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ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Caoa Chery Tiggo 8 2022: o que o SUV de 7 lugares tem de melhor e de pior

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

23/04/2021 11h13

O Caoa Chery Tiggo 8 chegou recentemente à linha 2022 com novidades como comandos elétricos para o banco do passageiro dianteiro. Em março, o SUV feito em Anapólis (GO) confirmou sua tendência de crescimento e atingiu mais de 600 unidades vendidas.

Com isso, é o segundo SUV médio mais vendido do Brasil, atrás apenas do insuperável (por enquanto) Jeep Compass. O Tiggo 8 também deixou aquele que é um de seus principais rivais, o então vice-líder Tiguan, para trás.

Mas por que Tiggo 8 e Tiguan brigam por clientes, se a diferença de preço entre eles é de quase R$ 50 mil (R$ 179.990 para o Caoa Chery e R$ 229.150 para o Volkswagen)? É que eles estão entre as raras opções de sete lugares do segmento.

Fora eles, há o Outlander, que parte de R$ 198.990 com as três fileiras de assentos, e o GLB 200, a partir de R$ 264.900. Os demais sete-lugares são carros com preços que ultrapassam os R$ 300 mil (Toyota SW4 e Trailblazer e modelos de marcas de luxo, por exemplo).

Agora que as versões 1.4 do Tiguan saíram de linha e o preço foi às alturas na 2.0 R-Line, de 220 cv (o 1.6 do Tiggo 8 tem 187 cv), os olhos se voltaram ainda mais para o Caoa Chery. Afinal, o valor é tentador.

Por isso mesmo, em meu perfil no Instagram recebo frequentemente muitas dúvidas sobre o carro. O brasileiro é bastante cauteloso na hora de investir em um zero-km, e com razão: os preços são mesmo muito altos. Então, pesquisar é importante.

E sabemos que a Caoa Chery é uma marca nova no mercado, algo que gera dúvidas no consumidor em questões sobre manutenção e valor de revenda. A montadora surgiu da união da brasileira Caoa com a chinesa Chery.

No entanto, a Caoa, que também é responsável pela produção e venda dos modelos de maior valor agregado da Hyundai (como Tucson e ix35) no Brasil, tem boa reputação. É comum ficar bem posicionada em rankings de satisfação do consumidor.

Mas e o produto? Testei recentemente o Tiggo 8 e, aqui, conto o que ele tem de melhor e de pior. Será que ele se adapta às suas necessidades?

O que o Tiggo 8 tem de melhor

Caoa CheryTiggo 8 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

Fica claro, após a apresentação, que o preço é o melhor argumento do Caoa Chery Tiggo 8. Mas ele tem outras qualidades. Eu gostei bastante do desempenho na hora de acelerar e retomar velocidade.

O que mais chama a atenção é que o carro, cujo torque de 28 mkgf está disponível a partir de 2000 rpm, responde bem desde o momento em que o motorista começa a acionar o pedal do acelerador.

O SUV não demora a embalar, o que é fundamental na hora de uma ultrapassagem, por exemplo. O câmbio é automatizado de sete marchas e duas embreagens. O Tiggo 8 também se destaca no conforto ao rodar. As suspensões independentes filtram bem os impactos com o piso.

O porta-malas é outro ponto forte desse carro. A Caoa Chery divulga que ele tem 889 litros, algo que parece um tanto exagerado. Porém, a capacidade é mesmo excelente. Em recente teste dos compartimentos de SUVs médios realizado pela coluna, o Tiggo 8 ficou com o segundo lugar, atrás apenas do Tiguan.

Também merece destaque o espaço interno traseiro do carro. São 2,71 metros de entre-eixos, mas a impressão é de que o Tiggo 8 é ainda superior nessa dimensão. Pernas e cabeças de três passageiros ficam bem acomodados e o assoalho é praticamente plano atrás.

Chama a atenção a câmera 3D, com ótima qualidade de imagem e várias opções de visualização.

O que não gostei no Tiggo 8

Caoa Chery Tiggo 8 - Murilo Góes/UOL - Murilo Góes/UOL
Imagem: Murilo Góes/UOL

A estabilidade foi o que mais me incomodou no carro. As respostas da direção poderiam ser mais precisas. Além disso, a suspensão não seguram muito bem a carroceria, que rola muito em curvas. É claro que estamos falando de um modelo alto (1,70 metro), mas há SUVs com dimensão semelhante que são mais estáveis.

Falta também tração 4x4, que o Tiguan tem. Mas, nesse aspecto, o Tiggo 8 tem como argumento o fato de que a maioria dos rivais não oferece esse sistema. Corolla Cross, as versões flexíveis do Compass e o Taos (que a Volkswagen lançará até junho) também são 4x2, com tração na dianteira.

O sistema multimídia tem poucas funcionalidades e falta Android Auto (há apenas o Apple CarPlay). Apesar da interface intuitiva, é simples para um carro de R$ 180 mil.

Fim das filas

Já há concessionárias da Caoa Chery com exemplares a pronta entrega do Tiggo 8. Isso é uma boa notícia pois, à época do lançamento, em meados de 2020, o prazo para entrega estava chegando a 60 dias.

Além disso, os exemplares têm desconto. Na cor prata, por exemplo, o Tiggo 8 pode ser encontrado em algumas revendas da cidade de São Paulo por R$ 175 mil.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL