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Cultura do carro


Picape tem de ser picape ou pode ter luxo?

Kyle Stock

14/04/2019 07h00

Resumo da notícia

  • Caminhonetes têm o mesmo preço que um sedã de luxo nos EUA
  • Mas ainda estão distantes no luxo e nos acessórios tecnológicos
  • Novos recursos reduziriam a enorme margem de lucro obtida com as caminhonetes

Um funcionário do setor de faturamento hidráulico, coberto de poeira das profundezas dos campos de petróleo de Dakota do Norte, entra em sua nova picape reluzente e aciona a ignição eletrônica. Ele se acomoda e uma fragrância tranquilizante de cedro sai do sistema de ventilação. No banco traseiro, busca um kombucha gelado, uma bebida fermentada à base de chá, no frigobar embutido. Com um céu artificial estrelado piscando no teto veículo, o motorista relaxa e permite que a picape o leve para casa.

Obviamente, este veículo não existe, pelo menos por enquanto. Embora montadoras americanas estejam exibindo caminhonetes cada vez mais opulentas e caras - algumas superando a cifra de US$ 80 mil (R$ 309 mil) -, o conforto e amenidades tecnológicas dessas máquinas ainda estão muito aquém do que consumidores normalmente encontram em carros de luxo com preços similares.

Ao entrar em uma das melhores picapes de meia tonelada disponíveis no mercado, encontraremos assentos de couro amanteigado, suficientes lixeiras e entradas para carregador sem fio para manter tudo organizado com padrão Marie Kondo, excelente wi-fi e um conjunto de recursos de segurança acionados, tais como alarmes na pista e controle automático de cruzeiro. Impressionante? Sim, mas apenas em relação ao desorganizado passado da picape americana. Esses tipos de recursos e aparatos de segurança digital estão disponíveis nos modelos da Subarushá anos.

O que falta nessas caminhonetes é o próximo nível de opulência que já é padrão em um luxuoso sedã vendido pelo mesmo preço. Os sistemas infoentretenimento para caminhonete ainda não podem ser navegados com gestos como os de uma BMW, os porta-luvas não são abastecidos com "atomizadores" de fragrância como os da Mercedes, os sistemas de som não podem ser ajustados para imitar a acústica do Concert Hall de Gotemburgo (como os da Volvo) e nenhuma dessas picapes luxuosas se deslocarão como um Cadillac não convencional, ou, na verdade, como um Tesla.

A razão, claro, é que tais vantagens reduziriam a enorme margem de lucro obtida com a venda de caminhonetes em um país obcecado com a credibilidade dos caubóis urbanos. Na General Motors, o preço da caminhonete GMC Sierra pode facilmente alcançar US$ 70 mil, mas o painel infotretenimento nunca aumenta muito mais do que a tela de um iPhone. Aqueles que optam pelo Cadillac CT6 da GM, no entanto, poderão desfrutar de 2,2 polegadas a mais de tela sensível ao toque.

"Há muito mais capacidade e versatilidade em uma picape, comparada a um sedã de luxo", disse o vice-presidente de marketing da GMC, Phil Brook. A versão mais barata da F-150, líder de mercado da Ford, custa cerca de US$ 28 mil (R$ 108 mil), embora um em cada dez compradores da F-150 tenha pagado mais de US$ 60 mil (R$ 232 mil), segundo dados da Edmunds.

"Realmente foi uma evolução para veículos sem compromisso", disse o diretor de marketing de caminhões da Ford, Todd Eckert. "Mas, no final das contas, uma picape tem que ser uma picape." E acrescenta: "Fragrâncias e coisas desse tipo normalmente não são coisas que nossos clientes estão interessados."

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