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Entenda por que a desejada Yamaha Ténéré 700 pode não chegar ao Brasil

Yamaha Ténéré 700 - Divulgação
Yamaha Ténéré 700 Imagem: Divulgação

José Antonio Leme

do UOL, em São Paulo (SP)

15/05/2021 04h00

No Salão de Milão de 2018, na Itália, a Ténéré 700 foi mostrada ao público em suas formas finais. Desde então há a expectativa pela chegada da moto que tinha a função de substituir a consagrada XT 660R, que saiu de linha no início de 2018.

Os fãs da Yamaha têm uma reclamação constante desde então: "onde está a Ténéré 700?" O modelo big trail de média cilindrada com estilo de moto do rali Dakar é desejada por muitos, mas deve continuar só no desejo.

Isso porque o problema da Ténéré 700 para seu desembarque aqui é mais complicado do que simplesmente a vontade da Yamaha em oferecer a trail.

A moto não consegue passar nas regras de emissões de ruídos do Brasil. Os limites estabelecidos pelo Promot (conjunto de regras de emissões de poluentes e ruídos) são mais restritos que os exigidos na Europa e Estados Unidos, por exemplo.

Enquanto na Europa, por exemplo, o teste de ruídos apenas limita a quantidade de decibéis emitidos, no Brasil há uma norma, ECE-R41-03, que inclui a velocidade e qual marcha deve estar durante o teste: cinco passadas a 50 km/h e em terceira marcha.

O problema é que mais do que simplesmente trocar o conjunto do escapamento, ponteira e silenciador, é preciso alterar o mapa de injeção da moto. Além disso, é preciso garantir que a moto antes de passar pela aprovação possa trabalhar com a gasolina nacional, que tem álcool na composição.

Yamaha Ténéré 700 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Custo x Mercado

Entra no pacote a exigência de nacionalização para ser competitiva. Apesar das paradas por causa do coronavírus, a fábrica da Yamaha trabalha hoje na capacidade máxima e um turno extra só para essa moto não se justifica. Ou seja, é um custo muito alto de investimento e desenvolvimento para um modelo que não irá ter vendas tão expressivas.

O motor da Ténéré 700 é o mesmo da naked MT-07: um dois cilindros em paralelo de 689 cm³ que entrega 73 cv. Na MT-07 a potência é ligeiramente maior: 74,8 cv. A grande diferença entre ambos é o sistema de escape, que gera uma reação em cadeia em níveis de emissões e ruídos.

Em nota aos questionamentos do UOL Carros, a Yamaha do Brasil preferiu não comentar o assunto, nem confirmar qual o motivo pelo qual a Ténéré 700 continua longe do Brasil e disse que não comenta produtos futuros.

Outros modelos já sofreram do mesmo mal

O problema de ruídos não é uma exclusividade da Ténéré 700 no Brasil. A rival da moto da marca japonesa, a BMW F 850 GS sofreu do mesmo mal. O motor de 853 cm³ rende 95 cv na Europa e EUA, mas para o Brasil ele foi "estrangulado" e ficou limitado a 80 cv.

A Honda Africa Twin 1100, que acabou de ser confirmada no País, também passou pelo mesmo problema. Dos 102 cv "europeus", ela vai entregar apenas 99,3 cv aqui. A diferença dessa vez foi menor do que na antecessora, a Africa Twin 1000. Na qual ela rendia 95 cv na Europa e só 88 cv no Brasil.

O maior problema da Yamaha em tentar adotar a mesma técnica para a Ténéré 700 é que ela já é naturalmente menos potente que as rivais e se passar pelo processo de "fritura" para ser aprovada no País ficará ainda mais fraca.

Yamaha Ténéré 700 - Yamaha - Yamaha
Imagem: Yamaha