a perua, como farei em breve - e esquecer que mercadologicamente ele tem 33% do mix de vendas, na pista não há razão para amá-lo.

Também, pudera... Com 1.600 kg distribuídos em 4,30 m, e com 1,56 m de altura, ele está mais para um armário colonial do que para um esportivo. Agora se a referência foram outros SUVs, é fato que você não encontrará nada mais pujante pelos R$ 239.900.

Nas saídas, em modo Sport e com o controle de largada ativado, fica nítido que a intenção é impressionar. Leva 5,1 segundos para ir de 0 a 100 km/h O platô de torque máximo, conseguido entre 1.750 rpm e 4.500 rpm, dão a impressão de que o carro "não acaba". Você vai sendo demovido da ideia de tirar o pé do acelerador a cada engate as primeiras 4 marchas. As curvas, que sempre se tornam um drama para quem tem tração dianteira e muito peso aqui só merecem atenção.

A tração ALL4 consegue estabelecer diagnósticos bem previsos sobre o que é necessário para salvar sua integridade. Ao mesmo tempo que o inteligente controle de estabilidade freia as rodas desgarradas, a tração exerce força extra para as que estão fora do caos. Quando se escapa de frente, você sente o carro contornando de volta ao traçado, sem que se tenha de virar o volante.

O torque também direciona o seu grau de endorfina, pois a cada saída de curva, ele está ali, disposto, vívido, ainda que o seu jeito pouco profissional de guiar tenha deixado o câmbio em uma marcha baixa demais. Freios com discos de 282 mm e pinças de quatro pistões na dianteira garantem que o trabalho seja repetido na próxima curva.

Mas o mais impressionante de tudo é que ele não precisou de um chassi ainda mais rígido para encarar essa missão de receber quase um terço a mais de potência. O Countryman, o mais confortável e versátil dos Mini, não é referência em conforto, claro, mas consegue ser confortável até quando você belisca alguma zebra. Algo que estremeceria suas obturações se você estivesse em um JCW hatch.

Clubman na pista

Três voltas depois foi a vez de encontrar com o Clubman. Dotado de mesmo conjunto-motor, ele é o único da linha que não será mais oferecido na versão S, apenas na JCW. E você até pode se perguntar os motivos de investir em um "perua" nesse mundo dominado por SUVs. Não. O Clubman não está de olho nos clientes de utilitários, e sim em oferecer tanto quanto qualquer outro esportivo renomado, cobrando muito menos. Se você olhar em volta, entre os últimos lançamentos vai encontrar o Mercedes-AMG A35, com 306 cv, que acelera cumpre o 0 a 100 km/h em 4,7s, ou seja 0,2 s mais rápido que o Clubman, mas custa por R$ 279.900, ou seja, R$ 60.000 a mais.

Clubman tem tampa do porta-malas dividida em duas partes, como no modelo original - Divulgação
Clubman tem tampa do porta-malas dividida em duas partes, como no modelo original
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Dono da mesma lista de equipamentos do Countryman, a Clubman traz mais novidades para a linha 2020. Os faróis de LED adaptativos são inéditos para o carro no Brasil, assim como os bancos de couro e alcântara e o sistema de navegação com informação de tráfego em tempo real. Na dianteira, a grade ficou maior, e vai desde o fim do capô até as entradas de ar inferiores, reconhecível à distancia. Na traseira recebeu a iluminação em alusão a Union Jack, como no Mini, mas que não foi aplicada no SUV. As rodas têm 18" e também contam com desenho exclusivo.

Perto do SUV, o Countryman tem mais vocação esportiva, desde as formas. São 12 cm a menos na altura, 3 cm no comprimento, mantendo os 2,67 m de entre-eixos, e 6 cm mais baixo com relação ao solo em comparação ao SUV.

Interior lembra muito o do SUV Countryman - Divulgação
Interior lembra muito o do SUV Countryman
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Pesando 50 kg a menos e com um centro de gravidade bem mais próximo do chão ele é o mais próximo que você vai ter de um mini "go-kart-feeling" com espaço para levar decentemente suas família no banco de trás, e contar com um porta-malas de 360 litros, que não é lá grande coisa, mas tem, por exemplo, 40 litros a mais que o do Renegade, o SUV mais vendido do Brasil.

Hooligan

Aqui você percebe a diferença que a potência faz. E fico imaginando como seria um Mini Cooper hatch com esse conjunto. Direção, suspensão e freios não trabalham o tempo todo como se você estivesse fugindo de alguém. É um carro que chega a ser gentil a apontar na curva, aderna pouco, está sempre firme, rígido. É a prova que as assistências eletrônicas estão chegando em um nível mais natural. E que mesmo com tração dianteira, você pode acelerar sem parecer que está recitando um poema em uma biblioteca, enquanto ela pega fogo e um leão corre atrás de você.

Aqui você também percebe a linearidade do despejo da força. Ele raramente arrasta os pneus, seja nas retomadas ou nas curvas, e mesmo que seu pé se enterre no acelerador antes da hora, só com a direção o mais reta possível é que ele passa a entregar tudo o que tem. Sim, são os controles agindo num esportivo, mas na prática você mal percebe. Os pegajosos Michelin 225/40 de aro 18" cavam espaços no asfalto sempre que algo sai do controle, mas para isso acontecer, você deve estar abusando.

E é impossível não gostar disso, sem que a carroceria chacoalhe como no SUV. Ao mesmo tempo que o câmbio dá pancadas em acelerações e reduções, você vive em paz, no controle, sem medo. A transmissão, especialmente quando se usa as borboletas, são outro ponto alto na experiência, com um mini-delay, sempre acima do aceitável.

Por um momento, eu me pergunto: "será que ele não deveria ser um pouco mais bruto?". Mas, não. Isso aqui é uma perua, amigo. Vamos esperar que o lado hooligan apareça quando alguma mente doentia pelos lados de Munique concordar para que o Mini Cooper JCW receba esse mesmo, magnífico, conjunto.

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