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Queda nas exportações à Argentina paralisa fábricas de automóveis no Brasil

Fábrica da Volkswagen em Taubaté, no interior paulista - Divulgação
Fábrica da Volkswagen em Taubaté, no interior paulista
Imagem: Divulgação

Cleide Silva

De São Paulo (SP)

06/05/2019 16h07

Resumo da notícia

  • Baixas vendas para país vizinho é um dos motivos para paralisar linha da VW
  • Exportações de veículos para Argentina caíram 54% no 1º trimestre
  • Crise argentina derruba vendas de veículos feitos aqui
  • Presidente da Volks cobra melhora na infraestrutura brasileira

A redução das exportações para a Argentina, que no mercado total de automóveis caíram 54% em valores no primeiro trimestre, é uma das razões que levará a Volkswagen a suspender toda a produção da fábrica de São Bernardo do Campo (SP) por três semanas a partir de 24 de junho.

O grupo é o maior exportador de veículos do país e, assim como demais montadoras, tem como principal destino a Argentina, que passa por severa crise desde meados de 2018. Por causa da queda, os automóveis saíram da lista dos dez produtos mais exportados pelo Brasil, agora composta só por commodities e plataforma de petróleo.

"O único produto que furava essa fila eram os automóveis, mas desde o ano passado eles não aparecem mais na lista", diz José Augusto de Castro, presidente da AEB (Associação do Comércio Exterior do Brasil). Segundo ele, no primeiro trimestre o Brasil exportou US$ 543 milhões (cerca de R$ 2,15 bilhões na conversão direta) em automóveis para a Argentina, ante US$ 1,18 bilhão (R$ 4,7 bilhões) em igual período de 2018. Em caminhões, caiu de US$ 393 milhões (R$ 1,55 bilhão) para US$ 77 milhões (R$ 304,4 milhões).

País vizinho concentra 70% das exportações de veículos

A dependência do país vizinho, que fica com 70% das vendas externas de veículos, leva as empresas a fortalecerem a antiga bandeira de que o governo deveria adotar medidas urgentes para melhorar a competitividade do produto nacional para disputar mercados que vão além da América Latina.

Um dos entraves são os altos tributos. "Hoje exportamos entre US$ 3 mil (R$ 11,9 mil) e US$ 4 mil (R$ 15,8 mil) em impostos em cada carro", afirma o presidente da Volkswagen América Latina, Pablo Di Si. "Os diferenciais de nossos carros como tecnologia, inovação e design estão disponíveis. Falta agora criar condições em termos de infraestrutura e regime tributário que possam alavancar a competitividade também de nossos custos."

No ano passado, já sob o impacto argentino, as exportações da Volkswagen caíram 33,7% em relação a 2017, para 103,8 mil automóveis e comerciais leves, segundo a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores). Das vendas externas da empresa, 60% seguem para o país vizinho.

A empresa tem diversificado sua clientela e exporta para outros 16 mercados da região como Chile, México e Costa Rica. O recém-lançado T-Cross será vendido na África do Sul e na Ásia. A parada da produção em junho também servirá para ajustar a linha para a produção de outro veículo em desenvolvimento no país e que terá potencial para ser exportado a outros mercados fora da região.

Di Si defende ainda a melhora da infraestrutura como item de competitividade. "Nos portos, nossos carros ficam mais de duas semanas parados para liberação, enquanto no México ficam dois dias", afirma.

Burocracia

É preciso ainda reduzir a burocracia, acrescenta Ricardo Bastos, diretor de assuntos governamentais da Toyota. Um exemplo, diz ele, é que a montadora precisa importar alguns tipos de airbags não produzidos no Brasil e, como o produto é controlado pelo Exército, a liberação é demorada. "Já tivemos de interromper a produção por falta desse item."

A Toyota é uma das poucas montadoras que aumentou as vendas externas no ano passado, em 14,7%, somando 66,5 mil unidades enviadas a países como Peru, Costa Rica e principalmente Argentina - onde os modelos Etios e Hilux foram líderes de mercado.

O grupo FCA (Fiat Chrysler) reduziu suas exportações em 30% no ano passado, para 84,5 mil unidades. A empresa defende acordos comerciais de intercâmbio de produtos com outros mercados (além de Mercosul e México), que evoluam gradativamente para o livre comércio, após serem adotadas medidas de competitividade.

O recém-empossado presidente da Anfavea, Luiz Carlos Moraes, tem como meta de gestão a busca por medidas que gerem maior competitividade ao setor, que hoje opera com 60% de sua capacidade produtiva. Nas exportações, o setor teve sete anos seguidos de déficit, voltou ao superávit em 2016, mas o saldo teve forte queda em 2018 e pode ter nova redução este ano. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo".

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