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OPINIÃO

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Investimento? Carrões de luxo usados valorizam até 60,72% em 2021

Mercedes-AMG GT 43 2020 é o carro mais valorizado - Daimler AG
Mercedes-AMG GT 43 2020 é o carro mais valorizado Imagem: Daimler AG
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Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

29/09/2021 17h44

A pandemia da covid-19 levou a uma estagnação da indústria automobilística no segundo trimestre do ano passado. Porém, o mercado logo começou a reagir. E as marcas de luxo - especialmente a Porsche - foram as primeiras a "acordar".

A fabricante alemã de carros esportivos passou a bater recordes de vendas em plena pandemia, em meados do ano passado, com forte participação do emblemático 911. A Porsche chegou a vender mais de 100 exemplares mensais do carro que, dependendo da versão, ultrapassa a casa do R$ 1 milhão.

Mas não apenas a Porsche registrou esse aumento. A Audi, por exemplo, vendeu rapidamente tudo o que tinha de sua renovada linha RS - RS Q3, RS4 Avant, RS6 Avant e RS Q8, entre outros. Os carros mais desejados de todas as montadoras de luxo começaram a faltar. Por isso, algumas marcas deixaram de aceitar encomendas temporariamente.

O resultado desse contexto foi observado com força no início de 2021. Um RS6 Avant zero-km vendido em meados de 2020 por R$ 700 mil estava sendo vendido por mais de R$ 1 milhão após 300 km rodados. Mal foi lançado, o novo BMW M3 já tinha anúncios de exemplares seminovos por R$ 100 mil a mais.

A start-up especializada em mercado automobilístico Mobiauto divulgou uma pesquisa que traduz bem esse contexto. Os carros de luxo e os esportivos valorizaram até 60,72% entre janeiro e setembro deste ano. Quem comprou um exemplar conseguiu ganhar (muito) dinheiro.

Marcas e modelos mais valorizados

A pesquisa da Mobiauto foi realizada a partir de números registrados no banco de dados da start-up. No geral, as oito principais marcas de luxo que atuam no Brasil (Audi, BMW, Jaguar, Land Rover, Lexus, Mercedes-Benz, Porsche e Volvo) tiveram valorização de 17,5%.

Como esperado, a montadora que lidera esse grupo é a Porsche. Os carros da alemã comprados em janeiro de 2021 valem 25,3% a mais. Curiosamente, a segunda colocada é uma marca que sempre teve fama de ter veículos que sofrem grande desvalorização, a Land Rover (17,8% de alta).

A BMW aparece na terceira posição, com 17,3%. A "lanterna" do grupo é a Jaguar, com um índice de 12,8%. Já o carro mais valorizado não é de nenhuma das três primeiras colocadas, e sim da Mercedes-Benz.

O Mercedes-AMG GT 43 2020 vale neste mês, de acordo com dados da Mobiauto, R$ 801.200, ante os R$ 498.908 registrados em janeiro de 2021. A valorização foi de 60,72%. O segundo lugar é do Porsche 911 Carrera 2021, que é cotado agora em R$ 805.451 (alta de 47,85%).

Aliás, a Porsche ocupa da segunda à sexta posição da lista. Até quem comprou um Macan se deu bem. A versão de entrada agora vale R$ 490.121, valorização de 44,52%. Não só os esportivos e carros de extremo luxo estão na lista dos valorizados. Exemplo é o Mercedes-Benz CLA 2020, com cotação de R$ 531.254 neste mês (alta de 32,53%).

Razões do fenômeno

Realizadora da pesquisa, a Mobiauto aponta a alta do dólar como principal fator de valorização dos seminovos de luxo e esportivos. Os preços desses modelos, como zero-km, subiram muito. Isso impulsionou a cotação dos usados.

Mas a explicação vai além. Tanto que, como explicado no início do texto, modelos seminovos estão valendo mais que os zero-km. A razão? Não há carro novo para comprar. E, quando há, a lista de espera é grande e o prazo de entrega, longo.

Além de modelos como os esportivos da Porsche, os AMG (Mercedes-Benz), os M (BMW) e os RS (Audi) já terem naturalmente exemplares limitados, o mundo vive uma crise de produção de veículos. Esse desabastecimento ocorre na maior parte dos países e em todos os segmentos.

Isso restringiu ainda mais a já limitada oferta de zero-km, levando quem tem um modelo desejado a conseguir altos valores pelo produto de segunda mão. Além disso, houve uma alta mundial no consumo de produtos de luxo, em todos os setores, no período de pandemia e nessa fase de reaquecimento que vivemos agora.

Entre as razões para o maior investimento de carros de luxo estão o baixo retorno de aplicações no mercado financeiro e o isolamento do período da pandemia, que inviabilizou gastos, por exemplo, em viagens ao exterior.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL