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Primeira Classe

Fiat Strada: o que nova versão da picape tem de pior e de melhor

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

17/09/2020 04h00

Maior sucesso do segmento de picapes na história do mercado de veículos no Brasil, a Fiat Strada chegou sua nova geração com ainda mais força. No mês passado, foi o segundo carro mais vendido do País.

Mas o que é que a Strada tem? Muita coisa legal, sem dúvida. Há variedade de versões, com preços para quase todos os gostos. Inovação, pois a concorrência não se renova há tempos. No entanto, a picape da Fiat também tem lá seus defeitos.

Aqui, listamos o que a nova Fiat Strada tem de pior e de melhor. O teste é da versão topo de linha, que passou a se chamar Volcano - é a substituta da Adventure. Seu preço sugerido é de R$ 79.990.

No entanto, na análise vamos considerar também fatores mercadológicos de toda a linha, cuja tabela começa em R$ 63.590 para a versão Endurance.

O que a nova Strada tem de melhor

A Fiat transformou a Strada em uma picape cabine dupla de verdade, com quatro portas e bom espaço para quem vai atrás. Não é uma amplitude de SUV compacto - e a marca vem tentando atrair os clientes desses carros com a versão Volcano. Ao menos, não dos mais espaçosos, como T-Cross, Creta, Kicks e HR-V.

São 2,73 metros de entre-eixos, mas boa parte ocupada pela carroceria. Então, o espaço interno é mais equivalente ao de hatches como Argo, Polo e Onix. Pode parecer pouco, mas em um segmento no qual há alguns anos nem se considerava uma cabine dupla, está excelente.

Esse espaço transforma a Strada em um carro mais plural, capaz de cumprir bem sua aptidão para o trabalho e também ser usado no cotidiano, inclusive por quem tem família. Golaço da Fiat.

Na versão Volcano, com pneus de uso misto e 21 cm de altura livre do solo, rodar na terra é missão fácil. A tração é 4x2, na dianteira, mas a nova Strada vence sem sofrer trechos sem obstáculos difíceis. E com muito conforto.

Aliás, o carro tem acerto de suspensão voltado ao conforto, algo que faz com ele se dê bem também em pisos imperfeitos do asfalto. A tampa de caçamba tem abertura fácil, além de ser leve e resistente. Até uma criança de cinco anos consegue manusear o componente.

A Strada tem linha bem completa, com três versões de acabamento, duas de motor e duas de carroceria. A central multimídia é opcional desde a opção mais simples. E a Volcano vem com pacote competitivo.

Quase tudo que está lá é de série. Apenas as rodas de liga leve são opcionais (R$ 2.500). O visual bonito e bem resolvido é outro ponto positivo da nova Strada.

A central multimídia é fácil de usar. Além disso, traz Android Auto com conexão sem fio. É o primeiro carro nacional a ter essa funcionalidade. No Nivus, esse tipo de facilidade é só para o Apple CarPlay.

O que a picape tem de pior

Fiat Strada 2021 - Divulgação/Fiat - Divulgação/Fiat
Imagem: Divulgação/Fiat

Mas, se o Android Auto sem fio é uma vantagem, pode ser também um problema. Ao se acionar o Bluetooth, o sistema fica confuso. Não sabe se conecta o espelhamento na tela, ou apenas a conexão convencional para áudio e chamadas.

Cada vez que se liga o carro, é essa mesma confusão. E, muitas vezes, o sistema não toma a decisão. É o motorista que tem de, manualmente, acionar as configurações do telefone na central multimídia de fazer sua escolha. Em algumas ocasiões, aperta-se o botão selecionado (Android Auto ou conexão Bluetooth básica) repetidamente, e nada de resposta.

Ainda na central multimídia, falta potência ao sistema de som. Rodando em rodovias, em alta velocidade, fica muito baixo - talvez porque falte um revestimento acústico melhor. E por falar em barulhos, a unidade avaliada da Volcano estava com ruído constante de peças batendo.

O acabamento não é dos melhores. Há muito plástico duro e simplicidade demasiada dos materiais usados. O console central é pobre, sem um porta-objetos. Ali fica só o freio de estacionamento, em uma solução bem retrógrada.

Além disso, os porta-copos são mal posicionados, à frente da alavanca do câmbio de cinco marchas. Em quinta, fica muito difícil acessá-lo.

O motor 1.3 da versão Volcano não dá conta do recado. São 109 cv e apenas 14,2 mkgf de torque a 3.500 rpm. Com ele, a picape sofre bastante nas retomadas de velocidade, principalmente em subidas (teste feito com uma pessoa a bordo e sem carga na caçamba).

Falta também uma versão com câmbio automático. Isso está sendo providenciado. A Fiat trabalha em uma transmissão desse tipo para ser incorporada à linha Strada, o que deve ocorrer até o início de 2021.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.