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Por que novo Chevrolet Blazer foi "amaldiçoado" por trabalhadores nos EUA

David Welch

31/07/2019 09h38

Quando a General Motors disse que voltaria a fabricar o Chevrolet Blazer no ano passado, o anúncio trouxe lembranças do resistente SUV 4x4 de décadas passadas. Mas os funcionários da GM ficaram nostálgicos por uma razão diferente: o antigo modelo foi produzido pela última vez em uma fábrica agora fechada em Janesville, no estado de Wisconsin.

Para o desgosto do sindicato United Auto Workers (UAW), a GM decidiu fabricar o novo Blazer em uma fábrica em Ramos Arizpe, no México: decisão anunciada cinco meses antes inclui quatro fábricas dos EUA em uma lista de unidades que podem ser fechadas. Desde então, o sindicato tem "amaldiçoado" o veículo, que se tornou símbolo de ressentimentos antigos contra a estratégia da montadora de transferir a produção para outros países.

Para o sindicato, o Blazer "representa tudo o que está errado com o mundo", disse Kristin Dziczek, vice-presidente de indústria, trabalho e economia do Centro de Pesquisa Automotiva.

Embora o SUV tenha escapado até agora da ira do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e de seus adversários democratas de olho na Casa Branca, o mesmo não pode ser dito das demissões de trabalhadores americanos pela GM. As demissões se tornaram alvo de críticas de políticos de todos os tipos.

O porta-voz da GM, Jim Cain, disse que a decisão de fabricar o Blazer no México e os preparativos para montá-lo começaram há vários anos, quando a fábrica da montadora em Ohio produzia carros compactos Chevy Cruze em três turnos. As vendas caíram, e a empresa suspendeu a fabricação do veículo no início do ano.

A GM tinha espaço para fabricar o Blazer em Ramos Arizpe porque a empresa transferiu um SUV Cadillac dessa fábrica para outra no Tennessee, disse Cain, destacando que o SUV da Chevrolet usa utiliza peças dos EUA no valor de US$ 500 milhões por ano.

Polêmica

O Blazer e o destino dos trabalhadores sindicalizados também são temas polêmicos nas negociações deste verão entre a GM e o UAW para um novo acordo trabalhista de quatro anos.

O novo SUV se tornou motivo de ira de trabalhadores que correm o risco de perder o emprego caso não queiram ser transferidos para a outra fábrica da GM. Regina Duley está entre os cerca de 100 trabalhadores que permanecem em uma unidade de transmissão da GM em Warren, Michigan, e esta é sua última semana de trabalho antes da fábrica fechar as portas.

"Eu não compraria esse produto", disse Duley, que trabalha há 21 anos na fábrica, sobre o Blazer durante uma conferência de imprensa no sindicato Local 909, localizado do outro lado da rua da fábrica de Warren. "Como poderia comprá-lo quando o fabricaram no México e temos pessoas sem emprego aqui?".

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