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Para Kia, ainda é melhor trazer o carro da Coreia do que importar do México

Kia Rio 4 flagrante - Murilo Góes/UOL
Kia Rio 4 flagrante
Imagem: Murilo Góes/UOL

Thais Villaça

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/04/2019 12h56

Resumo da notícia

  • Mesmo com acordo, Kia ainda prefere trazer os modelos direto da Coreia
  • País asiático proporciona um valor menor para o preço final do carro
  • Uma das questões que atrapalha importação do México é a flutuação cambial

Presidente da Abeifa (Associação Brasileira das Empresas Importadoras e Fabricantes de Veículos Automotores) e da Kia Motors, José Luiz Gandini afirmou hoje que o novo acordo de livre-comércio entre Brasil e México não muda absolutamente nada para boa parte das marcas importadoras de carro (sem fábrica instalada no país), neste momento. É discurso bem diferente daquele pregado pela Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores), que diz não ser contra o livre-comércio, mas que prega impostos mais racionais para que o sistema não prejudique fábricas locais.

"Para nós não muda nada, pelo menos por enquanto. Ainda não sei o que pode acontecer. Pode ser que a competitividade dos carros mexicanos aumente com o passar do tempo, mas agora não há alterações", afirmou Gandini.

Segundo o executivo, que citou o próprio exemplo, à frente da marca sul-coreana, afirmando que sai mais barato e competitivo trazer seus modelos da Coreia do Sul do que do México. Ele reforçou que o país asiático proporciona, em razão do volume e dos custos envolvidos, um valor mais baixo para o veículo importado.

"A Kia não estava nem usando as cotas às quais tinha disponíveis porque os volumes estão baixos. Atualmente os carros coreanos para nós são mais baratos que os coreanos porque eles anulam o imposto de importação. Eu não consegui trazer o Rio até agora por conta do câmbio, a flutuação cambial tem mais influência para nós nesse caso que o acordo com o México," explicou o executivo.

Atualmente, a Kia traz apenas o sedã médio Cerato do México, preferindo manter a Ásia como origem de outros modelos. O projeto do compacto Rio segue atrasado em anos, por conta de indefinições de mercado e câmbio. -- ms também de "facilidade", na palavra de Gandini, em trazer os carros da Coreia do Sul.

Assim como a Hyundai, a Kia conta com benesses do governo sul-coreano, que gera subsídios no momento da exportação, tornando possível trazer os carros das duas marcas a valores mais competitivos (ou que pelo menos anulem o imposto de importação cobrado) no Brasil.

Com o final do prazo para o antigo acordo de cotas entre Brasil e México e a inação do governo federal, que preferiu não tratar sobre o assunto, passou a vigorar a cláusula de livre-comércio entre os dois países para carros de passeio -- forma que, segundo a Anfavea (associação de fabricantes instalados no Brasil) seria boa para o Brasil se os impostos internos fossem racionalizados (link). Caminhões e outros veículos pesados também devem passar para este regime em 2020, se nada de novo for acertado entre os países.