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Patinetes elétricos no Brasil e América Latina: acidentes e lenta regulação

Eduardo Knapp/Folhapress
Imagem: Eduardo Knapp/Folhapress

Na Cidade do México

05/07/2019 14h20

Embora tenham chegado como uma promessa de mobilidade para as congestionadas e poluídas capitais latino-americanas, os patinetes elétricos enfrentaram um caminho de acidentes, lentas regulações e a oposição de alguns moradores.

De repente, milhares desses equipamentos apareceram na América Latina no ano passado, enviados por plataformas de "micromobilidade", como as startups americanas Bird, Lime e Scoot, a mexicana Grin, ou a brasileira Yellow.

Por cerca de meio dólar (cerca de R$ 1,90), mais 10 centavos (aproximadamente R$ 0,40) por minuto, qualquer pessoa com um smartphone e um cartão de débito pode subir e deixar para trás o congestionamento de algumas das cidades mais engarrafadas do mundo.

Outra grande vantagem, segundo seus defensores: os patinetes oferecem uma opção de transporte limpo em lugares que sofrem altos níveis de poluição.

Seus críticos alegam, porém, que apenas pioram o caos nas ruas.

Acidentes aumentam polêmica

Na Cidade do México, com mais de 20 milhões de habitantes e quase cinco milhões de automóveis, um homem sobreviveu em março à colisão com um carro, quando conduzia um patinete no sentido contrário. Outro acidente parecido aconteceu de madrugada e matou um homem na turística Zona Rosa.

Em Lima, no Peru, uma mulher teve fraturas, após ser atropelada por um desses veículos na calçada em abril. Em São Paulo, de janeiro a maio, chega a 125 o número de atropelamentos.

Os problemas para estes veículos, que podem alcançar até 40 km/h, estão apenas começando.

Assim como na Europa e nos Estados Unidos, onde viraram moda primeiro, na Cidade do México, em Lima, Bogotá (Colômbia) e São Paulo, há muitas reclamações, porque os patinetes circulam pelas calçadas e são largados em qualquer lugar, sem qualquer controle, bloqueando a passagem de pedestres e de outros veículos.

Alguns dos protestos foram aumentando. Na Cidade do México, por exemplo, moradores riscaram o código que permite aos usuários desbloquear os patinetes e imobilizaram outros com adesivos com a frase "agente agressor". Em Lima, uma pessoa jogou encosta abaixo um patinete que bloqueava o caminho.

"Parte do problema desta cidade é que ninguém respeita nada", diz Óscar Barrio, morador da Cidade do México, 44 anos, pouco depois de deixar seu patinete "bem estacionado" na calçada no bairro da Roma.

Oportunidade de expansão

As empresas de patinetes viram na América Latina uma oportunidade de expansão. A Lime anunciou que, no início de julho, vai começar a operar em São Paulo e no Rio de Janeiro, assim como em Buenos Aires e em Lima.

Já a mexicana Grin uniu forças com a brasileira Yellow para fortalecer sua presença na região.

Os patinetes facilitam a locomoção nos horários de pico nas capitais latino-americanas, que ocupam três dos primeiros cinco lugares (Bogotá, Cidade do México e São Paulo) na lista de cidades com o pior tráfego do mundo, segundo a empresa especializada Inrix.

Ao mesmo tempo, uma crescente classe média na região tem acesso a celulares e a um meio de pagamento virtual.

A escalada de conflitos e acidentes obrigou as autoridades de diferentes cidades a emitirem diretrizes para a operação de patinetes.

O primeiro ponto "é como podemos implementar mobilidade de 'scooters' e bicicletas, mas, ao mesmo tempo, garantir a segurança das pessoas que usam esses veículos", diz Iván de la Lanza, especialista da WRI, instituição que ajuda diferentes cidades a tratar de temas como mobilidade sustentável.

"O ambiente de insegurança viária ao redor (do patinete), as altas velocidades, a falta de regulação em veículos motores, a falta de infraestrutura segura: é o que está gerando a maior parte de acidentes", acrescenta.

Cultura

Na Cidade do México, as autoridades ordenaram que, assim como no caso das bicicletas, os patinetes circulem em ciclovias, ou nas ruas, e recomendaram o uso de capacete.

Além disso, estabeleceram o número de unidades que cada operadora pode ter e estabeleceram um pagamento que deve ser feito à capital por cada patinete. Tanto a Lime quanto a Grin podem ter, por exemplo, até 1.750 unidades.

"Acreditamos que (os patinetes) são bons, porque incentivam viagens não motorizadas. Acreditamos que regulá-los seja a melhor alternativa", diz a diretora-geral de segurança viária da Cidade do México, Fernanda Rivera.

Apenas em abril, as autoridades peruanas proibiram que os patinetes circulem pela vias de pedestres e estabeleceram um limite de velocidade de 20 km/h. Em Bogotá, o governo emitiu regras similares, além do uso obrigatório de capacete para os usuários.

No Brasil, o governo limitou a velocidade a 6 km/h em áreas de pedestres e, a 20 km/h, em ciclovias.

Apesar dessas regras, os usuários de patinetes na Cidade do México estão acostumados aos conflitos com motoristas, pedestres e ciclistas e pedem simplesmente mais educação da população.

"Infelizmente, faz falta um pouquinho de cultura", lamenta Joaquín Ramos, engenheiro de 33 anos que se dedica a recolher e recarregar os patinetes para ganhar cerca de 30 pesos (US$ 1,50 ou R$ 5,70) por cada um.

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