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Motos imitam carros e entram na onda aventureira

Cicero Lima

Colaboração para o UOL, em São Paulo (SP)

30/05/2014 19h33Atualizada em 30/05/2014 19h34

A fim de pescar consumidores que gostam de um carro com apelo "fora-de-estrada", muitas montadoras de carros oferecem versões "aventureiras" de modelos que sequer são nascidos para rodar fora do asfalto.

Basta colocar alguns adereços em plástico, barras longitudinais no teto e pronto: populares urbanos como o Volkswagem Gol, Honda Fit Twist, Toyota Etios e Hyundai HB20 se transformam em Gol Rallye, Fit Twist, Etios Cross e HB20X. Na prática, essas versões de "aventureiras" não têm nada, e andam melhor quanto mais longe da lama e das pirambeiras.

Infelizmente, essa tendência chegou com força ao mundo das motos e parece ter rompido com a definição clássica de um modelo "aventureiro".

QUANDO ERA PARA VALER
Nos anos 1980, tudo era muito claro: ou a moto era de rua, ou de “trilha”. Marcas como Kawasaki, Honda e Suzuki vendiam verdadeiros tratores sobre duas rodas, feitos para encarar qualquer terreno acidentado. A lista era grande: Honda XL 250R e Africa Twin, Yamaha DT 180, Suzuki DR 650 e 800, e Kawasaki KLX 650, todas altas em relação ao asfalto, com rodas grandes e boa capacidade no tanque de combustível, para rodar nas mais diferentes expedições.

Honda Africa Twin - Divulgação - Divulgação
Honda Africa Twin: suspensão alta, rodas grandes e tanque de combustível com boa capacidade era a receita de uma aventureira de verdade
Imagem: Divulgação
Entretanto, assim como nos automóveis, essa divisão é coisa do passado nas duas rodas. Inspiradas nas quatro rodas, as fabricantes de motocicletas passaram a apostar em modelos com novas formas e funções, que respondem bem só em estradas muito bem pavimentadas e renegam aquele perfil verdadeiramente aventureiro.

A Kawasaki, por exemplo, trocou a valente KLX 650 pela comportada Versys 650; a Honda deixou a Africa Twin no passado e hoje tem as crossover CB 500X e NC 700X; já a Suzuki apostou na racionalidade das V-Strom 650 ABS e 1000 ABS. Todas seguem a mesma receita: pinta de aventureira, porém sem real capacidade para tal, pois mostram (muitas) limitações quando tiradas do asfalto.

AINDA HÁ OPÇÕES
Por sorte, ainda há marcas que seguem fiéis à proposta old school de uma aventureira, como Yamaha (reformulou a linha Ténéré, tanto de 1200 quanto de 660 cc), BMW (tem na R 1200 GS Adventure e na F 800 GS Adventure modelos consagrados entre os viajantes), Triumph (oferece a 800 XC e a 1200 Explorer XC, que começam a se firmar no mercado brasileiro) e KTM (que vende por aqui duas versões da 1190 Adventure). Todas sinônimos de longas expedições.

BMW R 1200 GS Adventure - Divulgação - Divulgação
Com jeitão de veículo militar, BMW R 1200 GS Adventure é uma das boas opções para quem quer passear fora do asfalto sem passar aperto
Imagem: Divulgação

Essas fabricantes investem em um consumidor que busca um produto que vai além da mera "cara" de aventureira, e provam que ainda há espaço a quem procura uma moto capaz de cruzar o mundo, qualquer seja o caminho.