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Renegade: visitamos nos EUA a trilha que o SUV mais vendido do Brasil passa

Rodrigo Mora

Colaboração para o UOL, em Chelsea (EUA)*

23/08/2019 07h00

Por trás do pacato motor 1.8 e da pecha de SUV urbano do Jeep Renegade, há um carro capaz de atravessar lamaçais de quase meio metro de profundidade e transpor terrenos que outros pares do segmento jamais sonhariam atravessar. O mesmo é possível dizer do Compass, utilitário esportivo mais vendido em 2017 e 2018 e hoje o segundo, atrás justamente do Renegade - são 34.204 e 38.837 emplacamentos, respectivamente, até julho, segundo dados da Fenabrave, a associação dos concessionários.

Mas bancar o carro do Tarzan não é para qualquer um. Só os modelos da versão Trailhawk - equipada exclusivamente com motor 2.0 turbodiesel, de 170 cv e 35 kgfm de torque, câmbio automático de nove marchas e tração 4x4 - têm competência para encarar um off-road real. E custa caro: são R$ 145.990 pelo Renegade e R$ 181.990 pelo Compass.

FCA
Imagem: FCA
A versão casca grossa dos jipinhos é a única a receber o selo "Trail Rated" (em português, algo como "classificado como trilheiro"). Trata-se de um programa de certificação da Jeep baseado em cinco pilares:

Tração: "ajuda a manter controlado o movimento de avanço na neve, no gelo, na areia e na lama";

Distância do solo: "ângulos de entrada, transposição e saída otimizados para vencer troncos, pedras e terrenos irregulares";

Articulação: "quando uma ou mais rodas estão suspensas, o sistema 4x4 ajuda as demais a manter o contato com o solo por mais tempo, para se moverem firmemente à frente";

Manobrabilidade: "direção precisa e distância entre-eixos otimizadas permitem a navegação especializada em todos os momentos";

Travessia de água: "adicionais vedações elétricas e da carroceria e uma tomada de ar em posição alta para atravessar trechos de água".

Cada item tem sua própria métrica. "Dependendo da habilidade, o carro tem mais pontos numa escala formada por algoritmos próprios", explica Bernie Trautmann, chefe de desenvolvimento de veículos off-road da Jeep.

Na distância do solo, o Renegade chega a 22,1 centímetros, enquanto o Compass não passa de 21,6 e picape Gladiator crava 28,2 cm. Quanto à capacidade de imersão, os SUVs urbanos empatam com 48,3 centímetros, enquanto os valentões Wrangler e Gladiator afundam 76,2 cm.

FCA
Imagem: FCA
E por aí vai...

"Nosso carro mais capaz é o Wrangler Rubicon de duas portas. Não apenas pelos benefícios dos eixos blocantes, mas também pelo seu entre-eixos curto, o que melhora o grau do ângulo de transição", continua Trautmann. "Essa é a parte objetiva. E há também as subjetivas, como visibilidade, contato com a natureza, sensação de estar ao ar livre, pois parte do ato de dirigir é subjetivo. Eu sinto de uma forma e você, de outra", conclui.

Claro que cada carro tem seu propósito. "Toda vez que desenvolvemos uma plataforma nova pensamos no que aquele carro deve ser bom. Nem todos querem ser um Wrangler. O Renegade tem outra proposta, e por isso sua tração eletrônica não precisa ser tão poderosa quanto a mecânica. E estamos bem com isso", explica o engenheiro, que tem quatro Jeeps em casa, um para cada situação.

FCA
Imagem: FCA
Selva de pedra

UOL Carros foi até o Chelsea Proving Grounds, em Michigan, nos Estados Unidos, onde fica a trilha Lyman. É por ela que os modelos da Jeep passam antes de receber o selo Trail Rated.

Começamos pelo Compass, o mais "civil" dos modelos da Jeep, que mostrou desenvoltura em todos os obstáculos. Até naqueles mais intimidadores, como o de travessia de um lamaçal digno de filme de terror. Eu não teria encarado se estivesse numa trilha qualquer, sem a certeza de que já haviam passado ali antes. Mas o Compass passou apenas sacolejando a carroceria, sem titubear.

Talvez o desafio que mais exponha a distância entre os modelos mais "civis" e os mais "guerrilheiros" seja o da articulação, onde as rodas afundam em crateras posicionadas diagonalmente. A sensação é que Renegade e Compass vão tombar quando a roda dianteira direita afunda no buraco e as demais ficam no ar. Mas é só manter a calma e esperar o equilíbrio estabilizar. Um leve toque no acelerador e o carro avança, pendendo para o outro lado, como se fosse uma gangorra.

Depois montamos na Gladiator, a picape baseada no Wrangler que provavelmente será o único carro capaz de andar sobre a Terra devastada após um Armageddon.

Na travessia d'água, o lamaçal virou uma poça de parquinho infantil. Na articulação, chegamos a pensar "o que fizeram com o obstáculo que estava aqui?", tal a tranquilidade da picapona rodar sobre os buracos. E o que pareceu o Everest pro Compass numa subida de rampa, a Gladiator encarou como um degrau.

Pena que, segundo cálculos da Jeep, ela desembarcaria no Brasil esbarrando nos R$ 350 mil, e portanto a marca - ao mesmo oficialmente - nem cogita lançar a picape por aqui. Mas devia.

* Repórter viajou a convite da FCA

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