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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Novo Jeep Compass resolverá suas principais falhas na linha 2022?

Jeep Compass 2022 - Divulgação
Jeep Compass 2022 Imagem: Divulgação
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

26/04/2021 04h00

O novo Compass será apresentado ao mundo nesta quarta-feira e há muita coisa que já sabemos sobre ele. O visual externo muda pouco, enquanto a cabine passará por modificações mais profundas.

A principal mudança ficará na parte mecânica. Sai de cena o motor 2.0 aspirado flexível. Entra o 1.3 turbo, que traz injeção direta de combustível e 185 cv de potência. O torque é de 270 Nm, ou 27,5 mkgf.

O carro já está em pré-venda, com os preços divulgados (confira abaixo). O Compass é o líder disparado de vendas de SUVs médios desde seu lançamento, em 2016. A principal razão desse sucesso é a versão turbodiesel, que representa mais de 50% das vendas.

Motor a diesel combinado ao sistema de tração 4x4 é raridade nesse segmento. A maior parte dos concorrentes é 4x2, e traz apenas propulsores flexíveis ou a gasolina. Mas não é só isso. Há ainda a tradição da Jeep no segmento de SUVs, a dirigibilidade praticamente incomparável na categoria, a boa lista de equipamentos e os ótimos descontos oferecidos para vendas diretas.

Mas o Compass, mesmo líder disparado, tem lá suas falhas. Aqui, eu conto quais são as principais, e se elas serão resolvidas ou não na linha 2022 do modelo.

Porta-malas

O porta-malas é um dos pontos críticos do Jeep Compass. Com apenas 410 litros, é inferior ao de muitos SUVs compactos (como HR-V, Duster e Creta, por exemplo). Em recente comparativo dos compartimentos de bagagem dos SUVs médios, o modelo ficou na penúltima colocação, à frente apenas do Ford Territory.

A notícia aqui não é nada animadora para quem precisa de um porta-malas generoso. Nada mudará nesse quesito. O modelo vai não apenas manter a capacidade, como também sua polêmica tampa superior.

O equipamento, além de mal acabado, é muito difícil de tirar e colocar. E será mantido assim como é na linha 2021.

Desempenho

O Compass 2.0 turbodiesel não tem problemas de desempenho. E não vai mudar. Já a substituição do 2.0 flexível pelo 1.3 turbo é tudo o que o Jeep precisava. Com o propulsor atual, que gera até 166 cv com etanol, o carro ganha velocidade com muita dificuldade.

Em subidas e ultrapassagens, o Compass flexível deixa muito a desejar. A chegada do 1.3 turbo certamente vai melhorar muito esse comportamento. A expectativa é de que o carro fique ao menos um segundo mais rápido para acelerar de 0 a 100 km/h.

Além disso, o torque 7 mkgf mais alto que o do 2.0 flexível, entregue em rotação mais baixa, promete deixar o Compass bem mais rápido na hora de fazer retomadas de velocidade.

Câmbio

No Compass turbodiesel será mantido o excelente câmbio de nove marchas. No flexível, nada muda também, ao menos em uma primeira olhada. O 1.3 turbo será acompanhado pelo mesmo automático de seis marchas que está na linha 2021 do Jeep.

Esse câmbio segura muito as marchas para tentar fazer um casamento melhor com o 2.0 aspirado e melhorar as respostas desse motor. Isso acaba gerando um alto nível de ruído nas acelerações e aumento do consumo de combustível.

Mas, mesmo mantendo o câmbio, isso não quer dizer que ele não possa melhorar. É possível que, com o 1.3 turbo, a transmissão de seis marchas ganhe um novo ajuste.

Consumo

Em recente teste que fiz com o Compass 2.0 Longitude flexível, minha média foi de 6,3 km/l de etanol na estrada. É um consumo muito alto. O novo motor 1.3, além de combinar turbo com injeção direta, tem outras boas tecnologias, como um moderno comando variável de válvulas.

Era de se esperar um consumo bem mais baixo com o novo motor. Mas, provavelmente, em números, ele vai melhorar bem pouco. Ou talvez, nada. É o que se pode concluir a partir dos números de consumo da nova Toro 1.3 turbo, já divulgados. A picape usa o mesmo motor.

Na comparação com a Toro 1.8, o consumo da 1.3 ficou mais alto. Como o motor 1.8 é um pouco menos gastão que o 2.0 do Compass, talvez, no caso do Jeep, o novo 1.3 apresente números um pouco melhores, ou fique no empate.

Mas a verdade é que não são bons números. Se seguir a lógica da Toro, o Compass flexível continuará muito gastão. No papel. Na vida real, as coisas podem ser diferentes. Os testes de consumo são feitos em um mesmo padrão para todos os carros, o que pode acabar gerando distorções.

Com o 1.3 turbo, o Jeep precisará de menos pressão no acelerador para entregar bons resultados. Então é bem provável que, na prática, acabe se mostrando mais econômico no uso cotidiano.

Entradas USB

O Compass 2021 tem uma única entrada USB na frente, do tipo A. Por isso, se houver quatro ocupantes no carro (há outras duas atrás), uma pessoa na dianteira ficará sem porta para carregar seu aparelho eletrônico.

Isso vai melhorar? É provável que sim. O novo Compass deverá vir com mais entradas USB, inclusive as do tipo C, que são mais rápidas. E, para deixar a vida a bordo ainda mais fácil, ganha ainda um carregador de celular por indução (sem fio).

Preços do Compass 2022 (pré-venda)

Flexível
Sport - R$ 139.990
Longitude - R$ 154.990
Limited - R$ 176.990

Turbodiesel
Longitude - R$ 196.990
80 anos - R$ 204.990
Limited - R$ 216.990
Trailhawk - R$ 216.990

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL