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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Como Ford foi de grande montadora a marca de nicho em seis meses

Marcos Camargo/UOL
Imagem: Marcos Camargo/UOL

Colunista do UOL

19/07/2021 04h00

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O início do ano marcou uma reviravolta na história da Ford no Brasil. Uma das marcas mais antigas a produzir carros no País, a norte-americana decidiu fechar todas as suas fábricas locais, e se tornar uma importadora de veículos.

As vendas da Ford eram baseadas, até então, em três modelos do segmento compacto: o hatch Ka, o três-volumes Ka Sedan e o SUV EcoSport. O primeiro era um dos veículos mais emplacados do Brasil, enquanto os outros dois também tinham desempenho bem relevantes.

Porém, eles deixaram de ser produzidos com o fechamento das fábricas, e a Ford iniciou um processo de reposicionamento no mercado brasileiro. Afinal, apenas com importados, a empresa de modelos populares passou a ter a missão de se transformar em uma importadora de modelos caros.

Atualmente, o Ford mais em conta à venda no Brasil é a Ranger, cuja versão mais em conta sai por R$ 180 mil. Um valor muito distante do cobrado pelo Ka, que concorria no segmento de carros de entrada, com tabela inicial em torno de R$ 50 mil.

Seis meses após o início dessa transformação, já dá para tirar algumas conclusões sobre a primeira fase dessa nova Ford.

Queda acentuada

A queda de participação no ranking de vendas já era esperada, mas não deixa de ser um choque. Até o início da década passada, a Ford tinha uma firme posição como uma das chamadas quatro grandes montadoras do Brasil.

Desse grupo fazem parte também a Fiat, a Volkswagen e a Chevrolet. No decorrer da década passada, a quarta posição da Ford já não era mais garantida. A primeira a superá-la foi a Hyundai, e depois a Toyota e a Renault também passaram a brigar com a norte-americana por essa colocação.

Ainda assim, a Ford continuou nessa briga e, em alguns anos, chegou a ocupar novamente o quarto lugar. Em 2020, a empresa foi a quinta marca que mais vendeu carros no mercado brasileiro.

Encerrado o primeiro semestre do ano, a Ford caiu para a décima colocação. No entanto, essa posição ainda não reflete a nova realidade da marca, pois soma os estoques de Ka, Ka Sedan e EcoSport vendidos em alto volume nos dois primeiros meses de 2021.

A posição mais real é a obtida em junho: 13ª. Isso porque atualmente o carro da Ford mais vendido não chega a mil unidades mensais. Trata-se da Ranger, que somou 747 emplacamentos no mês passado.

O segundo mais vendido é o Territory (432). O Ka, ainda com unidades em estoques, somou 370 unidades, enquanto o Bronco Sport teve 250 emplacamentos - com potencial para melhorar, já que o carro é recém-lançado.

Além de Ranger, Territory e Bronco Sport, a Ford vende no Brasil o Edge ST e o Mustang Mach 1.

Qual é a principal rival

A nova ordem mundial da Ford é investir em SUVs e picape, e a linha disponível no Brasil vai seguir essa linha. Com exceção do Mustang, os demais modelos são dessas categorias.

No ranking de junho, a Ford ficou atrás de Peugeot e Citroën, e uma posição à frente da Mitsubishi, quase em um empate técnico. Foram 1.974 unidades para a norte-americana e 1.842 para a japonesa.

Ambas não estão distantes da marca de luxo BMW, que somou pouco mais de 1.400 emplacamentos no mês passado. Mas dificilmente a Ford vai concorrer nessa nova fase com a alemã e outras marcas de luxo, como Mercedes-Benz, Audi, Volvo e Jaguar Land Rover.

Mundialmente, essas montadoras são especializadas em modelos de luxo e, embora os Ford agora disponíveis estejam requintadas, o posicionamento histórico da norte-americana não é premium.

Por isso, pela linha de produtos e posição no ranking, a principal adversária da Ford daqui em diante deverá ser a Mitsubishi. A japonesa monta carros no Brasil, mas não tem preços muito diferentes dos da norte-americana.

Além disso, a linha da Mitsubishi é formada por SUVs e picapes, com bastante foco no 4x4. O lançamento do Bronco Sport deixou claro que, em sua nova linha, a Ford também pretende investir pesado no universo off-road.

Até o fechamento desta reportagem, a marca ainda não havia respondido as questões sobre seu novo posicionamento.

Os próximos passos

Por enquanto, a Ford confirmou que seu próximo lançamento será a van Transit. Mas, extra-oficialmente, três outros modelos já têm passaporte carimbado.

Um deles é o Bronco, o Wrangler da Ford. Enquanto a versão Sport é menor, e tem tanto características para o fora de estrada quanto para o uso confortável no dia a dia, o Bronco é um modelo mais preparado para o fora de estrada pesado, como o Jeep.

Outro carro que estará em breve no mercado nacional é a emblemática F-150, veículo mais vendido nos Estados Unidos. Por aqui, a missão será concorrer com a Ram 1500. Também está a caminho o primeiro carro elétrico da Ford, o SUV Mustang Mach-E.