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Testamos: novo Renault Sandero R.S é Sandero caro, mas esportivo barato

Vitor Matsubara

Do UOL, em Mogi-Guaçu (SP)

20/08/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Versão esportiva ganhou mesmo visual da linha 2020 do Sandero
  • Motor 2.0 de 150 cv ainda é destaque por desempenho empolgante
  • Carro foi primeiro projeto da Renault Sport fora da França

Pagar R$ 70 mil em um Sandero parece caro demais, certo? Se a sua resposta foi sim, vou te convidar a analisar o Sandero R.S. de uma forma mais emotiva do que racional. Que tal desembolsar R$ 70 mil (ou R$ 69.690, para ser mais preciso) por um dos carros mais divertidos do mercado, capaz de diverti-lo com uma receita típica dos antigos esportivos nacionais? É, de repente ele vira um belo negócio.

Basta uma volta rápida com a versão mais nervosa do hatch para descobrir do que ele é capaz. Não é só um esportivo de fachada: o modelo foi o primeiro projeto desenvolvido pela Renault Sport fora da França. Partindo da base de um pacato Sandero, os engenheiros atingiram um belo resultado sem custos exorbitantes.

Um dos segredos foi aproveitar "ingredientes" da própria casa, como o motor 2.0 16V que também equipa a família Duster. No Sandero ele entrega 150 cv a 5.750 rpm e desafia o motorista a ir até as 7.000 rpm. Perto desta faixa é que soa um bipe indicando a hora certa de trocar de marcha. O câmbio manual de seis velocidades, aliás, oferece trocas curtas e precisas. O torque máximo é de 20,9 kgfm a 4.000 rpm.

Feito para correr

Não há forma melhor de explorar todo o potencial do Sandero R.S. do que em uma pista. E foi exatamente o que fizemos no Autódromo Velo Città, em Mogi-Guaçu (SP).

Durante nosso breve contato em um dias do evento Acelerados Fast, o hatch mostrou que ainda está em plena forma. A suspensão tem calibragem surpreendentemente rígida para um automóvel produzido em série. Se penaliza os ocupantes no uso diário, por outro ela se mostra acertada para uso em pista. Da antiga série limitada Racing Spirit vieram os pneus originais Michelin Pilot Sport 4, que possuem boa aderência para uma tocada esportiva.

O som que sai do escape duplo é grave e instigante. Faz jus ao visual invocado, que inclui kit aerodinâmico, difusor no para-choque traseiro e belas rodas de 17 polegadas - podendo ser trocadas por um conjunto aro 18.

A reestilização da gama Sandero, aliás, não foi aplicada na dianteira do R.S., mas as lanternas prolongadas na traseira (com lentes fumês) ficaram ainda mais bonitas na versão esportiva. Os adesivos laterais ficaram mais discretos e bonitos, com direito até a uma bandeirinha da França.

Por dentro, os bancos dianteiros possuem abas pronunciadas para "segurar" bem o corpo dos passageiros. A posição de dirigir também agrada e o volante tem boa empunhadura. A direção tem comportamento bastante direto e tem peso adequado, muito diferente do ajuste pesado demais das versões mais pacatas do Sandero.

Segurança também foi uma das preocupações da Renault: além de ter ganhado 14 quilos de reforços estruturais, agora o hatch vem com cintos de segurança de três pontos e encostos de cabeça para cinco ocupantes.

Vale a compra?

O Sandero R.S. é uma espécie em extinção, de um tempo em que as fabricantes transformavam carros populares em esportivos nacionais. Mas ele não é apenas um hatch mais simples com um "motorzão". Nota-se um capricho fora do comum no projeto do R.S, que recebeu atenção por parte da Renault Sport para não ser apenas mais um esportivo de fachada.

Caro sem dúvida ele é. Mas não há escolha mais acessível para quem procura um carro compacto em que a diversão vem antes da função. Se esse for o seu caso, assine o cheque e seja feliz.

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