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Carro mais caro? Atualizamos preços de 10 lançamentos de 2011 pela inflação

Segunda geração do Evoque chega ao Brasil por mais de R$ 300 mil... mas poderia custar mais - Vitor Matsubara/UOL
Segunda geração do Evoque chega ao Brasil por mais de R$ 300 mil... mas poderia custar mais
Imagem: Vitor Matsubara/UOL

Do UOL, em São Paulo (SP)

24/06/2019 07h00Atualizada em 24/06/2019 17h15

Resumo da notícia

  • Comparamos alta nos valores de carros no Brasil em 8 anos
  • Período equivale a troca de gerações no ciclo automotivo
  • Inflação acumulada no Brasil no período foi de 53,94%

Foi uma bomba! A apresentação da segunda geração do crossover premium Range Rover Evoque, na última semana, causou celeuma por conta dos valores anunciados. Com preços entre R$ 313 mil e R$ 322 mil, atraiu comentários do leitor de UOL Carros, como estes:

Tá de Brincadeira com esse preço. Tem outras opções melhores por esse preço absurdo
Eu Falo Mesmo Denovo

Belo salto no preço. De R$ 240 k para R$ 312 k. Nada mal
VegasShift

E citamos apenas duas das inúmeras reações, ambas com teor leve de reclamação.

De fato, considerando o valor de lançamento da versão mais equipada, topo de gama, tivemos elevação de quase 40% na comparação entre as duas gerações do Evoque, que estreou no Brasil em 2011. E isso mexe sensivelmente com o mercado, uma vez que o carro foi alçado à condição de "sonho de consumo no Brasil" desde sua chegada.

No Reino Unido, o novo Evoque não trocou de patamar: as mesmas 44 mil libras de 2011 são pedidas atualmente pelas versões mais equipadas.

Fonte ligada à Land Rover do Brasil afirmou a UOL Carros que, apesar da elevação no patamar cobrado, a empresa ainda estava trabalhando bastante dentro do aceitável. Na conta do nosso informante, a diferença ficava "muito abaixo da inflação brasileira do período" e não representava a evolução de produto, que cresceu em porte, em segurança, eficiência e tecnologia, segundo a marca. Nem a variação extrema do câmbio, por conta da desvalorização do real. E ainda atendendo aos novos padrões impostos localmente pelo "Inovar-Auto" (desde 2012) e "Rota 2030" (final do ano passado).

Seguindo esta deixa -- e considerando que o ano de 2011 foi muito bom economicamente (PIB elevado em 7% no ano anterior, mercado automotivo em expansão de segmentos e entregando um total de 3,42 milhões de carros de passeio e comerciais leves) -- resolvemos comparar o valor das configurações mais equipadas de 10 importantes lançamentos daquela safra com seus equivalentes atuais.

Achou o Evoque "careiro"? Cobalt LTZ subiu acima da inflação em oito anos - Divulgação
Achou o Evoque "careiro"? Cobalt LTZ subiu acima da inflação em oito anos
Imagem: Divulgação

Como escalamos

Não foi uma lista fácil de definir. Foram 92 estreias em 2011. De lá para cá, temos exatos oito anos decorridos, tempo que define o ciclo habitual da indústria de carros (quatro anos para uma revitalização de meia-vida, mais quatro para troca de geração). Muita coisa se alterou: o segmento de SUVs explodiu, o de hatches médios e peruas praticamente morreu; os eletrificados estão entre nós.

E ainda tivemos modelos que chegaram ao Brasil naquele ano e que não resistiram às mudanças do mercado. Poderíamos ter um time só de "aposentados precoces": Renault Fluence; Peugeot 408; Citroën C4/Grand C4 Picasso; JAC J3, J5 e J6; Fiat Bravo; Kia Cadenza; MG 5 e MG 660; Fiat 500; Chevrolet Captiva; Land Rover Freelander 2; Ford New Fiesta Hatchback.

No fim das contas, é possível perceber que o preço do carro se elevou nominalmente, fato. Sobretudo de sedãs médios, com altas de mais de R$ 30 mil nos modelos citados, fazendo disparar o patamar deste segmento.

Se considerarmos a inflação do período, porém, veremos elevações até que palatáveis. Pelo índice oficial do IBGE, o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), tivemos 53,94% de inflação acumulada em oito anos. Ou seja, nosso dinheiro perdeu mais da metade do poder de compra.

Jetta colocou Volks de volta do jogo dos sedãs médios, mas subiu 34% na troca de gerações - João Mantovani/Fullpower
Jetta colocou Volks de volta do jogo dos sedãs médios, mas subiu 34% na troca de gerações
Imagem: João Mantovani/Fullpower

Isso tudo colocado, UOL Carros selecionou 10 modelos característicos, abrangendo os diferentes segmentos do mercado. Os preços listados são sempre os das versões mais equipadas (mais caras, portanto) de lançamento em 2011, comparando-os aos valores de versões equivalentes atuais.

Não serve de consolo, mas pode levar a novos tipos de considerações. Vamos ao cálculo:

1. Chery QQ

Carro chinês no Brasil? Foi em 2011 que tudo começou, com a invasão de Chery, JAC e até MG, pegando carona em movimento iniciado pouco antes como Effa, Lifan e marcas menos lisonjeiras. A ideia do QQ era uma só: ser o carro mais barato do Brasil.

Preço em 2011: R$ 22 mil
Versão equivalente atual (New QQ): R$ 24.990
Diferença: R$ 2.990 (13,59%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 33.867

2. Nissan March

Depois de anos apostando em utilitários, a Nissan abriu nova fase no Brasil mirando o segmento de carros de passeio. Antes, porém, de liberar a fábrica de São José dos Pinhais para a Renault e abastecer o mercado via Resende (RJ), a Nissan iniciou vendas do hatch March (ao lado do sedã Versa) pelo México, com valor inicial de R$ 27.790.

Versão de topo em 2011: R$ 39.990 (1.6 SR manual)
Versão equivalente atual (mesma geração): R$ 56.490 (1.6 SV manual; 1.6 SL CVT custa R$ 65.190)
Diferença: R$ 16.500 (41,26%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 61.562

3. Renault Sandero

Em 2011, o Sandero era o "best seller" da marca francesa, após um facelift muito bem orientado, que deixou tanto hatch, quanto sedã atraentes. Mais: os preços do modelo 2011/2012 tiveram redução para linha anterior, começando em R$ 29.690. Deixando o aventureiro Stepway de lado, temos:

Preço em 2011: R$ 40.400 (1.6 Privilège 8V manual)
Preço equivalente atual (mesma geração): R$ 51.340 (Expression 1.6 16v SCe manual)
Diferença: R$ 10.940 (27,07%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 62.193

4. Volkswagen Polo

Canto do cisne da quarta geração do "carro global", o Polo 2012 brasileiro trazia visual feioso (enquanto a Europa aproveitava a quinta geração), bem como equipamento depenado. Mas mantinha boa dirigibilidade. Falando especificamente do hatch, os preços partiam de R$ 44.390.

Preço em 2011: R$ 54.790 (Sportline 2.0 manual)
Preço atual (sexta geração): R$ 75.820 (Highline 1.0 TSI 6AT)
Diferença: R$ 21.030 (38,38%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 84.346

5. Chevrolet Cobalt

Em 2011, parecia um "tiro no pé" trocar o Astra por um modelo de base compacta, mas o Cobalt se tornou queridinho dos consumidores da Classe C, objetivo à época graças ao preço inicial de R$ 39.980, mas também do segmento frotista. Recheado de itens de conforto e bom de espaço, chegou apenas com câmbio manual, mas acrescentou a ótima opção do câmbio automático de seis marchas já na linha 2012.

Preço em 2011: R$ 45.980 (LTZ 1.8 MT)
Preço equivalente atual (mesma geração): R$ 79.190 (Elite 1.8 AT6)
Diferença: R$ 33.210 (72,22%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 70.783

6. Chevrolet Cruze

Uma "nova GM" pedia também novidade no clássico segmento de sedãs médios. Também causou estranhamento a troca do Vectra pelo Cruze, carro global da marca Chevrolet. Menor, mas bom de equipamentos, partia de R$ 67.900.

Preço em 2011: R$ 78.900 (LTZ 6AT)
Preço equivalente atual (nova geração): R$ 108.990 (LTZ 6AT)
Diferença: R$ 30 mil (38,02%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 121.462

7. Volkswagen Jetta

Como encarar de fato Toyota Corolla e Honda Civic? A geração de 2012 do Jetta abriu mão de motores potentes por um pacote mais global e racional, mantendo fabricação no México, partindo de R$ R$ 65.755. Não bastou, o que fez a Volkswagen apostar na sua mais versátil plataforma, a MQB do Golf, para a atual geração.

Preço em 2011: R$ 89.520 (Highline 2.0 TSI 6AT)
Preço equivalente atual (nova geração): R$ 144.990 (GLI 350 TSI 6DSG)
Diferença: R$ 55.470 (61,96%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 137.811

8. Mercedes-Benz Classe C

Nova geração em par com a Europa, downsizing (motor inicial ainda era o 1.8 CGI de 156 cv)... o Classe C 2012 partia de R$ 116.990 para emplacar mais de 6 mil carros. E ainda não era fabricado no Brasil.

Preço em 2011: R$ 191.900 (C 250 Sport, 204 cv)
Preço equivalente atual (nova geração): R$ 228.900 (C 200 1.5 turbo EQ Boost, 183 cv)
Diferença: R$ 37 mil (19,28%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 295.419

9. Renault Duster

Ideia de ouro da Renault: trazer um projeto de baixo custo (romeno) para competir com o único SUV compacto de alta liquidez do mercado nacional. Para caçar o EcoSport, o Duster chegou em versões 4x2 e 4x4 e preço inicial de R$ 50.990.

Preço em 2011: R$ 64.600 (4x4, 2.0 manual)
Preço equivalente atual (mesma geração): R$ 82.090 (4x4, 2.0 manual)
Diferença: R$ 17.490 (27,07%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 99.448

10. Range Rover Evoque

A Land Rover chocou o mundo ao transformar um conceito que parecia ousado demais, futurista demais, apertado demais para um SUV num carro real, sem mudar praticamente nada. Ao estrear no Brasil por R$ 164.900 iniciais, o Evoque definiu novos parâmetros para o termo "sonho de consumo"do segmento premium.

Preço em 2011: R$ 231.900 (2.0 turbo, 240 cv, Dynamic + Dynamic Tech 4P)
Preço equivalente atual (nova geração): R$ 322.300 (2.0 turbo, 300 cv, R-Dynamic HSE Black)
Diferença: R$ 90.400 (38,98%)
Se fosse atualizado pela inflação: R$ 356.997

Cálculos feitos, o que você acha dos valores cobrados no Brasil? Deixe seus comentários!

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