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EUA aprovam extradição ao Japão de envolvidos na fuga de Carlos Ghosn

Carlos Ghosn - Divulgação
Carlos Ghosn Imagem: Divulgação

Da AFP, em Washington (EUA)

29/10/2020 23h10

Os Estados Unidos aprovaram a extradição de um ex-soldado das Forças Especiais e de seu filho ao Japão, por terem ajudado na fuga do empresário do ramo automobilístico Carlos Ghosn, embora uma juíza tenha suspendido hoje o traslado.

O ex-Boina Verde Michael Taylor e seu filho Peter foram presos em maio, na região de Boston, devido a um mandado judicial expedido pelo Japão. Um documento da Justiça mostrou que o subsecretário de Estado, Stephen Biegun, aceitou o pedido dos japoneses, ressaltando que o Departamento de Estado havia considerado o caso "cuidadosa e minuciosamente".

"Confirmo que a decisão de entregar os Taylor ao Japão cumpre as obrigações internacionais aplicáveis, bem como os estatutos e regulações nacionais", destaca o documento, assinado pela assessora legal do Departamento de Estado Karen Johnson. Mas Indira Talwani, juíza federal de Massachusetts, suspendeu a extradição, para dar tempo à corte de revisar a demanda dos Taylor para que o caso seja examinado.

Pai e filho afirmaram que receberam um e-mail após as 22h de ontem informando que eles seriam enviados em um avião de Boston para Tóquio às 13h de hoje. Ambos são acusados de se fazerem passar por músicos e de terem transportado Ghosn em um avião privado, dentro de uma grande caixa preta usada para transportar equipamentos de áudio.

Os Taylor, que trabalham com o libanês George-Antoine Zayek, argumentaram que não teriam um julgamento imparcial no Japão e enfrentariam ações "opressivas e punitivas", em violação da Convenção da ONU contra a Tortura.

Os advogados dos Taylor classificaram a decisão do Departamento de Estado de "arbitrária e caprichosa", além de violadora das leis americanas, bem como do tratado de extradição dos Estados Unidos com o Japão. Eles afirmaram que Tóquio não apresentou provas suficientes do caso.

Um porta-voz do Departamento de Estado não deu detalhes sobre a decisão e disse que não discute pedidos de extradição pendentes.