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Audi e-tron: aceleramos o 1º elétrico da marca, que chega no começo de 2020

João Anacleto*

Colaboração para UOL Carros, em Nova York (EUA)

26/08/2019 07h00

Tratada como um caminho sem volta, a eletrificação dá a sua primeira cartada na história da Audi. Com vendas no Brasil a partir do começo de 2020, o e-tron é tratado como um marco. Afinal, é o primeiro veículo 100% elétrico já produzido em série pelos alemães de Ingolstadt, mas terá companhia em breve. Segundo a marca, mais doze modelos elétricos entrarão no portfólio nos próximos seis anos. A pontapé inicial foi dado com o SUV de porte intermediário entre o Q5 e o Q7, em uma plataforma especialmente desenvolvida para carros elétricos.

Contudo, a marca vai oferecer pelo menos uma opção com emissão zero por segmento. Do A1 ao Q8.

Em resumo, o e-tron é capaz, de acordo com a fabricante, de rodar 400 km com apenas uma carga de energia e sem emitir um grama sequer de gases do efeito estufa. A autonomia é calculada segundo o ciclo de consumo europeu, o WLTP (Worldwide Harmonized Light Vehicles).

O utilitário esportivo elétrico de 2.490 kg, sendo 700 kg só das baterias de íon lítio com 95 kWh, vai de zero a 100 km/h em apenas 5,7 segundos - isso porque os dois motores elétricos, juntos, são capazes de gerar até 407 cv e 67,7 kgfm de torque instantâneo com o modo "boost" acionado. Em situação normal, chega a 355 cv e 57,1 kgfm.

Divulgação/Audi
Imagem: Divulgação/Audi
Preço em torno de R$ 500 mil

Seu preço deve partir dos R$ 480 mil na configuração mais simples e beliscar os R$ 600 mil quando forrado de opcionais, que incluem câmeras no lugar de retrovisores convencionais, que exibem a imagem externa em telas na parte interna das portas. Contudo, ele é muito mais do que gadgets e números.

Ainda que seja menos potente ou possua autonomia menor que seus concorrentes, como Mercedes-Benz EQC (402 cv, 450 km), Jaguar I-Pace (400 cv, 480 km) e Tesla Model X (423 cv, 565 km), com ele, a Audi consegue atingir dois objetivos simultâneos.

O primeiro é adequar a sua linha às restrições mais severas de emissões na Europa, que a partir de 2020 limita a 95 gramas de CO2 por quilômetro rodado por veículo vendido, e ainda coloca mais um SUV na linha de produtos, o segmento mais promissor da indústria, no Brasil e no mundo.

Divulgação/Audi
Imagem: Divulgação/Audi
SUV médio-grande

O e-tron mede 4,90 m de comprimento (10 cm a menos que um Q7 e 24 cm a mais que um Q5), 1,93 m de largura (6 cm a menos que o novo Audi Q8), e 2,93 m de entre-eixos (7 cm a menos que o Q7 e 8 cm extras frente ao Q5). A altura de 1,61 m é a mais aparente diferença: o elétrico é bem mais baixo que os "irmãos".

No quesito altura, a diferença para o Q7 é de 14 cm. Isso porque a aerodinâmica é fator fundamental no e-tron, que, apesar da grande área frontal, produz um coeficiente de arrasto (Cx) de apenas 0,27 quando equipado com câmeras no lugar dos retrovisores. Segundo a Audi, esse é um dos fatores responsáveis por um acréscimo final de até 30% na autonomia do conjunto, rodando no ciclo europeu de consumo.

Por dentro, a experiência beira o infalível. Além de não promover nenhum ruído, algo que o difere dos modelos Tesla, é tão bem isolado acusticamente que você mal ouve o ruído dos pneus no asfalto - algo bem perceptível nos elétricos da marca norte-americana.

A direção está longe da artificialidade, e a suspensão se esforça para não entregar o peso extra. Porém, quando do e-tron se depara com um dos raros buracos pelas ruas de Nova York (EUA), dá para perceber. A construção interna segue a linhagem dos carros mais caros da marca, como A8 e Q8, especialmente no modelo avaliado, com retrovisores convencionais.

As linhas bem horizontais trazem sobriedade que contrasta com a tecnologia de alto nível, evidenciada tanto no painel digital Virtual Cockpit de altíssima definição quanto nas outras duas telas táteis no console central.

Na tela posicionada na parte superior, é possível ativar as funções de pareamento de celular por Android Auto e Apple CarPlay, navegação, rádio e configurações do carro. Na interior, pode-se alterar os sete modos de condução e o climatizador na parte inferior. Há também várias opções de visão da câmera, opcional de visão noturna e aquecimento e resfriamento do assentos.

Como funciona?

O espaço faz jus ao estilo SUV, e a sensação tanto para quem viaja à frente como atrás, é de que há mais lugares para cabeças e pernas dos ocupantes do que nos irmãos Q5, Q7 e Q8. Para que viaja trás, há climatização individual para dois ocupantes e o túnel central tem pouco mais de 6 cm de altura, algo incomum para SUVs com tração nas quatro rodas como o E-Tron. Contudo, o sistema obviamente se difere dos carros a combustão.

Há um motor elétrico por eixo, e o que fica no traseiro é responsável majoritário pela condução, com 188 cv. Quando se precisa de força extra , ele distribui a força entre os dois eixos, na frente há 166 cv disponíveis. Ao se adequar o sistema ao modo de condução, você pode ter um SUV esportivo para o asfalto, ou erguer a carroceria em até 7,6 cm e ultrapassar caminhos tortuosos com tração 4x4 inteligente.

Você pode estranhar um carro elétrico, que tem apenas uma marcha à frente e outra à ré, trazer paddle-shifters, atrás do volante. Elas também servem para regenerar a energia para recarregar as baterias. Além da recuperação por desaceleração ou frenagem tidas como normais, pode-se aciona a aleta à esquerda para aumentar o processo de recuperação de energia, com mais atuação do freio-motor, ou diminuir essa regeneração pela aleta da direita, como se você diminuísse com aumentasse as marchas em um carro com câmbio automático.

A recarga do conjunto de 95kWh pode se dar por um cabo que já vem de série no carro com capacidade de 22kWh, e adaptando a sua tomada para 220V, ele consegue "encher o tanque" elétrico em 4 horas e meia de carga. Em uma tomada convencional de 110V sem adaptação necessária a recarga levaria 100 horas para acontecer. Há ainda uma opção ultrarrápida de recarga, opcional sem preço definido e divulgado, que poderá recarregar as baterias totalmente em apenas 45 minutos. Em meia hora essa carga chega aos 80%.

Vale lembrar que o preço médio do kWh em uma residência que consuma acima de 220kWh mensais, custa em média R$ 0,73. Assim, a cada abastecimento completo do E-tron sairia R$ 69,35. Em um Audi Q5 2.0 turbo, por exemplo, que contempla 70 litros no tanque, esse custo é de R$ 287, considerando o preço médio de R$ 4,10 por litro de gasolina. Mas com autonomia de 595 km por tanque, 195 km a mais que o E-tron.

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*Viagem a convite da Audi

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