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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

De Onix a Sandero: quais carros vivem um mau momento no mercado brasileiro

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Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

01/11/2021 04h00

Com as mudanças que se observaram no mercado brasileiro de carros durante o período de pandemia, o ranking de vendas mudou bastante sua configuração. Entre os problemas que levaram a essas alterações há a queda da renda do consumidor e a crise de produção causada pela falta de semicondutores em todo o mundo.

Os maiores perdedores foram os hatches compactos. É verdade que eles já vinham sofrendo antes mesmo da pandemia, vendo suas posições no ranking serem "roubadas" pelos SUVs compactos. Mas 2020 e 2021 pioraram a situação desses automóveis.

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Agora, só dois modelos da categoria têm sempre vaga garantida entre os dez carros mais vendidos do Brasil: Fiat Argo e Hyundai HB20. Na pandemia, o que mais perdeu foi o ex-líder Chevrolet Onix, que parou de ser produzido por cerca de seis meses.

Vivendo de estoque, o carro chegou a aparecer na 65ª posição do ranking. Com a retomada da produção, ele vem se recuperando, mas ainda não conseguiu nada próximo do fôlego que tinha antes. Em setembro, ficou fora do "top 10", mas chegou à lista dos 20 mais vendidos.

Isso deve se repetir em outubro, que se aproxima do final. Números preliminares apontam que não será desta vez que o Onix retornará ao time dos dez mais emplacados. O outro grande perdedor é o Volkswagen Polo, e seu destino já havia sido traçado antes mesmo da pandemia.

O carro chegou a ser o Volkswagen mais vendido do Brasil, posto hoje que está em disputa por T-Cross e o tradicional Gol. Mas, um pouco antes da chegada do Nivus, em 2020, o Polo começou a "entrar em crise".

E quando o segundo SUV compacto da VW finalmente foi lançado, o Polo despencou. No acumulado de vendas de 2021 (janeiro a setembro), o hatch aparece apenas na 28ª posição no ranking que reúne automóveis e comerciais leves. Em setembro, foi só o 44º mais emplacado.

O Fit é outro que não está em seus melhores dias e jamais voltará a eles, pois está prestes a sair de linha. O carro da Honda amarga em 2021 a 52º posição no ranking de emplacamentos. O modelo teve pouco mais de 5.800 exemplares vendidos neste ano.

A nova geração do Honda City, que deve chegar entre o fim deste ano e o início do próximo, terá versões sedã e hatch, aposentando o nome Fit.

Renault

Um caso que chama a atenção é o da Renault, que perdeu muito espaço no mercado nos anos de 2020 e 2021. Seu então campeão de vendas Kwid, antiga presença garantida no "top 5", hoje é o 12º mais emplacado no mercado nacional.

Apesar da queda, ainda é um resultado respeitável. Esse não é o caso, porém, do Sandero e do Captur. O hatch, que perdeu versões, desapareceu. Agora, é o 37º colocado no ranking de vendas.

Entre os SUVs, o Duster está tranquilo. Mês a mês sendo deixado para trás por modelos que antigamente superava com facilidade, como o C4 Cactus, da Citroën. Mas, no acumulado deste ano, aparece na 8º posição entre os SUVs compactos - nada diferente do que obtinha antes da pandemia.

O Captur, no entanto, foi "engolido". Além do Cactus, foi superado por modelos como Caoa Chery Tiggo 5X, Peugeot 2008 e até o Honda WR-V. Este ano, aparece na 13ª (e antepenúltima) posição da categoria. Atrás dele, só os Tiggo 2 e 3X. Este último, porém, só aparece atrás por ter sido lançado em 2021 e não ter ainda um ano completo de vendas. No resultado mensal, vem superando constantemente o concorrente da Renault.

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** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL