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Primeira Classe

ANÁLISE

Texto baseado no relato de acontecimentos, mas contextualizado a partir do conhecimento do jornalista sobre o tema; pode incluir interpretações do jornalista sobre os fatos.

Por que o Taos é melhor que o Compass, mas não será líder de mercado

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

22/03/2021 04h00

Chegou o momento de o Compass ganhar concorrentes fortes. A exemplo do que representou o Ford EcoSport entre os compactos, o Jeep é um sucesso e líder entre os SUVs médios desde seu lançamento, em 2016. E mais uma vez as montadoras rivais vêm se preparando nos últimos cinco anos para enfrentar a soberania do primeiro colocado do ranking.

O recém-lançado Corolla Cross e o Taos, que deve chegar em maio, foram criados tendo como alvo o Compass. O Toyota tem boas chances, pois traz preços semelhantes aos do Jeep e o nome do sedã que é uma verdadeira grife. Porém, o assunto aqui é o Volkswagen.

A marca alemã tem feito uma verdadeira ofensiva no segmento de SUVs, com Volkswagen T-Cross, Tiguan e Nivus. Todos obtiveram sucesso em suas categorias.

O Tiguan, importado do México, chegou a ter uma versão para concorrer com os Jeep Compass intermediários. Esta opção, com apenas cinco lugares e motor 1.4 turbo, sai de cena agora, com a chegada do Taos.

O Volkswagen mexicano fica disponível apenas na versão de topo, R-Line, com motor 2.0 turbo e preço superior a R$ 200 mil. Maior que o Compass e importado, o Tiguan tinha mesmo uma missão difícil ante o Jeep, pois faz parte de um segmento acima.

Mas o Taos vem na cola do Compass. É um pouquinho maior, pois precisa ser: quem chega depois tem de entregar mais. Porém, é mais próximo ao Jeep em dimensões. Além disso, deverá acompanhá-lo naquilo que é mais importante: preço.

Se fosse lançado hoje, o Taos custaria entre R$ 140 mil e R$ 180 mil. O Compass parte de R$ 138.320 e chega, nas versões com motor flexível, a R$ 175.953 (preços referentes a São Paulo). A pergunta que todos fazem é: o Volkswagen é melhor que o Jeep? Em minha opinião, é. Por enquanto.

Sendo assim, o Taos conseguirá tirar do Compass a liderança de mercado? Minha aposta: não. E eu explico, abaixo, por que o VW é melhor que o Jeep. E por que ele não será líder.

Por que o Taos é melhor que o Compass

O Compass mudará e ficará melhor. Porém, não deverá passar por alterações no espaço interno - 9 cm a menos que o Taos - e no porta-malas - 410 litros, ante os quase 500 litros do Volkswagen.

O Jeep passará por uma reestilização, mas ganhará também o motor 1.3 turbo, possivelmente com 180 cv - 30 cv a mais que o Taos. O desempenho, no entanto, ainda não foi avaliado em nenhum dos SUVs - o novo Compass chega em abril. Por isso, será deixado de lado nessa análise.

Além de ser mais espaçoso e oferecer porta-malas maior que o do Compass, características muito importantes nesse segmento, o VW é repleto de tecnologias. Traz sistema de estacionamento para tráfego cruzado - auxilia nas saídas de estacionamento -, faróis full-LEDs antiofuscamento (inédito no segmento) e controlador de velocidade adaptativo com stop and go (funciona no anda-e-para do trânsito).

Outras tecnologias de destaque são a frenagem autônoma de emergência e o sistema de iluminação interno. O ocupante do veículo pode optar entre diversas cores para a cabine. O que faz falta? O leitor de faixas, que algumas versões do Compass já têm.

Na reestilização, mesmo não tendo condições de se equiparar do Taos em espaço e porta-malas, o Compass tem a chance de igualar, e quem sabe até superar o pacote tecnológico do VW. Mas, neste momento, o novato é um produto superior.

Por que o Compass não vai perder a liderança?

Mas qual é a razão de um veterano que terá reestilização e novo motor não correr grande risco de perder a liderança para um novo e moderno concorrente? A principal é a versão a diesel com tração 4x4.

O Taos não tem versão para atender esse público, que representa mais de 30% das vendas do Compass. Na Volkswagen, a opção com tração nas quatro rodas é o Tiguan e, ainda assim, ele não tem motor a diesel, um grande aliado principalmente para quem roda longas distâncias regularmente.

Além disso, há a tradição da Jeep no segmento de SUVs. Muitos clientes acreditam que utilitário-esportivo de verdade é Jeep e Land Rover. Isso já não faz sentido há muito tempo, mas é difícil mudar a percepção do consumidor.

Considerando apenas as versões flexíveis, talvez o Taos, 1.4 turbo e 4x2, até consiga um empate em relação ao Compass. Quem sabe uma leve vantagem. Isso, claro, se realmente vier com preço equivalente. Mas, somando as vendas de toda a linha, será missão praticamente impossível.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL