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Como julho revolucionou ranking de vendas e tirou Onix da liderança

Rafaela Borges

Rafaela Borges é jornalista automotiva desde 2003, com passagens por Carsale e Estadão. Escreve sobre o mercado de veículos, supercarros, viagens sobre rodas e tecnologia.

Colunista do UOL

20/07/2020 04h00

A pandemia de coronavírus vem transformando o ranking de vendas de carros no Brasil. E a chegada de julho trouxe uma das mudanças mais importantes dos últimos tempos. Na primeira metade do mês, o Chevrolet Onix apareceu fora da liderança do mercado.

A maior surpresa é o novo líder. Nem Hyundai HB20, nem Ford Ka, nem nenhum hatch compacto. O nome desse modelo é Volkswagen T-Cross, carro que, em sua versão mais vendida, a Highline, custa pouco menos de R$ 120 mil iniciais - podendo ultrapassar os R$ 130 mil.

O T-Cross, que vem mantendo o primeiro lugar desde os primeiros dias de julho, somou 5.057 unidades vendidas entre os dias 1º e 16. Segundo colocado, o Onix registrou 4.650 emplacamentos. Os dados são da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).

Ainda dá para o Onix recuperar o espaço perdido até o fim do mês. A diferença, de cerca de 400 unidades, é baixa para os líderes de vendas. Porém, o T-Cross vem mantendo um resultado diário consistente.

Carros de entrada fora da lista dos dez mais vendidos

O T-Cross na liderança não é a única grande mudança no ranking. São pouco os carros compactos dos segmentos de hatches e sedãs que conseguiram se manter na lista dos dez mais vendidos.

Além do Chevrolet, há o HB20 na terceira colocação, o Onix Plus na sexta e o Fiat Argo na décima. Vice-líder em 2019, o Ford Ka caiu para a 11ª posição na primeira metade de julho. Gol, Polo e Kwid, também figuras constantes na lista dos dez mais vendidos, ocuparam respectivamente a 13ª, 14ª e 16ª colocação no período.

A Strada foi a 5ª mais vendida, mas até nesse modelo há um fato interessante. Com a chegada da nova geração, a versão mais procurada é a mais cara, Volcano, por cerca de R$ 80 mil.

Outros carros de maior valor agregado que estão na lista dos dez mais emplacados são Tracker (4º colocado), Compass (7º), Renegade (8º) e Toro (10ª).

As razões das mudanças

As mais de 5 mil unidades do T-Cross emplacadas de 1º a 16 de julho deixam claro que havia uma demanda por emplacamentos, já que os mais importantes Detrans do País estavam fechados - reabriram em meados de junho. Isso porque o número de exemplares já é semelhante ao que o dono da posição de SUV compacto mais vendido registra em um mês completo.

Nos melhores meses, esses modelos conseguem chegar a cerca de 6 mil emplacamentos, algo que já ocorreu com T-Cross e Renegade. Porém, o mais comum é que completem o período de 30 ou 31 dias com cerca de 5 mil unidades emplacadas.

Se a demanda reprimida de emplacamentos está agora causando distorção no número de vendas, ela também deixa claro um aspecto. No período em que os Detrans ficaram fechados, a procura por hatches e sedãs compactos foi baixa. Bem baixa.

Tanto que, na retomada, eles não estão registrando números superiores aos que eram comuns antes da pandemia. Pelo contrário: continuam com emplacamentos bem abaixo da média. O Onix, por exemplo, teve cerca de 17 mil unidades vendidas em dezembro de 2019. Nos seus melhores meses, chegou a somar 22 mil exemplares emplacados.

Em qualquer momento de crise, os segmentos de entrada sofrem mais. No caso da pandemia do novo coronavírus no Brasil, houve diversos casos de redução de salários, diminuição de renda e desemprego. Além disso, o consumidor de modelos mais em conta, mesmo aquele que não foi afetado, tende a ser mais cauteloso na compra de bens de alto valor, como o automóvel, em um contexto como o atual.

Mas não é apenas isso. Hatches e sedãs compactos são muito dependentes de vendas diretas para grandes frotas, como as de locadoras. E essa modalidade de negócio foi reduzida drasticamente nos últimos três meses.

Os SUVs compactos também são fortes em vendas diretas. Porém, nesse caso, o que inflaciona o percentual dessa modalidade de negócio nos emplacamentos são as entregas para o consumidor PCD, cujo comportamento é igual ao do público que adquire o veículo no varejo. A diferença é o desconto gerado pela redução de impostos.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL.