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Em vídeo, Ghosn acusa executivos da Nissan de tramar um "complô" contra ele

Após 108 dias preso em Tóquio, o executivo Carlos Ghosn foi libertado nesta quarta-feira - Issei Kato/Reuters
Após 108 dias preso em Tóquio, o executivo Carlos Ghosn foi libertado nesta quarta-feira
Imagem: Issei Kato/Reuters

Da EFE

Em Tóquio (Japão)

09/04/2019 12h11

O ex-presidente da Nissan Motor e Renault, o brasileiro Carlos Ghosn, acusou hoje os "executivos" da empresa japonesa de tramar um "complô" contra ele, "por medo de que a companhia perdesse sua autonomia" durante uma maior integração com a fabricante francesa.

Em uma mensagem divulgada hoje e gravada em vídeo antes de sua nova detenção, na última quinta-feira, em Tóquio, o executivo afirmou ser "inocente de todas as acusações apresentadas contra si", baseadas em "fatos tendenciosos e fora de contexto", segundo diz na gravação.

A razão do complô é "o medo que houve entre alguns executivos da Nissan" de que uma maior integração da empresa japonesa dentro da aliança com a Renault "pudesse trair a essência (da empresa) e comprometer sua autonomia", disse Ghosn, na mensagem divulgada pelos seus advogados.

Ghosn gravou esta mensagem no dia anterior a sua última detenção, com o objetivo de divulgá-la aos veículos de imprensa "em caso que novas ações da promotoria lhe impedissem de falar publicamente", segundo disse o chefe de sua equipe de advogados, Junichiro Hironaka, em entrevista coletiva.

O vídeo incluía uma menção de Ghosn "aos nomes reais dos altos executivos", indicado pelo "complô contra ele", embora seus advogados decidissem cortar essa parte da mensagem "para não prejudicar o caso" após sua última prisão.

"Em um momento como este, seria inadequado ter o réu especulando, então foi decidido fazer isso", disse Hironaka, explicando que a equipe jurídica conversou com Ghosn para "convencê-lo" de que essa era a opção mais apropriada.

Na última quarta-feira, um dia antes de ser preso novamente por acusações adicionais, o ex-dirigente da aliança conformada por Nissan, Renault e Mitsubishi Motors tinha convocado uma entrevista coletiva para o próximo dia 11, com o objetivo de "contar a verdade" sobre o caso, segundo expressou em mensagem publicada em seu perfil do Twitter.

Hironaka também observou que havia "vários elementos suspeitos" em torno da última prisão de Ghosn, e que o objetivo da acusação poderia ser "tentar incriminá-lo para que ele confessasse".