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Luxo na garagem: veja quais foram os carrões mais vendidos em 2022

Série 3 é o carro de luxo mais vendido do Brasil - Divulgação
Série 3 é o carro de luxo mais vendido do Brasil Imagem: Divulgação
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Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

09/04/2022 04h00

O mercado de luxo foi um dos primeiros a se recuperar na época da pandemia no setor de automóveis. Os investimentos financeiros deixaram de compensar e gastos como os aplicados em viagens internacionais ficaram paralisados. Então, o cliente desses modelos, que sofreu menos com a crise, se voltou ao consumo de veículos.

Além disso, com a alta dos preços e a escassez de produtos, carros se transformaram em investimento no universo premium. Das maiores marcas de luxo que atuam no Brasil, a que mais sofreu na pandemia foi a Mercedes-Benz.

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Houve escassez de produtos, como para todas. Mas, no caso dessa montadora, que anunciou o encerramento das atividades de sua fábrica de Iracemápolis (SP) em dezembro de 2020 (voltando à condição de importadora), o principal problema foi o atraso da chegada da nova geração de seu carro-chefe, o Classe C.

Com isso, a Mercedes-Benz foi perdendo espaço e vendo o principal rival de seu sedã, o BMW Série 3, triunfar praticamente sozinho no mercado. Porém, houve também uma decisão da marca de reposicionar seus produtos. O novo GLA, que traz um motor 1.3 turbo de origem Renault, veio a princípio apenas em catálogo recheado de equipamentos, e custando ao menos 50% a mais que seus concorrentes.

Como resultado, a Mercedes-Benz, que no início da pandemia era vice-líder de vendas, caiu para a quarta posição no primeiro trimestre de 2021. No entanto, o resultado dos três primeiros meses deste ano mostra uma recuperação da marca alemã.

A Mercedes voltou ao segundo posto, ficando atrás apenas da BMW (leia mais sobre essa montadora abaixo). A primeira somou 2.765 emplacamentos, ante os 1.207 da vice-líder. A Volvo caiu para a terceira posição, com 1.096 unidades vendidas. A Audi é quarta (1.041), a Land Rover, quinta (1.037) e a Porsche, sexta (699).

Volvo cai, Mercedes ganha

A volta por cima da Mercedes-Benz, no entanto, é mais resultado da mudança de estratégia de uma concorrente do que mérito. Em janeiro deste ano, a nova geração do Classe C finalmente foi lançada. Porém, em início de entrega e com produção mundial em escassez, tem números tímidos ainda.

De janeiro a março, foram emplacados 392 Classe C. É menos que os 552 vendidos no mesmo período de 2021, quando a antiga geração do carro estava em queima de estoque. Vamos olhar, então, para o GLB, modelo mais emplacado da Mercedes no Brasil.

No primeiro trimestre de 2021, o carro teve 444 emplacamentos. No mesmo período deste ano, 578. Houve ganho, mas não tão significativo. No entanto, a participação do SUV decolou. Ele era oitavo colocado no ranking dos carros premium mais vendidos no ano passado. Agora, está na terceira posição.

Se o GLB escalou o ranking sem disparar em vendas é porque um, ou mais modelos, perderam espaço. E esses carros são justamente os da marca que era segunda colocada no primeiro trimestre de 2021, a Volvo.

No fim do ano passado, a sueca anunciou que seu XC40, até então com versões híbridas, passava a ser vendido apenas na configuração elétrica. Esse foi o primeiro passo da marca rumo à meta de só ter modelos movidos a bateria até o início da próxima década.

Se atualmente o XC40 é líder de vendas entre os carros elétricos no Brasil, quando olhamos para o mercado premium como um todo, o modelo perdeu espaço. No primeiro trimestre do ano passado, foi o segundo modelo de luxo mais vendido, com 815 emplacamentos. No mesmo período deste ano, caiu para o quinto lugar, com 438 exemplares comercializados.

Essa queda, porém, era prevista. Afinal, saiu de cena um modelo com opções mais em conta e conjunto que permitia mais flexibilidade de uso para dar lugar a uma versão que custa mais de R$ 400 mil. A elétrica, embora muito tecnológica e interessante, ainda enfrenta as limitações de infraestrutura no Brasil.

A Volvo também deixou de oferecer o S60. Mas o sedã, verdade seja dita, nunca fez diferença significativa no volume. Atualmente, a sueca tem quatro modelos à venda no Brasil, os elétricos XC40 e C40 e os híbridos XC60 e XC90. Com esse reposicionamento, abriu espaço para a recuperação da Mercedes sem que a alemã tivesse de fazer grandes movimentos.

Além da Volvo, a Mercedes-Benz também conseguiu, do primeiro trimestre do ano passado para cá, ultrapassar a Audi.

BMW investe na produção

A princípio, a pandemia também marcou o fim da produção de modelos de luxo no Brasil. A Mercedes foi a mais clara na estratégia, abrindo mão de sua fábrica - vendida em 2021 para a chinesa Great Wall. Audi e Land Rover, no entanto, paralisaram a montagem de seus produtos em território nacional sem fazer alarde.

A única que manteve a produção foi a BMW, e continuou fazendo investimentos em sua fábrica em Araquari (SC). Aqui, vale um paralelo com o carro flex. Quando a tecnologia foi lançada, no início do século, uma das bandeiras das montadoras era de que haveria sempre a possibilidade de usar etanol em caso de escassez de gasolina, ou alta desenfreada no preço do combustível.

Na prática, isso não ocorre, pois o preço do etanol caminha junto com o da gasolina. Mas, no caso da BMW, funcionou. Em um contexto mundial de crise de produção, por causa da falta de semicondutores, ter produtos montados no Brasil faz toda a diferença.

O País tem um mercado premium de pouca representatividade mundial. O Brasil não é prioridade para as marcas de luxo. Por isso, algumas montadoras não vendem mais não por falta de interesse do cliente, e sim por não terem produto para entregar.

A BMW sente menos esse efeito mundial. Tanto que, no primeiro trimestre de 2022, os dois carros de luxo mais vendidos do Brasil foram produtos produzidos em Araquari, Série 3 e X1. A pandemia e a crise de produção mundial não geraram grandes variações para a marca.

Ao observar os primeiros trimestres de 2020, 2021 e 2022, as vendas da BMW permaneceram estáveis. O que aumentou foi a vantagem que a marca tem em relação às concorrentes.

Em tempo: após período de paralisação longo para a Audi e curto para a Land Rover, as duas marcas retomam a produção nacional. A inglesa já voltou a montar o Evoque em Itatiaia (RJ). A alemã inicia a fabricação do Q3 em São José dos Pinhais (PR) nos próximos meses.

Os carros de luxo mais vendidos no primeiro trimestre de 2022

1º BMW Série 3 - 1.333 unidades
2º BMW X1 - 673
3º Mercedes-Benz GLB - 578
4º Volvo XC60 - 502
5º Volvo XC40 - 438
6º Audi Q5 - 401
7º Mercedes-Benz Classe C - 392
8º Land Rover Discovery - 357
9º Porsche Macan - 278
10º BMW X5 - 249

Fonte: Fenabrave

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