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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Porsche Taycan: testamos a autonomia do luxuoso elétrico na estrada

Porsche Taycan Turbo S levou seis horas na recarga de 49% a 100% em 7,4 kW - Rafaela Borges/UOL
Porsche Taycan Turbo S levou seis horas na recarga de 49% a 100% em 7,4 kW Imagem: Rafaela Borges/UOL
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Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

16/08/2021 04h00

Quando o carro elétrico começou a chegar ao Brasil, a aptidão era meramente urbana, até porque a maioria mal passava dos 200 km de autonomia. Mas o mercado de modelos 100% a eletricidade vem evoluindo rapidamente e, desde o início de 2020, alguns automóveis com capacidade declarada de rodar mais de 400 km por recarga vêm chegaram ao País.

Entre eles estão o Audi e-tron, o Mercedes-Benz EQC e o Porsche Taycan. Eu testei o último na estrada observando pontos como autonomia e tempo de recarga. De acordo com informações da Porsche, o Taycan Turbo S (topo de linha) tem entre 390 e 416 km de autonomia no ciclo WLTP, comum na Europa e que vem sendo usado pelas marcas no Brasil para divulgar o alcance de seus carros elétricos.

Porsche Taycan Turbo S dianteira - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL
Mas na prática não é bem assim. A autonomia mostrada no painel de um carro elétrico é baseada no estilo de condução de quem dirige. O modo de pilotagem usado (eficiente, normal, esportivo, etc) e a maneira como o motorista acelera são considerados no cálculo feito pelo computador do veículo.

Então, comecei meu teste do Taycan com bateria a 100%, mas 341 km de autonomia, dados calculados a partir dos parâmetros de direção da última pessoa que conduziu o sedã esportivo antes de mim. Esse motorista possivelmente não dirigiu o Porsche buscando eficiência. O que, no caso da versão topo de linha, não é mesmo uma missão muito fácil - ela instiga você a acelerar.

A viagem

Meu destino foi o circuito Panamericano, na cidade de Elias Fausto. Fiz o que é de praxe para quem tem um carro elétrico e pretende pegar estrada. Pesquisei para saber se havia estações de recarga no caminho e no destino.

Entre São Paulo e Elias Fausto, a viagem é pela Rodovia Castelo Branco, e há estações pelo caminho (em postos de serviço), algumas instaladas pela própria Porsche. O circuito Panamericano também tem seus postos elétricos. Então, deixei para fazer o processo por lá, pois ficaria no local das 8h às 17h. Tempo de sobra.

Porsche Taycan Turbo S traseira - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL
Assim, não precisei parar no caminho. Para encontrar estações de recarga, há alguns aplicativos. Entre eles o do Google Maps e o PlugShare, que mostra os postos disponíveis, a potência que eles oferecem, se estão ativos e ocupados ou desocupados.

Elias Fausto fica a cerca de 140 km de São Paulo. Em relação a meu local de partida na capital paulista, são 160 km. Parti com 341 km no marcador de autonomia e cheguei ao destino com 151 km. Foram "gastos" 190 km, ou 30 km a mais que a quilometragem percorrida.

Ainda assim, o marcador do Taycan Turbo S é bastante preciso - bem mais que o de modelos a gasolina. É que os 341 km disponíveis são no modo Range de condução e com o ar-condicionado desligado. Essa função leva as respostas do carro a uma tocada mais suave e limita a velocidade final a 140 km/h . Tudo para economizar bateria.

Só que cerca de 80% da viagem foi com o modo mais esportivo (Sport Plus) acionado e ar-condicionado ligado. Com isso, se perde muita autonomia. Não apenas por o Taycan Turbo S ficar preparado para entregar o mais apimentado desempenho, mas também por que usei e abusei da capacidade de acelerar e retomar velocidade.

E que retomadas! O Taycan Turbo S tem 625 cv (chega a 761 cv com overboost, que funciona em acelerações com controle de largada) e nada menos do que 107 mkgf de torque. A força brutal surge instantaneamente, sem necessidade de se atingir determinada faixa de rotação.

Por isso, pressionar o pedal do acelerador do Taycan Turbo S é ter a sensação de que o carro vai sair do chão. Coisa que ele jamais fará, pois tem uma das melhores aerodinâmicas do mundo (o cx é de 0,22 apenas) e suspensões adaptativas preparadas para qualquer situação.

Com todo esse pacote, o carro te instiga a pisar forte no pedal da direita, e tem retomadas que dificilmente serão superadas pelas de modelos a combustão. Mesmo os superesportivos mais brutais do mundo.

Por tudo isso, a perda de 190 km em 160 km rodados ficou até melhor que o esperado. Enquanto usei modo Range apenas, no início do trajeto, ele perdeu menos autonomia do que rodou.

Recarga

No circuito Panamericano há carregadores da Volvo e da Porsche. Os da marca alemã são de 11 kW, mas, como cheguei em cima da hora, eles já estavam ocupados. Fiquei com um da montadora sueca, mais adequado para carros híbridos, pois tem 7,4 kW.

A Porsche oferece gratuitamente aos clientes do Taycan Turbo S carregadores de 11 kW ou 22 kW, à escolha do freguês. Também se responsabiliza por todo o processo de instalação, igualmente sem custo para o proprietário.

Porsche Taycan Turbo S recarga - Rafaela Borges/UOL - Rafaela Borges/UOL
Imagem: Rafaela Borges/UOL
De acordo com a Porsche, em 9,6 kW, a recarga leva 10 horas e meia e em 11 kW, 9 horas. Em carregadores DC, de corrente rápida, o processo é bem ágil. A bateria leva 1 hora e 33 minutos para ser recarregada de 0 a 80% em 50 kW e apenas 21 minutos em 270 kW.

No caso da minha experiência, foram 6 horas em 7,4 kW, para mas efetuar a recarga 49% a 100% da bateria. É bastante tempo, e eu tinha esse tempo. O processo foi concluído dentro do esperado.

De acordo com a Porsche, as estações de 7,4 kW são recomendadas para seus carros híbridos. Para um elétrico com bateria de 100 kWh, caso do Taycan Turbo S, é mesmo esperada uma demora. É por essa razão que a marca não oferece estações com essa potência para o sedã.

Isso, porém, não me impediu de planejar meu dia para ter 100% de autonomia para meu retorno - e ser bem sucedida nesse processo.

Veredito

Os elétricos surgiram como carros para uso urbano, e muitos são mesmos apropriados apenas para essa aptidão. Não o Taycan. E sedã esportivo é um Porsche, e Porsche é para acelerar, cair na estrada, subir a serra. Só assim você vai conseguir explorar todo o potencial do modelo.

Porsche Taycan Turbo S interior - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
Minha experiência foi bem-sucedida, mas foi planejada. Não dá para cair na estrada com um carro elétrico sem planejamento, pois a rede de recarga no Brasil é embrionária ainda. Ou seja: você não poderá ir para o Taycan para onde desejar, e sim para onde a rede instalada permitir.

Porém, para clientes, uma opção é instalar uma estação em casa e outra na residência de fim de semana, por exemplo. A primeira é por conta da Porsche. No caso da segunda, o proprietário terá de bancar.

Dá ainda para procurar hotéis com estações para carros elétricos - diversos estabelecimentos, a maioria de luxo, estão instalando pontos, em parceria com montadoras. Boa parte desses hotéis está no Sudeste e no Sul, mas há opções no Nordeste e no Centro-Oeste do Brasil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL