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Nova Amarok V6 x Ram 1500: qual é a picape mais rápida do Brasil?

VW Amarok V6 Extreme - Marcos Camargo/UOL
VW Amarok V6 Extreme Imagem: Marcos Camargo/UOL
Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

21/12/2020 04h00

Dois dos mais recentes lançamentos do segmento de picapes no Brasil chamam a atenção pelos números generosos do motor e pelo desempenho. Por R$ 399 mil, a Ram 1500, importada dos EUA, teve seu primeiro lote de 100 unidades esgotado em poucas horas.

Já a Amarok V6, feita na Argentina, mudou pouco, mas trouxe uma atualização muito importante. Ela foi realizada no motor 3.0 turbodiesel, que antes entregava 225 cv. Na linha 2021, teve sua potência elevada a 258 cv.

Além disso, traz um overboost, que permite ao propulsor V6 da picape entregar até 272 cv. Isso ocorre de 50 km/h a 120 km/h, por cerca de 15 segundos. Para se "recuperar" e poder ser usado plenamente de novo, o sistema precisa de 10 segundos.

A Ram 1500 "ri" da potência da Amarok V6. Com seu 5.7 V8 aspirado, tem nada menos do que 400 cv. E é bem mais rápida no 0 a 100 km/h. Leva 6,4 segundos, ante os 7,4 segundos da picape da Volkswagen - que custa R$ 243.290 na versão Highline e R$ 256.390 na Extreme.

Então a pergunta do título está respondida: a Ram 1500 é mais rápida que a Amarok V6. E isso era óbvio ao se analisar os números das duas picapes. Fim. Certo? Errado. A comparação entre os desempenhos vai além do 0 a 100 km/h.

Já vou direto ao ponto: após testar as duas picapes, cheguei a conclusão de que, mesmo em desvantagem numérica, a Amarok V6 passa a impressão de ser tão, ou até mais rápida que a 1500, na maior parte das situações de retomada.

0 a 100 km/h é arrancada. Dificilmente alguém usará esse parâmetro no dia a dia. Talvez em uma saída de pedágio? Ou quem sabe ao partir em um farol? Nesse caso, como a maior parte dos faróis está em cidades, o motorista estará desrespeitando as leis de trânsito ao colocar força máxima no acelerador para atingir os 100 km/h, partindo da imobilidade.

Já as retomadas são aquilo que se faz no dia a dia. É ganhar velocidade não partindo da imobilidade, mas já de uma determinada rotação. É ir de 40 km/h a 80 km/h, ou de 80 km/h a 120 km/h.

A retomada é usada em diversas situações do dia a dia, especialmente nas ultrapassagens. Parte dos clientes de picape costuma circular em regiões de estradas de pista simples, em que o bom poder de retomada para ultrapassar é um fator de segurança.

Mas vale ressaltar que a Ram não almeja esse público. Para eles, coloca como produto mais apropriado a 2500. De acordo com a marca, a estratégia da 1500 é mais focada em estilo de vida, e em clientes que vivem próximos dos grandes centros urbanos, ou escapam frequentemente para esses locais - condomínios de luxo, casas de praia, etc.

Como explicar a sensação de retomada mais forte

Após testar as duas picapes, fiquei curiosa. Como a Amarok pode ser tão eficiente se é menos potente? As relações do câmbio - automático de oito marchas nos dois casos - poderiam ajudar a compreender o fenômeno.

Mas, nesse caso, a agilidade da Amarok tem uma causa mais provável: o tipo de motor. O V6 turbodiesel é forte. Tem 59,1 mkgf de torque, mais que o da Ram, de 56,7 mkgf. Mas essa pequena diferença não é a única razão.

A principal é a faixa de rotação em que essa força é entregue. O torque máximo da Ram, que tem um V8 aspirado a gasolina, chega a apenas 3.950 rpm. O V6 da Amarok, como todo bom propulsor a diesel, já permite desfrutar todos os 59,1 mkgf a 1.400 rpm.

Ram 1500 - Divulgação - Divulgação
Imagem: Divulgação
A picape da Volkswagen não precisa que o motor gire tanto para ganhar velocidade. Daí o ímpeto que entrega nas retomadas. O motorista pressiona o pedal do acelerador e, como a rotação não está em zero, recebe logo uma patada que gruda o corpo no banco.

O V8 da Ram precisa girar mais para chegar a esse comportamento. Além disso, estamos falando aqui de cerca de 500 quilos de diferença de peso, que são como mais de duas blindagens, dependendo do carro. A VW tem pouco mais de 2.100 quilos e a 1500 supera os 2.600 kg.

Amarok e Ram não são concorrentes diretas

Por mais que esse comportamento em relação às retomadas seja curioso, Amarok e Ram não são concorrentes diretas. E não apenas pelo abismo no preço. O modelo norte-americano tem quase 70 cm extras no comprimento, e oferece um espaço interno que a maioria das médias está bem longe de entregar - a da Volkswagen não é exceção.

Além disso, por mais que as versões de topo das picapes médias invistam também no cliente urbano, ou naquele que vive nas imediações das grandes cidades, elas têm outros públicos em foco. Para a 1500, esse consumidor é o primordial.

Por isso, a marca, em um contexto de dólar a mais de R$ 5, decidiu justificar o alto valor de sua picape não só no porte e no V8, mas também na tecnologia. Na cabine, a Ram é praticamente um SUV de luxo com caçamba.

Vem como ACC, leitor de faixas com função de correção, frenagem autônomo da emergência e uma tela multimídia gigantesca, que se divide em duas partes e traz câmeras 360. O acabamento é sofisticado. Não é o cliente de picapes médias que a Ram almeja. É o de SUVs premium.

A Amarok é rústica. Tem até alguns detalhes sofisticados de acabamento, mas não impressiona pelos sistemas de tecnologia. Sua central multimídia é simples, defasada, com tela muito pequena.

O que a Amarok oferece, no quesito tecnologia, não é nada demais para um carro na faixa dos R$ 250 mil. Seu preço se justifica pela construção, pelo tipo de veículo que ele é. E está em conexão com os das versões de topo de muitas de suas concorrentes diretas - que são a Toyota Hilux, a Chevrolet S10 e a Ford Ranger, entre outras.

É mais cara que algumas, e tem preço semelhante à da Hilux de topo. Nenhuma das rivais, no entanto, traz um comportamento tão exuberante quanto o da Amarok V6. E quem quiser pagar menos pelo modelo da Volkswagen pode optar pelas versões 2.0 turbodiesel.