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Carros elétricos


Sem "balbúrdia", universitários da UFV produzem carro elétrico de corrida

Divulgação/Universidade Federal de Viçosa
Protótipo de carro elétrico de corrida Imagem: Divulgação/Universidade Federal de Viçosa

Daniel Leite

Colaboração do UOL, em Juiz de Fora (MG)

2019-06-02T07:00:00

02/06/2019 07h00

Além de responsável pelas principais pesquisas do Brasil, as universidades públicas reúnem os jovens que serão os profissionais do futuro. Entre eles estão alguns estudantes de engenharia, que mesmo com uma verba restrita, construíram um protótipo de carro elétrico de corrida na Universidade Federal de Viçosa-MG (UFV).

Os estudantes universitários brasileiros realizaram em maio duas manifestações contra o governo de Jair Bolsonaro. Tudo começou como uma reação ao ministro da Educação, Abraham Weintraub, que afirmou que iria cortar a verba de algumas universidades federais que faziam "balbúrdia".

No entanto, o ministro foi criticado e mudou o discurso ao afirmar que o contingenciamento era para a verba discricionária e que iria atingir todo o setor educacional, sendo R$ 1,704 bilhão sobre o ensino superior federal.

Divulgação/Universidade Federal de Viçosa
Imagem: Divulgação/Universidade Federal de Viçosa

O projeto do carro elétrico

Os alunos produziram um carro de corrida elétrico para a Fórmula SAE, que será realizada no final de novembro, em São Paulo. Criado em 2004, o evento tem provas dinâmicas e estáticas para avaliar os projetos na pista, além de ser uma vitrine de futuros profissionais para as montadoras.

Na preparação, o estudante Edson Silva, 22, tem um problema crucial para resolver quando o assunto é carro elétrico: a bateria. Aluno de engenharia mecânica e diretor de projeto de um grupo de quase 50 estudantes, ele precisa alinhar toda a parte técnica do protótipo e solucionar o impasse da bateria.

Mas as decisões de Edson passam também pelo futuro engenheiro elétrico Leonardo Albuquerque, chefe de bateria da UFVolts Majorados, nome da equipe criadora do veículo.

O protótipo tem 1.625mm entre eixos, bitola de 1.320mm e 130cm de altura. A potência do motor é de 13 cavalos e alcança 70 km/h. Com o piloto, pesa, aproximadamente, 350 kg. O condutor "ideal", pelos cálculos do grupo de futuros engenheiros, precisa ter em torno de 70kg, podendo chegar a 95kg.

Por ser mais leve, menos prejudicial ao meio ambiente, dar mais autonomia pro carro e ter melhor potencial energético, a tendência é que seja utilizada a bateria de lítio. Só que ela é mais cara - R$ 17 mil contra R$ 1,2 mil do modelo em chumbo. Por isso, esse é o problema que atualmente mais tira o sono do grupo de 47 estudantes. "É uma questão difícil", resume Leonardo.

Naelton Cabral diz ter interesse na solução do problema, afinal, é o chefe de suspensão e direção da equipe. "A escolha entre bateria de chumbo e de lítio influencia. Se for escolhida a de chumbo, o carro vai ficar mais pesado, e vou precisar de uma suspensão diferente. Um carro de competição nunca está com o projeto de direção e suspensão pronto", diz o universitário.

O pano de fundo é que estudantes de engenharia possam aplicar na prática o aprendizado da universidade, com um ingrediente muito atraente, que é a presença de integrantes de grandes montadoras. "As empresas já conhecem o projeto e muitos alunos que participam saem na frente para serem inseridos no mercado de trabalho. É o grande retorno que a gente tem", diz o professor responsável pelo projeto do protótipo, Lucas Benini.

Divulgação/Universidade Federal de Viçosa
Imagem: Divulgação/Universidade Federal de Viçosa
Componentes

Em estrutura de aço e carenagem de fibra de vidro, o veículo tem partes do volante, por exemplo, feitas por impressão 3D.

Outros componentes também foram construídos pelos estudantes (caixa de direção, sistema volante), ou comprados (rodas e pneus), ou, ainda, projetados por eles e cortados e montados por uma empresa privada (engrenagens da transmissão).

O ex-capitão da equipe, agora gerente de simulação, Gabriel Fonseca, está de olho nisso. "A experiência é insubstituível porque na faculdade a gente tem várias disciplinas, mas não tem muita forma de aplicar. Nesse projeto, além de poder aplicar, a gente trabalha como uma empresa, com hierarquia, relatórios, prazos".

Como a verba de R$ 15 mil da UFV não é suficiente para bancar o projeto estimado em R$ 80 mil, os alunos estão sempre em busca de patrocínios. Fazem campanhas de arrecadação de verba e contam com a ajuda financeira de empresas, que auxiliam também cedendo peças.

Seleção

A UFVolts Majorados tem nove setores técnicos. O protótipo começou a ser concebido em janeiro de 2018 com o projeto virtual, desenhos, detalhes, simulações. A construção teve início no segundo semestre do ano passado.

Mas para fazer parte do grupo, os universitários passam por uma seleção baseada no que é feito nas grandes montadoras, com prova escrita, dinâmica, entrevista e processo de trainee.

E como toda equipe, essa também tem um capitão. Marco Antônio de Oliveira, de 23 anos, faz engenharia elétrica e é o mais antigo do grupo. Entre outras tarefas, faz contato com o departamentos da universidade, intermediação de discussões e tomadas de decisões. "A parte mais difícil é que a equipe é grande e tem uma diversidade, então eu tenho que buscar o melhor de cada um pra distribuir bem a tarefa".

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