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OPINIÃO

Texto em que o autor apresenta e defende suas ideias e opiniões, a partir da interpretação de fatos e dados.

911 GT3 e Mustang resistem ao fim da velha receita de carros esportivos

Porsche 911 GT3 - Divulgação/Porsche
Porsche 911 GT3 Imagem: Divulgação/Porsche
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Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

13/09/2021 04h00

Pela primeira vez em Munique, na Alemanha, o IAA, antigo Salão de Frankfurt, terminou ontem (12) e foi uma decepção para quem é apaixonado pela maneira tradicional de se fazer carros. Nos pavilhões principais e em suas imediações o que se viu foram elétricos, elétricos e mais elétricos.

O IAA nem se define mais como um salão de automóvel, e sim como uma feira de mobilidade. Reflexo de um mundo eletrificado sobre quatro rodas que se desenha na parte de cima do globo. No evento, não havia nada de modelos de seis, oito e dez canecos com cavalaria impressionante, e sim um Porsche 4x4 elétrico de mais de 1.000 cv.

Esse cenário torna modelos como o Ford Mustang Mach 1 e os novos 911 GT3 e 718 Cayman GT4, lançados neste ano no mercado brasileiro, ainda mais especiais para quem ama o esportivo tradicional. Em primeiro lugar, são modelos com motores aspirados.

No caso do Ford, um V8. Nos Porsche, um seis-cilindros boxer. Mas não é só o motor aspirado o ingrediente "old school" desses dois lançamentos. Em um universo em que grande parte dos esportivos adotaram a tração integral - até o Porsche 911 Turbo S tem a tecnologia - os dois modelos mantêm a agora raro sistema traseiro.

Além dos lançamentos, há outros modelos esportivos que mantêm essa receita e estão à venda no Brasil. Entre eles há o principal rival do Mustang, o Camaro. A própria Porsche tem o 718 Cayman GTS, que lá fora tem algo que no Brasil já não existe em esportivos, o câmbio manual. Por aqui, a marca optou por trazer o automóvel com o automatizado PDK.

De resto, a receita de motor aspirado (com um som arrasador, sem ser abafado por turbinas) e tração traseira (que desafia o piloto a ter mais perícia para controlar o carro), tão cultuada por entusiastas do automóvel a combustão, está restrita a superesportivos.

Por que eles são raros

Mustang Mach 1 dianteira - Divulgação/Ford - Divulgação/Ford
Imagem: Divulgação/Ford

Governos de todo o mundo estão endurecendo as regras contra as emissões de gás carbônico e outros poluentes por carros. Na maior parte da Europa Ocidental e em alguns locais dos Estados Unidos, as leis estão ficando tão rígidas que o carro 100% a combustão terá de ser descartado em breve, para dar espaço a elétricos e híbridos.

Muitos países preveem a proibição do automóvel sem ao menos auxílio elétrico em 2030, mas isso deverá passar a valer em uma minoria ainda em meados desta década. Por isso, as montadoras vão abandonando seus investimentos em motores a combustão. Até o 911, em sua próxima geração, deverá ser um modelo híbrido em todas as versões.

Já há mais de uma década, a solução para reduzir emissões é o downsinzing, reunindo turbo e injeção direta e combustível para alcançar maior potência em motores menores. O processo gera propulsores mais econômicos e menos poluentes.

A partir daí, o motor aspirado já começou a deixar de ser prioridade. Por isso, é tão raro ter hoje modelos com essa solução. Até a Ferrari já adotou o turbo em alguns modelos.

E, sem perspectiva de futuro, eles perdem também prioridade nos centros de desenvolvimento das marcas. Tanto que no 911 GT3 de nova geração não tem a evolução do seis-cilindros como destaque, e sim a aerodinâmica.

Modelos como 911 GT3 e Mustang, puramente aspirados e sem nenhum auxílio elétrico, tendem a desaparecer. No contexto mundial, é sensato afirmar que uma próxima geração desses carros não conseguirá manter o formato atual. Por isso, representam a despedida da velha escola da esportividade.

911 GT3 e 718 Cayman GT4

Porsche 911 GT3 traseira - Divulgação/Porsche - Divulgação/Porsche
Imagem: Divulgação/Porsche

O Cayman GT4 tem preço de R$ 705 mil e o 911 GT3, de R$ 1.149.000. Ambos trazem o motor 4.0 de seis cilindros. São 420 cv no primeiro e 510 cv no GT3, que está em sua sétima geração e ficou 16 segundos mais rápido em uma volta no circuito de Nurburgring, na Alemanha.

O 911 GT3 é um carro semi-pista com forte investimento na aerodinâmica. Usa apêndices e outras soluções para direcionamento dos ventos que o ajudam a ficar bem grudado no chão. De acordo com a Porsche, o downforce está 150% maior que na geração anterior e a carga aerodinâmica é de até 60 kg.

Foi a aerodinâmica a responsável por deixar o carro mais rápido em uma volta na lendária pista alemã, pois o motor ficou apenas 10 cv mais potente que no modelo anterior. O torque é de 47,9 mkgf e câmbio, automatizado de sete marchas e duas embreagens.

Essa transmissão tem uma marcha a menos que a do 911 Turbo S. Neste modelo, a oitava marcha funciona como um overboost, para conforto e até para poupar combustível, já que é um carro para usar primordialmente na rua. No GT3, cuja principal aptidão é para as pistas, essas duas características não foram colocadas como prioridade, e sim as relações mais curtas.

Mustang Mach 1

Mustang Mach 1 traseira - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação

Com preço de R$ 523.950, o Mustang Mach 1 chegou ao Brasil em meados deste ano para substituir o Black Shadow. Seu principal apelo é trazer elementos de outras versões lendárias do carro da Ford, como o GT500 e até o Mach 1 original.

O cupê não é um carro com perfeito equilíbrio, como o 911 GT3. O ronco de seu V8, porém, é um dos mais bonitos de se ouvir. Esse motor tem 5 litros e entrega potência de 483 cv.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL